Lendas urbanas

O homem desde sempre teve medo. Medo do que o rodeia. Medo do desconhecido. Medo do que o ultrapassava. Medo dos poderosos. Medo da religião – dos religiosos…

Desses (muitos) medos nasceram histórias e lendas que se perpetuaram de geração em geração e passaram a fazer parte do imaginário de cada região, de cada país. Assim nasceram (?) os vampiros, os lobisomens, as bruxas e tantas outras fontes de medo.

Esses medos, evoluem com o tempo, com o próprio homem, assumindo novas formas adaptadas às novas realidades.

“Les véritables Légends Urbaines” (Dargaud), de que acaba de ser editado o primeiro tomo, escrito por Corbeyran e Guérin, explora histórias do nosso imaginário, num registo de terror, algumas das quais, provavellmente, já ouvimos contar como tendo acontecido “a alguém conhecido de fulano” ou algo assim. Histórias, com base verídica ou não, nascidas em rumores ou na (fértil) imaginação humana (a quem o medo dá asas…), que estas BDs exploram pelo seu lado mais negro, seja o gang que circula de luzes apagadas e abalroa todos os que lhes fazem sinais de luzes, sejam várias versões de assassinos dentro de casa, ilustradas por Guérineau (que com uma planificação diversificada, com múltiplas vinhetas, consegue imprimir um ritmo e um clima de tensão em crescendo à narrativa), Damour, Henriet e Formosa (cujo traço violentamente caricatural acentua o lado negro da história).


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

Futura Imagem