Categoria: Destaques

Clube de Leitura: Palestina de Joe Sacco

Os Companheiros da Penumbra

por David Pontes

Há um tempo em que o mundo parece um lugar aberto a todas os sonhos e possibilidades e, simultaneamente, o destino onde os nossos medos moram, à espera de se tornarem a realidade. Um tempo em que forjamos carácter, conjugamos forças, exorcizamos destinos marcados. Procuramos companhia para a viagem, naqueles com quem podemos partilhar códigos indecifráveis para a maioria e uma imparável vontade de não nos vermos diluídos na multidão.

Esse tempo chama-se juventude e é nela, que de uma forma empolgante, Nunsky nos leva a mergulhar no seu “Companheiros da Penumbra”.

É desse tempo, em que podíamos ser músicos, editores, organizadores de espectáculos, estilistas, realizadores de cinema, autores de banda desenhada, sem ter de gastar uma vida em cada uma dessas vocações, que nos fala esta banda desenhada ímpar. Anos feitos de conspirações à mesa do café, sessões de cinema em casa de amigos, palcos improvisados em casas de alterne, incursões ao Portugal “real”, excessos e amores suspirados, conquistas e derrotas amargas. Mesmo para quem não se entregou às trevas da nação gótica, mas abraçou uma qualquer tribo urbana, “Companheiros da Penumbra” é um local perfeitamente reconhecível, nostalgicamente familiar.

Até porque esta é uma viagem a um Porto muito diferente da cidade conquistada pelo turismo de hoje. Um tempo de passagem em que especialmente a Sé e a Ribeira, mas também os centros comerciais decadentes, encontravam novos habitantes nas hordas de juventude que iam enchendo bares e discotecas, onde antes havia armazéns e estabelecimentos comerciais. Nessa altura, a cidade, com todas as suas promessas adiadas de cosmopolitismo, pertencia-lhes, era o lugar onde se erguia alto a bandeira do direito à diferença.

Nunsky consegue unir isto tudo com um traço distintivo e sólido e com uma banda sonora irrepreensível, que faz de “Companheiros da Penumbra” um excelente parceiro para regressar a esses tempos negros e brilhantes.

Exposição

Na Galeria Mundo Fantasma, de 10 de Fevereiro a 24 de Março

Companheiros da Penumbra

All we ever wanted was everything
All we ever got was cold

—Bauhaus

Nunsky

Companheiros da Penumbra
Companheiros da Penumbra.

Nunsky é o pseudónimo de um autor de BD que desde há vários anos tem dado à estampa obras que surpreendem pela qualidade e coerência. Companheiros da Penumbra, a sua última obra (edição da Chili com Carne) é já um livro de culto e um sucesso de público à medida do mercado português.

No âmbito da apresentação da Bedeteca, a Galeria de BD e Ilustração Mundo Fantasma apresenta uma exposição dos originais desta obra e promove uma conversa em torno dela e da cena alternativa do Porto dos anos 80/90, com a presença de Esgar Acelerado (editor de fanzines e de discos), Carlos Moura (alternador de discos), José Alberto Pinheiro (professor e ex editor de fanzines) e Miguel T. (proprietário da Piranha, ex-Peresgótika Records e Fanzine, ex-O Arco do Cego — programa de rádio).

Data

10 de Fevereiro às 15h00

Companheiros da Penumbra

Nunsky, um criador nortenho (Maia) que só participou em três números do zine Mesinha de Cabeceira nos tempos das fotocópias…

Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada, 88, pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns.

O autor nunca mais se voltou para bd desde então, tanto que preferiu tornar-se vocalista da banda psychobilly The ID’s cujo o destino é desconhecido.

Nunsky foi um cometa na bd underground portuguesa e como se sabe os cometas costumam voltar… em 2014 eis que aparece um romance gráfico de 144 páginas: Erzsébet!!! Seguido por mais dois livros metidos no Mesinha de Cabeceira. Novo silêncio e eis ele em 2022 com Companheiros da Penumbra, uma obra-prima na BD portuguesa.

Links de Interesse

Chaputa!

Chili Com Carne

Piranha

Cão Raivoso na Bedeteca

Cão Raivoso

O fanzine, acabado de sair do prelo, vai ser apresentado no próximo Sábado na Bedeteca!
O clube de banda desenhada Cão Raivoso convida-vos para o lançamento do primeiro número do fanzine, que terá lugar Sábado, dia 10 de Fevereiro no Mercado do Contra, pelas 18h (Centro Comercial Brasília, Loja 503).
O Mercado do Contra contará com uma feira de fanzines, exposições e conversas com diversos autores do panorama nacional português.

