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Fabcaro: “Quis escrever um Astérix que Goscinny e Uderzo pudessem apreciar”

40.º álbum de Astérix chega hoje às livrarias nacionais

Chega hoje às livrarias de meio mundo, “O Lírio Branco”, o 40.º álbum das aventuras de Astérix o gaulês.
Como habitualmente, a ASA acompanha a edição internacional do álbum, cuja tiragem, em 20 línguas e dialectos, atingirá os 5 milhões de exemplares.
A principal novidade deste álbum é a estreia do argumentista Fabcaro, que acompanha Didier Conrad, o desenhador de serviço nos últimos seis álbuns.
Como já tinha sido noticiado, em “O Lírio Branco”, a desordem que geralmente reina na aldeia gaulesa vai ser afectada pela chegada de um romano, Palavreadus, inventor da filosofia de pensamento positivo que dá título ao álbum e tem o condão de tornar pacatos e indiferentes todos os que a ouvem.
Para aprofundar um pouco a génese da nova aventura, o JN conversou em exclusivo com os autores.
Fabcaro, humorista francês de 50 anos, revelou que “mais do que um sonho, escrever Astérix foi algo de surrealista”. E adiantou que aprendeu “a ler com Astérix”, que essa foi a sua primeira BD e que “conhecia muito bem esse universo”, por isso, nem precisou “de reler os álbuns; tinha medo de ficar preso ao que já estava feito”. A solução foi “deixar a imaginação trabalhar”. E acrescenta: “Manter a fidelidade a Goscinny, foi uma obsessão, sentia pavor de trair a obra dele e de Uderzo, mas ao mesmo tempo queria trazer algo de novo, escrever um Astérix que eles pudessem apreciar”.
Nesta estreia, o trabalho conjunto com Conrad e o editor foi fundamental, “colocaram um certo travão ao absurdo e deram conselhos ao nível da estrutura, do ritmo e da planificação”. O desenhador corrobora: “Não houve muitas mudanças, tornaram-se os textos mais curtos, foram feitos pequenos ajustes para que o álbum possa ser lido por todos, Astérix é lido por várias gerações e tem de ser acessível a todos. É preciso muita atenção aos detalhes”. E vai mais longe: “Em Astérix, tens de ter sucesso; estás ao serviço de um universo que já existe, que todos conhecem desde a infância, com quem têm um grande laço afectivo, que faz parte da família”.
Os dois elegem “A Zaragata” como álbum preferido, mas em termos de personagens, enquanto o argumentista elege “Obélix, porque tudo o que é divertido pode passar por ele, é uma personagem de comédia extraordinário”, Conrad inclina-se para “Astérix e Panoramix… e Falbala, que nunca desenhei!”.
Em “O Lírio Branco” são identificáveis cenas que parecem extraídas de outros álbuns. Fabcaro assume que “quis seguir a estrutura dos meus álbuns preferidos, como “A Zaragata”, “O Adivinho” ou “Obélix & C.ª” em que alguém chega de fora e abala a estrutura da aldeia” mas também o fez para “homenagear os álbuns anteriores de Astérix. Usar a mesma base e fazer diferente, introduzir pequenas alterações, surpreender o leitor a cada passo, embora mantendo um contexto familiar, fazer rir, sem subverter os códigos, sem os trair, apenas em jeito de homenagem.” Conrad subscreve: “Em “O Grifo” não havia qualquer referência a álbuns mais antigos, foi bom neste revisitar tantas memórias”.
Palavreadus, o vilão de serviço, graficamente assemelha-se a Bernard-Henri Lévy e Dominique de Villepin e os seus aforismos foram inspirados no brasileiro Paulo Coelho. Fabcaro assume que “foi muito divertido escrevê-los, combinando referências políticas, filosóficas, citações de filmes…” Atendendo aos seus efeitos sobre gauleses e romanos, num tom mais sério vinca que “houve sempre uma parte da população mais frágil, mais manipulável. Nos nossos dias não foram as pessoas que mudaram, foi a facilidade de o fazer através das redes sociais”.
O desenhador confessa que nunca terá “ o controle completo deste universo; o estilo de Uderzo era muito pessoal e eu não sou Uderzo. o meu desenho não é uma cópia, é obrigatoriamente diferente, desenho como sinto. Manter uma certa linha gráfica, exige esforço, mas é isso que torna o desafio interessante”. E remata, com uma gargalhada: “desenhar árvores, folhas, pedras, não custa nada! O resto é que é difícil!”
Uma das novidades do novo livro é que “é uma história híbrida, metade na aldeia, metade fora, embora a viagem até Lutécia seja curta. Foi a forma de fugir um pouco à linha condutora de “O Adivinho” ou “A zaragata”. Alternar aventuras na aldeia com outras em cenários mais distantes, é uma tradição mas não uma regra.”
Se Jean-Yves Ferry, o argumentista dos cinco álbuns anteriores, decidiu parar para se dedicar a projectos pessoais, Conrad revela-se “muito satisfeito com Astérix. O tempo necessário para desenhar cada álbum é muito longo, muito exigente. Não há tempo para pensar em mais nada”.
Quanto a Fabcaro, sabe que foi “ contratado para escrever um álbum; se Ferry voltar, o lugar é dele”. Mas deixa escapar que “ficaria encantado se pudesse escrever outro”.

