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BD PALOP, um projecto para abrir horizontes aos falantes da Língua Portuguesa

Primeiros livros chegam em Novembro às livrarias

Intitula-se BD PALOP, quer promover e desenvolver “um género literário que trará outros horizontes à imaginação das novas gerações de falantes da Língua Portuguesa” e os primeiros livros chegam às livrarias nacionais este mês.
Criado no âmbito do programa ProCultura, sustentado com fundos da UE, geridos pelo Instituto Camões e pela Gulbenkian, tem como parceiro português o colectivo editorial A Seita. José Hartvig de Freitas, um dos seus responsáveis, revelou ao JN que “foi Bruno Caetano, que teve a ideia de montar um projecto de BD, e falou com Fàbio Ribeiro da Anima, uma empresa de Moçambique, da área da animação.” E continua: “depois, fomos à procura de parceiros em Angola e Cabo Verde, o estúdio BomComix e a Associação JovemTudo”. “De seguida, foram organizados workshops online com autores consagrados”, como André Oliveira, Joana Afonso, João Mascarenhas Jorge Coelho, Miguel Mendonça, Cris Peters, Mário Freitas, Osvaldo Medina que abordaram “temas que presidem à criação de uma BD: argumento, planificação, desenho, arte-final, cor, legendagem, edição, contratos, direitos, etc.”. Para além disso, adianta José de Freitas, “as equipas criativas, três por país (Moçambique, Angola e Cabo Verde) foram acompanhadas por um autor, que serviu de mentor”.
Igualmente importante, “foi a edição dos livros”. Ancorados na realidade ou em lendas africanas, de temática infantil, social ou de super-heróis, os primeiros sete, “já foram distribuídos nos PALOP que integram o projecto”, chegam “durante Novembro às livrarias nacionais” e “estarão à venda no Brasil, em Fevereiro/Março”.
Ao JN, Freitas confessa “que não havia expectativas muito claras, pois a situação do mercado de BD nos PALOP é muito desigual e, nalguns, muito incipiente”. Naturalmente, “as candidaturas foram de qualidade muito variável; no primeiro ano recebemos mais de autores a iniciar-se mas, no segundo, a qualidade média subiu, bem como o número de candidaturas, quase quatro dezenas”. Uma vez que o projecto procura também “ser baseado em critérios de igualdade e de equilíbrio de género, temos tido a felicidade de ter bastantes mulheres entre os formadores, mentores e jurados, e também surgiram muitas autoras”.
Considera que as propostas foram “muito interessante; quase vimos ser recapitulada muita da evolução da BD e da sua linguagem. Mais que tudo, sentimos imenso entusiasmo da parte dos autores, uma sede genuína de informação e conhecimento; as formações foram fantásticas, com criadores portugueses e brasileiros a trocar conhecimentos com os africanos, e uma enorme vontade por parte destes de perceber melhor a linguagem da BD e de melhorar o seu trabalho”.
José de Freitas afirma estar seguro que “ao longo dos três anos a qualidade dos livros irá aumentando e que no final serão 27 obras que irão de certo modo marcar a história da BD nos PALOP; haverá um antes e um depois deste projecto!”.
E termina com um desafio: “que os leitores portugueses adiram, arriscando na descoberta destes livros e destes autores”.

[Caixa]

A Turma do Cabralinho
Domingos Luísa e Coralie Silva
Cabo Verde

Na Cidade da Praia, Cabralinho e os seus amigos adoram ouvir as histórias de bruxas que o seu pai conta. Mas quando a imaginação impera e a ficção se transforma em realidade, as crianças irão viver uma estranha aventura.

Torre Nova
Eliana N’Zualo e Ique Langa
Moçambique

Antigo prédio de luxo, o edifício Torre Nova é agora um microcosmos, que espelha a sociedade e onde se multiplicam os dilemas, as frustrações e os problemas de relacionamento, vistos por um grupo de crianças.

Elektus
Danilson Rodrigues e Nick Agostinho
Angola

Após a independência, um interrogatório numa base militar é interrompido por uma dupla misteriosa, que terá de enfrentar seres modificados geneticamente, para evitar um terrível acontecimento que querem a todo o custo evitar.

Ventage
Florinda Sakamanda e Helder Simões
Angola

A queda de um meteorito, em Luanda, confere poderes extraordinários a alguns dos seus habitantes e transforma outros em monstros. É então formada a Ventage, uma organização que forma mutantes para proteger a sociedade.

Bonga
Darling Catar e Trisha Mamba
Moçambique

Numa Maputo futurista de 2069, assolada por uma onda de crimes, o relato assenta em temas seculares como o receio da diferença, a crendice, a superstição e a necessidade de aceitação dos que são mais próximos.

Panzu – A máscara dos deuses
Luís Mateus e Simão Kusanica
Angola

Panzu ambiciona ser um grande guerreiro, como os seus antepassados, e vai ter essa possibilidade quando, durante um ataque de um leopardo, descobre uma máscara ancestral, com surpreendentes poderes.

Tunuka
Kitty Blunt e Wilson Lopes
Cabo Verde

Ao investigar movimentações criminosas que visam derrubar o ancião que lidera a vila para instalar uma ditadura, Tunuka desenvolve poderes místicos e percebe que há detalhes do seu passado que ainda tem de descobrir.


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

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