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Novo Lucky Luke chega dia 9

Chama-se “O Homem de Washington”, é o novo álbum de Lucky Luke, terceiro do período pós-Morris, e chega às livrarias portuguesas no dia 9, praticamente em simultâneo com a edição francófona, à venda desde sexta-feira passada.
Os responsáveis pela nova aventura são mais uma vez o desenhador Achdé (aliás Hervé Darmenton) e o humorista Laurent Gerra, que optaram por uma abertura em grande, reeditando um duelo entre Lucky Luke e o mítico Billy the Kid, continuando a apostar numa das imagens de marca dos seus álbuns: as constantes evocações do passado da série, que conta já mais de sete dezenas de títulos, desde a sua criação a solo por Morris, em 1946.
Entre 1955 e até à sua morte, em 1977, Goscinny assinou os argumentos e introduziu personagens carismáticas como os terríveis irmãos Dalton ou o idiota cão Rantanplan, seguindo-se um período em que Morris recorreu a diversos argumentistas, até falecer em 2001. Dois anos depois, a actual dupla fazia a sua estreia no “cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra” com “Lucky Luke no Quebeque”, primeiro tomo da nova série denominada “As aventuras de Lucky Luke segundo Morris”.
Agora, em “O Homem de Washington”, o fleumático cowboy enfrenta mais uma missão de alto risco: acompanhar e proteger o candidato republicano à Casa Branca, Rutherford Birchard Hayes (que na realidade viria a ser o 19º presidente norte-americano, entre 1877 e 1881), durante a sua campanha eleitoral pelo oeste selvagem, devido às ameaças de Pierre Camby, um rico explorador de petróleo apostado em ocupar o seu lugar, “um menino do papá”, que, por coincidência ou não, tem a cara de um certo George W. Bush…
Partindo de um tema actual, pretexto para um olhar crítico ao mundo da política, os autores narram uma implacável perseguição pela vastidão da América que, revelou Achdé ao JN, conta com “emboscadas, índios, uma locomotiva, um cozinheiro falhado, loucos do revólver, uma diligência, senadores, o muro de Berlim, agentes muito especiais, um pregador no deserto, uma louca por limonada e um ou dois coiotes!” e o encontro com celebridades actuais, como uma certa Britney Schpires, “cantora de cancan” em saloons. Tudo condimentado com bom humor, ritmo vivo e um traço solto, dinâmico e agradável.
A edição francesa, disponível desde a passada sexta-feira, é o best-seller aos quadradinhos para a época natalícia no mercado francófono, esperando-se que as vendas ultrapassem o meio milhão de exemplares, já que o álbum anterior de Achdé e Gerra, “O Nó ou a forca”, vendeu 650 mil cópias. A versão portuguesa chegará às livrarias na próxima terça-feira com uma tiragem (bem) mais modesta de 4 000 exemplares.

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Achdé: “Sou o primo da província de Lucky Luke”

JN – Após três álbuns de Lucky Luke, qual é a sensação?
Achdé – Continuo nas nuvens e a ter enorme prazer neste mito da BD. Estes sete anos passaram como um sonho! Com muito trabalho, incertezas e angústias, mas também com prazer e satisfação.
JN – O que mudou na sua relação com ele?
Achdé – Lucky Luke entrou na minha família. É um amigo que vive no meu atelier. Morris era o seu pai, eu acho que posso dizer que sou o seu primo da província.
JN – Qual o seu melhor álbum de Lucky Luke?
Achdé – O próximo! Porque terá que ser ainda melhor que os precedentes.
JN – Há quatro Lucky Luke diferentes, o original de Morris, o mais popular de Goscinny e Morris, o pós-Goscinny e o actual de Achdé e Gerra?
Achdé – Pergunta difícil… Lucky Luke evoluiu ao longo dos anos. Os mais mágicos são os de Morris e Goscinny, mas alguns de Fauche e Leturgie são geniais. É impossível compará-los!
JN – Como apresenta o seu Lucky Luke?
Achdé – Uma mistura entre James Stewart e John Wayne; grande, calmo, pragmático, mas também leal, franco e cavalheiresco; um verdadeiro herói.
JN – Ainda tem dificuldades em desenhá-lo?
Achdé – Digamos que tenho medo de errar. Por isso volto muitas vezes aos meus desenhos, para tentar melhorá-los. Baixar a qualidade de uma personagem como Lucky Luke não é aceitável.
JN – Reencontrar Billy the Kid foi um prazer ou um problema?
Achdé – Um prazer, claro! Animar outra personagem pequena e nervosa como o Joe Dalton foi uma verdadeira maravilha!
JN – Como vê o seu futuro com Lucky Luke?
Achdé – Se Deus permitir, longo e bom!
JN – E um Lucky Luke escrito por Achdé?
Achdé – Todo o desenhador tem a veleidade de perguntar se será capaz de fazer texto e desenho. Para já, o papel de co-argumentista satisfaz-me plenamente, mas quem sabe o que trará o futuro?
JN – O próximo Lucky Luke vai ser…
Achdé – Lindo!


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

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