6 milhões de álbuns no nosso país
Portugal foi o primeiro país não francófono a descobrir Astérix. Aconteceu em 1961, no número inicial da revista “O Foguetão”, tendo o herói passado depois pelas páginas do “Zorro”, “Tintin” ou “Flecha 2000”, entre outras.
Em álbum, a Íbis abriu o baile em 1966 com “Astérix, o gaulês”, tendo as suas aventuras passado depois pelos catálogos da Livraria Bertrand, Verbo, Meribérica e ASA, onde ainda se encontra. Ao JN, esta editora revelou que “O Lírio Branco” terá uma tiragem de 45 mil exemplares, sensivelmente o mesmo que vendeu o título anterior, “Astérix e o Grifo”. No nosso país já foram vendidos mais de seis milhões de álbuns de Astérix, uma gota de água face as 393 milhões já vendidos em todo o mundo.

Homenagem bem-disposta à herança de Goscinny
A estreia de um novo argumentista, Fabcaro, fez aumentar as expectativas em relação ao novo álbum. A primeira constatação, é a subversão da regra implícita que ‘obriga’ a alternar uma aventura caseira com uma aventura exterior. “O Lírio Branco” arranca na aldeia gaulesa, mas a certa altura a acção desloca-se para Lutécia.
Outra característica da nova história, é que evoca, em jeito de homenagem, cenas de álbuns anteriores, da fase Goscinny. Lendo-o, é impossível não lembrar, por exemplo, a viagem para as termas para curar o chefe Matasétix, em “O Escudo de Arverne”, a corrida desenfreada pelos corredores da pirâmide em “Astérix e Cleópatra”, ou “A Zaragata” e o intriguista Tulius Detritus, embora onde aquele semeava a discórdia, no presente álbum Palavreadus prega a harmonia e a paz a todo o custo.
Médico-chefe dos exércitos romanos, o vilão de serviço pelo período deste álbum, defende o Lírio Branco, uma corrente de pensamento positivo, disparando aforismos bacocos a torto e a direito, como “Um problema deixa de o ser quando tem solução” ou “Todos os caminhos são bons, pois todos levam a algum lado”.
Assumidos geralmente como grandes princípios de vida – o que não abona muito a favor dos seus ouvintes, sejam eles romanos ou gauleses – são a crítica mais forte e mordaz aos dias de hoje num relato que também refere a praga das trotinetes (numa sequência pouco feliz), a necessidade de exploração dos recursos locais, a questão da igualdade de género (no banquete final), a nouvelle cuisine ou as modas que põem “metade a fazer exercício físico e a outra metade a comer sementes e peixe”.
Na primeira parte da história, principalmente, Fabcaro apresenta alguns trocadilhos bem conseguidos e uma série de provocações inteligentes às próprias referências imutáveis da série, que dispõem bem, mas a narrativa arrasta-se um pouco na segunda parte, quando se centra nos problemas de relacionamento do chefe e da esposa, Boapinta.
Graficamente, tal como já evidenciava o álbum anterior, Didier Conrad, sem ter provocado qualquer corte com a herança de Uderzo, já a converteu ao seu estilo próprio, dinâmico e expressivo e as diversas soluções que utiliza são eficazes em termos narrativos.
De leitura bem-disposta, mas sem igualar a herança de Goscinny, “O Lírio Branco”, tem o mérito de recordar alguns dos álbuns basilares da série e de nos transportar mais uma vez até à aldeia dos loucos, perdão “das pessoas diferentes de nós devido ao seu comportamento imprevisível”, como diz Palavreadus.

