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Dono do seu próprio destino

Hernán Cortés, conquistador ambicioso e estratega refinado
O contraste entre duas civilizações em mais um volume da colecção “Descobridores”

A existência de um verdadeiro mercado editorial e, por consequência, de uma verdadeira indústria de banda desenhada (no melhor sentido do termo), para lá da diversificação permite também a especialização em segmentos específicos.
É o caso, por exemplo, das biografias históricas que, tendo por base numa sólida pesquisa que garante a veracidade da informação disponibilizada, proporcionam bandas desenhadas na completa acepção do termo.
No catálogo da francesa Glénat existe um bom número dessas propostas e a Gradiva tem ‘pescado’ nele de forma regular e assertiva títulos mais adequados ao mercado português, dividindo-os por duas coleções: “Eles fizeram História”, onde já pudemos ler sobre Mao, Churchill ou Estaline; e esta “Descobridores”, por onde já passaram Marco Polo, Darwin ou Fernão de Magalhães e onde surge agora “Cortés 1/2: A guerra de duas faces”, dedicado a um dos conquistadores espanhóis que desbravaram o então chamado Novo Mundo para a coroa do país vizinho – e para si próprio – movendo-se com habilidade junto dos seus concidadãos e aproveitando com mestria as guerras internas que grassavam no território.
A a história arranca, em 1492 – ao mesmo tempo que Colombo chegava à América! – quando um muito jovem Cortés, em perigo de vida, desafiando ostensivamente os santos cristãos, se compromete a uma peregrinação depois de… cumprir o seu destino!
Esse destino e o percurso que o levará até lá, vai ser-nos contado em paralelo com o do imperador asteca Montezuma, o que permite uma convincente reconstituição histórica de ambas as civilizações, num relato assente num traço semi-caricatural pouco comum neste registo, tal como a ousadia de algumas cenas mais sensuais ou a violência explícita de alguns confrontos. Numa trama assente em intrigas, guerras – pelo poder e pelas riquezas – e pontuada por uma componente mística e pela forte relação de Cortés com a cativa e amante Leonor, vamos descobrindo o retrato de um homem que foi um conquistador ambicioso e um estratega refinado e que merece ser conhecido hoje, pelo modo como se destacou dos seus congéneres e no seu tempo, contra os poderes instituídos por princípio, mas usando-os quando lhe eram proveitosos, e que via como suprema façanha ser dono do seu próprio destino.

Cortês 1/2: A guerra de duas faces
Christian Chavassieux e Cédric Férnandez
Gradiva
64 p., 20,99€


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

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