Clube de Leitura: Palestina de Joe Sacco

Palestina, de Joe Sacco, é um dos mais paradigmáticos exemplos de jornalismo em formato de Banda Desenhada. Baseado numa viagem do jornalista Joe Sacco à Palestina entre 1991 e 1992, inicialmente tendo como intenção uma reportagem autobiográfica, mas que rapidamente se reflete num interesse pelo lado humano das histórias individuais de cidadãos nativos.

Vindo dos EUA (mas original de Malta), Sacco consegue dialogar com os dois lados, reportando sobre os pontos de vista israelita e palestiniano. Sacco apercebe-se que foi influenciado a identificar-se mais com os israelitas e os judeus americanos através da propaganda americana, que, num viés claro, noticiava actos terroristas da Frente Popular pela Libertação da Palestina, sem mostrar imagens humanizadas do povo palestiniano. Assim, neste livro, recolhe testemunhos, focando histórias individuais, reconhecendo ao mesmo tempo o seu estatuto de privilégio para fazer aquela reportagem, numa constante sátira de si mesmo.

Pelas várias zonas por onde passa, conhece e dá-nos a conhecer retratos de famílias separadas, histórias de encarceramento, de destruição, de tortura e de imposição de colonatos judeus em terras palestinianas. Reporta também, entre outros temas, sobre a estrutura das prisões, onde se formam comunidades autogeridas e sobre o estatuto da mulher na sociedade palestiniana, apontando sempre um olhar crítico aos media sedentos, nos quais ele mesmo se insere.

Tentando compreender o conflito, mas sabendo-se ocidental e exterior a ele, Sacco retrata um povo e território que, desde 1948, é pilhado e sujeito a uma violência genocida.

Neste clube do livro, falaremos sobre o potencial da BD para levar a cabo um retrato jornalístico, numa inversão daquilo que normalmente são os seus tópicos convencionais. Que particularidades da BD são aqui exploradas e que dimensão traz a estas imagens que representa, que a fotografia ou o texto, isolados, não podem trazer? Atentaremos à linguagem gráfica e aos enquadramentos de Sacco e de que forma nos transportam para a geografia local, as paisagens, roupas e detalhes comuns do ambiente. E, por fim, de que forma é que o autor se insere (desenhado e escrito) na própria narrativa?

— Goteira

Palestine
Palestine de Joe Sacco, Fantagraphics.
Organização

Goteira – Colectivo de BD

Data

17 de Fevereiro de 2024, 17h00

Local

Bedeteca
Shopping Center Brasília
1.º andar, Loja 503

Mercado do Contra

Oficina Paulo Mendes

Para dia 10 de Fevereiro estamos a preparar um programa intenso de actividades. A primeira é o Mercado do Contra / Fanzines e Banda Desenhada Independente (Instagram), e assim, encontra-se oficialmente aberto o Open Call para esta primeira edição que se realizará no Shopping Center Brasília, entre as 10h00 e as 19h00.
 Procuramos autores de Fanzines e auto-edição de Banda Desenhada, a inscrição tem o custo de 10,00€ com mesa incluída.
Confirmada a presença de:

  • Filipe Abranches — Umbra
  • Ricardo Baptista
  • André Caetano
  • Pedro Moura
  • Marco Filipe Fraga e Filipe Duarte — Associação Tentáculo
  • Paulo J. Mendes
  • Daniel da Silva Lopes — Gorila Sentado
  • Cão Raivoso
  • Sama
  • Rita Mota e Beatriz Costa — Colectivo Goteira
  • Rudolfo da Silva — Palpable Press
  • Diogo Campos e Hugo Teixeira
  • Luffy Fernandes, Bia Miranda — Mundo Fantasma
  • Marco Mendes — Turbina
  • Magma Bruta
  • Miguel Gonçalves
  • Massacre e Erva Daninha
  • Matilde Feitos
  • Colectivo Nó
  • Gonçalo Sobral
  • Chaputa! Records
  • Music & Riots

Mais informações no Instagram.

O programa integra também uma oficina: Desenho em Diário Gráfico por Paulo Mendes (Instagram), vencedor do prémio melhor obra de BD por autor Português no Festival da Amadora 2023 com “Elviro”. A oficina iniciará com uma abordagem ao universo do Urban Sketching:

  • O diário gráfico na era da tecnologia
  • A importância da prática diária
  • O desenho de rua e os Urban Sketchers
  • Tipos de registos, técnicas e estilos
  • A banda desenhada e o urban sketching
  • Tipos de cadernos, papéis e formatos
  • Materiais para desenhar e para colorir

Com alguma literatura auxiliar, serão mostrados exemplos de diversos artistas nacionais e estrangeiros.
 Seguir-se-á um exercício prático no exterior do recinto, terminando com a reunião dos trabalhos e observações finais.

 A inscrição é limitada a 15 participantes com um preço de 10,00€ aos quais será fornecido material impresso. Mais informações no Instagram.

Mercado do Contra