Astérix: O Lírio Branco
Fabcaro e Didier Conrad
ASA
48 p., 11,50€


Escrito Por

F. Cleto e Pina

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Os 5 melhores álbuns de Astérix

“O Lírio Branco” é o título do 40.º álbum de Astérix que chega amanhã às livrarias nacionais, em simultâneo com a edição internacional.
Quando o criaram para o primeiro número da revista “Pilote”, que foi para bancas e quiosques franceses a 29 de Outubro de 1959, à pressão, para substituir uma versão aos quadradinhos de “Le roman de Renard” que tinham imaginado, por já existir outra BD baseada na mesma obra, René Goscinny (1926-1977) e Albert Uderzo (1927-2020) estavam longe de imaginar o sucesso do pequeno guerreiro gaulês nascido para parodiar a essência dos franceses.
Se do primeiro álbum, “Astérix, o gaulês”, foram feitas apenas 6 mil cópias, “O Lírio Branco” conta com uma tiragem de cinco milhões de livros, em 20 línguas e dialectos, que se vêm juntar aos 393 milhões já vendidos em todo o mundo.
Para alcançar este sucesso, Astérix, Obélix e os restantes gauleses tiveram de percorrer muitos quilómetros na sua Gália natal e por vários continentes, distribuir generosamente tabefes pelos romanos (e não só), devorar centenas de javalis e participar nas memoráveis cenas de pancadaria na aldeia, quase tão míticas como os banquetes que encerram cada aventura.
Com 40 aventuras em 64 anos, torna-se difícil escolher as melhores. Embora seja pacífico que todos se encontram entre os 24 assinados pelos seus criadores originais, entre 1959 e 1977, o momento de leitura, a sensibilidade para com os temas abordados e a enorme qualidade de quase todos faz com que as opiniões se dividam.
Sem outra hierarquia do que a data de publicação original, aceitando que as visitas aos godos, aos helvécios, aos normandos ou aos corsos também podiam figurar nela, segue-se uma das listagens possíveis dos melhores 5 álbuns de Astérix.

Astérix Legionário
Goscinny e Uderzo
1967

Uma sátira impiedosa à instituição militar, do incorporamento à recruta, passando pela vida na caserna, em que Astérix e Obélix se juntam ao exército romano para salvarem o prometido da bela Falbala.

Astérix e Cleópatra
Goscinny e Uderzo
1965

Pelos cenários imponentes, o ritmo narrativo, um sentido de humor superlativo e o belo nariz da rainha Cleópatra, podendo não ser a “maior aventura que jamais foi desenhada” a viagem de Astérix ao Egipto é um dos mais conseguidos álbuns das aventuras do pequeno guerreiro gaulês.

A Zaragata
Goscinny e Uderzo
1970

A chegada à aldeia do intriguista Tulius Detritus, deixa à solta a praga verde da discórdia, pondo em causa a unidade e a invencibilidade dos gauleses, até Astérix lhe responder na mesma moeda, com a célebre “guerra psicológica”.

O Adivinho
Goscinny e Uderzo
1972

A crendice, a religiosidade e a superstição abordadas com olhar crítico e imenso humor, quando um adivinho se instala perto da aldeia gaulesa e explora os seus habitantes para levar uma vida regalada.

Obélix e Companhia
Goscinny e Uderzo
1976

Um mergulho sarcástico nas especificidades do mundo dos negócios e da economia global, em que Obélix se transforma num magnata dos menires e no homem mais importante da aldeia.


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F. Cleto e Pina

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Novo álbum de Astérix já tem capa

Intitula-se “O íris branco” e será o 40.º álbum das aventuras de Astérix e Obélix. Está agendado para 26 de Outubro e a capa oficial acaba de ser divulgada.
Sem grandes artifícios gráficos nem muita originalidade, coloca no centro, num tapete verde, Astérix e um romano que terá um papel preponderante no desenrolar da história. No fundo, pintados em tons monocromáticos, vêem-se dois grupos de gauleses, sendo de salientar que o chefe Matasétix e a sua esposa Boapinta estão separados. Este facto ganha relevo pois durante o verão, jornais francófonos publicaram um pequeno conto em seis tiras, “Le combat du Chef” (“O combate do Chefe”), que concluía a prancha-teaser divulgada em Março, em que Astérix e Obélix aconselham o líder gaulês sobre a melhor forma de retomar uma boa relação com a esposa, subentendendo-se que o casal também terá um papel importante na aventura.
Com uma novidade a cada dois anos desde que Uderzo entregou a série aos seus continuadores, os álbuns de Astérix têm seguido um calendário quase imutável: primeiras informações em Março, divulgação da capa no início de Outubro e lançamento mundial por volta de 26 de Outubro. Este ano, a capa é conhecida mais cedo, sem informações adicionais, aparentemente devido a uma inesperada fuga, pois um exemplar do álbum esteve à venda no Vinted, um site francês de artigos em segunda mão, pela módica quantia de nove euros.
Deste quinto álbum sem os criadores dos gauleses, René Goscinny (1926-1977) e Albert Uderzo (1927-2020), sabia-se já que a grande novidade era a substituição do argumentista Jean-Yves Ferry por Fabrice Caro, mantendo-se Didier Conrad como responsável pelo desenho.
Aventura caseira depois da ida às estepes russas em “Astérix e o Grifo”, “O Íris Branco” tem por base o aparecimento de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que irá influenciar os habitantes da aldeia, provocando dissensões e perturbando o seu equilíbrio.
O álbum terá uma tiragem global de 5 milhões de exemplares, nos quais está contabilizada a edição portuguesa das Edições ASA, que chegará às livrarias nacionais no mesmo dia em que a francófona será posta à venda.


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F. Cleto e Pina

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Novo álbum de Astérix já tem título

Novo álbum das aventuras dos gauleses chega em Outubro

“O Íris branco” será o título do 40.º álbum das aventuras de Astérix e Obélix, que terá lançamento mundial, a 26 de Outubro do corrente ano.
Neste quinto álbum sem Goscinny nem Uderzo, cuja capa provisória também foi dada a conhecer hoje, a grande novidade é o argumento estar entregue, pela primeira vez, a Fabrice Caro, que substitui na tarefa Jean-Yves Ferry. O desenho, continua entregue a Didier Conrad.
Como esperado, será uma aventura caseira, passada na aldeia gaulesa, depois da ida às estepes russas em “Astérix e o Grifo”. Matasétix, o chefe da aldeia, terá um papel central, pois irá “atravessar uma crise”, como explicou o argumentista. Na base da história estará “O Íris Branco, que é o nome de uma nova escola de pensamento positivo, vinda de Roma, que começa a propagar-se pelas grandes cidades.” E prossegue: “Os preceitos desta escola influenciam igualmente os habitantes da aldeia (…) e nem todos ficam satisfeitos. É o que acontece ao nosso chefe…”
A escolha desta temática vem da preferência de Caro pelos álbuns “de Astérix em que um elemento externo se introduz na aldeia e vem perturbar o seu equilíbrio, e adoro observar a reacção dos habitantes, com a sua lendária capacidade de dissimulação”. E é também a “oportunidade de abordar implicitamente um fenómeno social contemporâneo…”
Para título, o escritor que afirma ter perdido três litros de suor durante a escrita do álbum, queria algo “que se enquadrasse no espírito de Goscinny e Uderzo, em que o tema é muitas vezes encarnado num objecto físico ou numa pessoa (“O Caldeirão”, “O Adivinho”, “O Escudo de Arverne”, “A Foice de Ouro”…). Aqui, o íris é um símbolo de bondade e de plenitude, ou pelo menos assim se espera…”
O protagonismo de Matasétix não é novidade, já que também teve um papel preponderante em álbuns como “O Combate dos Chefes”, “O Escudo de Arverne” ou “Os Louros de César”.
Como habitualmente, a edição portuguesa, da responsabilidade das Edições ASA, chegará às livrarias nacionais no mesmo dia em que a francófona será posta à venda, contribuindo para a sua tiragem global de 5 milhões de exemplares.


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F. Cleto e Pina

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Elizabeth Taylor nos Quadradinhos

Diva do cinema, Elizabeth Taylor teve passagem fugaz pela banda desenhada, incluindo uma biografia na colecção “Mujeres Celebres”, embora tenha ficado imortalizada como uma das mais conhecidas personagens femininas de Astérix, a rainha Cleópatra, a quem serviu – involuntariamente – de modelo. Aliás, mais tarde, Goscinny et Uderzo revelaram que a ideia para o livro, cuja capa original de 1965 é decalcada do cartaz do filme de Mankiewicz, surgiu exactamente após o visionamento da película, durante o qual se fartaram de rir. De Elizabeth Taylor, a Cleópatra de Astérix não herdou apenas o visual (incluindo “o nariz muito bonito”!), mas também os modos da actriz.

O sucesso da Cleópatra do celulóide deu origem a uma adaptação do filme aos quadradinhos, feita na Argentina por autores desconhecidos, e a colagens ao tema mais ou menos evidentes, nos meses seguintes, em histórias aos quadradinhos como “Archie’s girl Betty and Veronica”, “Iron man”, “Superman” ou “Wonder Woman”.

Curiosamente, seria na BD que Elizabeth Taylor, casada sete vezes, encontraria o homem dos seus sonhos, Herbie Popnecker, uma criação de Shane O’Shea e Ogden Whitney, em 1958, que foi estrela da revista “Forbidden Worlds”. Feio, baixo e gordo, Herbie, que podia voar, tornar-se invisível ou falar com animais, entre muitos outros poderes que obtinha lambendo um chupa-chupa mágico, conquistou o coração da actriz na edição #116, mas deixou-a a suspirar, como ela fez a muitos homens ao longo da vida.

Elizabeth Taylor
Vogue France.

Já começou a corrida pelo novo filme de Astérix

O regresso de Astérix ao grande ecrã era um dado adquirido desde o sucesso de “Astérix nos Jogos Olímpicos” (2008), o terceiro filme interpretado por actores de carne e osso. E a verdade é que a corrida para a sua produção já começou.

Nos meios cinematográficos franceses, surgem já nomes de vários interessados num quarto filme baseado nas aventuras do célebre guerreiro gaulês criado por Goscinny e Uderzo em 1959: as produtoras Europacorp, de Luc Besson, e Fidélité, que indicaria Laurent Tirard como provável realizador, e ainda Thomas Langmann.
No primeiro caso, é o próprio Luc Besson que assume o de se encarregar da realização, o que por si só seria uma garantia, dado o seu historial no que diz respeito a ligações entre as 7ª e 9ª artes, a mais recente das quais, a adaptação de “Adéle Blanc-Sec, de Tardi. Thomas Langmann tem dois argumentos principais a seu favor, por um lado, ter realizado “Astérix nos Jogos Olímpicos”, o segundo filme mais visto de sempre em França, com quase 15 milhões de espectadores; por outro, Clovis Cornillac e Gérard Depardieu (os interpretes de Astérix e Obélix nesse filme) teriam assinado um contrato de exclusividade com ele, que os impediria de participar numa adaptação feita por outrem. Recorde-se que Christian Clavier fez de Astérix nos dois primeiros filmes com actores de carne e osso – “Astérix e Obélix contra César” (1999) e “Astérix e Obélix: Missão Cleópatra” (2002) – cedendo depois o seu lugar a Clovis Cornillac para a terceira película, enquanto que Gérard Depardiu assumiu o papel do seu companheiro carregador de menires desde o filme inicial.
Langmann, filho do também realizador Claude Berri, pretenderia adaptar em conjunto com Christophe Barratier o álbum “A Volta à Gália”, nos quais os dois heróis percorrem grande parte do território francês, comprovando a sua passagem pelas diferentes regiões com a recolha de especialidades gastronómicas locais, na sequência de uma aposta feita com os romanos, o que indicaria nova aposta no mercado interno.
Quanto a Laurent Tirard (responsável pela adaptação de “O menino Nicolau”, outra criação de Goscinny, o maior sucesso cinematográfic deste ano em França) apostaria em “Astérix entre os bretões”, que leva os gauleses ao território britânico do outro lado do canal da Mancha, o que poderia ser um trunfo em termos de maior projecção internacional do filme.
A última palavra cabe como sempre às Éditions Albert-René e a Albert Uderzo, que não deverão protelar demasiado a escolha entre os candidatos posicionados para esta corrida, pois após a recente mediatização do 50º aniversário de Astérix, a marca necessita de continuar a fazer a actualidade e um novo filme é um óptimo pretexto para tal.


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F. Cleto e Pina

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Astérix não mudou em 50 anos!

O riso é o mais importante em Astérix
Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!

Chama-se Albert Uderzo e nasceu em Fismes, na França, a 25 de Abril de 1927. Os 50 anos de Astérix, que se cumprem hoje, foram o pretexto para uma conversa por mail, na qual evocou com saudade o seu amigo René Goscinny, bem como o passado e o futuro do herói que juntos criaram.

Jornal de Notícias – Como apresentaria Astérix a alguém que não o conheça?
Albert Uderzo – Quer dizer que ainda há leitores irredutíveis? (risos) Astérix é um valoroso guerreiro gaulês, não muito grande nem muito inteligente, mas astuto e desenrascado! Ele e os outros habitantes da sua aldeia só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia na cabeça! Sempre em companhia do seu fiel amigo Obélix e de Ideiafix, o seu cão, percorrem o mundo antigo para socorrerem as vítimas dos romanos. Para lhes darem uns ”tabefes” precisam de uma preciosa poção mágica preparada pelo druida Panoramix que lhes confere uma força sobre-humana e lhes permite alcançar todas as vitórias, que festejam sempre com um grande banquete!
JN – Como seria Astérix se fosse imaginado hoje?
AU – Como já é! Ele mudou muito desde a sua criação: cresceu, os seus traços afirmaram-se e a sua personalidade também! Obélix também mudou: a sua estrutura, algo quadrada nos ombros, atenuou-se em benefício da barriga, que cresceu! Todas as personagens evoluíram e estão muito bem neste tempo!
JN – Nos últimos 50 anos quem mudou mais? Astérix, o mundo ou Uderzo?
AU – Tenho que reconhecer que quem está mais marcado é este seu criado! Como diz a canção: Onde estão os meus 20 anos? Quanto ao mundo, não me parece que tenha mudado assim tanto e a prova é que os álbuns que escrevi com o meu amigo René Goscinny continuam a divertir muitos! Astérix não mudou! Não pode mudar, o seu mundo é imaginário! Não pode envelhecer: 50 anos depois, continua a viver em 50 a. C.!
JN – Que qualidades permitiram a Astérix resistir tanto tempo, com um sucesso sempre crescente?
AU – Talvez porque se manteve sempre num mundo de papel, aos quadradinhos! Um mundo que lhe permite defender e preservar sempre os mesmos valores, a sua aldeia, as amizades e os prazeres simples (a caça, os banquetes, etc…) E nós, autores, quisemos sempre preservar esses valores na série, com um ingrediente suplementar: o riso, que é o mais importante!
JN – Quais foram os momentos mais marcantes deste percurso de 50 anos?
AU – Houve tantos! O primeiro, foi sem dúvida o meu encontro com Goscinny, em 1951, porque sem ele, não teríamos criado a personagem! Depois, em 1959, quando imaginámos Astérix pela primeira vez, para a revista “Pilote”. E, evidentemente, quando tomámos consciência que se transformara num verdadeiro fenómeno, ao ouvir um homem na rua a chamar ao seu cão Astérix! O mais triste foi o desaparecimento prematuro do meu amigo René, que me deixou arrasado. E ainda, hoje, o cinquentenário desta personagem que, para meu grande prazer, continua a divertir pequenos e grandes. Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!
JN – Se pudesse voltar atrás, o que gostaria de mudar?
AU – A partida de René. Foi-se demasiado cedo e de uma forma demasiado violenta. Sinto muito a sua falta. De resto, não mudaria nada desta aventura gaulesa!
JN – Qual é o seu álbum de Astérix preferido?
AU – Tenho um carinho especial por “Astérix entre os Bretões”, porque adoro o trabalho que o René fez com a língua inglesa! Mas quando termino um álbum, raramente o releio; parto logo para o seguinte!
JN – Que história de Astérix ainda não contou?
AU – Todas as que ainda não foram escritas. E talvez aquela em que penso para a próxima vez! (risos) Já na época de René tínhamos a sensação de termos explorado todos os temas que podíamos desenvolver com Astérix. Hoje, o problema é o mesmo, Astérix já viajou por todo o mundo antigo conhecido e é muito difícil fazê-lo descobrir novas regiões!
JN – Porque é que Astérix nunca veio à Lusitânia?
AU – Eis uma bela ideia para uma viagem! Agora só tenho que encontrar a intriga (risos)!

[Caixa]

Enquanto puder segurar um lápis, não cederei o meu lugar a ninguém!

No passado dia 22, foi posto à venda em duas dezenas de países (Portugal incluído), o 35º álbum das aventuras de Astérix. Intitulado “O aniversário de Astérix e Obélix – O livro de Ouro”, teve uma tiragem global de 3,5 milhões de exemplares e funciona como um momento de celebração da série.
JN – O álbum dos 50 anos é diferente dos outros…
AU – Para este aniversário queria algo especial. Um álbum onde todos os amigos de Astérix e Obélix lhes testemunhassem a sua amizade e lhes oferecessem uma prenda! Ao mesmo tempo presto uma homenagem a todos os leitores que seguem Astérix há tanto tempo! Então, imaginei uma espécie de álbum de recordações! É um conjunto de histórias curtas, todas com a temática do aniversário, que contam a preparação de todas essas prendas.
JN – Foi o último desenhado por si?
AU – Meu Deus, espero que não! Enquanto puder segurar um lápis, pode acreditar que não cederei o meu lugar a ninguém! É verdade que Astérix continuará depois de mim, já o anunciei e já trabalho com aqueles que me devem suceder, mas isso tem tempo!
JN – Vai deixar argumentos escritos para os seus sucessores?
AU – Ainda não pensei nisso e não preparei nada nesse sentido.
JN – Como imagina Astérix depois de Uderzo?
AU – Já houve um Astérix depois de Goscinny e espero que haja um depois de mim. Como o imagino? Espero que continue a divertir milhões de leitores em todo o mundo.


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F. Cleto e Pina

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A história de… Astérix, o pequeno guerreiro gaulês

Não é muito alto, mas compensa a baixa estatura com a sua sagacidade… e com a poção mágica que lhe confere força sobre-humana, cujo segredo apenas o druida Panoramix conhece.

Rezam as crónicas (em banda desenhada) que Astérix nasceu em 85 a. C., enquanto decorria (mais) uma zaragata na sua aldeia, algo completamente normal, refira-se. Diz-se que os seus pais foram dois franceses, René Goscinny e Albert Uderzo, mas na realidade os seus progenitores chamam-se Bomboca e Astronomix. Actualmente habitam em Condate, onde gerem uma loja de artesanato gaulês, chamada “O Menir Voador”, mas quando Astérix nasceu, viviam onde ele ainda mora, numa pequena aldeia no norte da Gália, povoada por irredutíveis gauleses que resiste ainda e sempre ao invasor romano…
Celibatário até hoje, conhecem-se-lhe apenas duas paixonetas sem consequências: a gaulesa Falbala e a romana Latraviata. Apesar disso, quando lhe deixaram uma criança à porta, todos suspeitaram de um caso amoroso, mas veio a descobrir-se que o bebé era filho da rainha Cleópatra (que tinha um belo nariz).
Goscinny e Uderzo, na realidade, limitaram-se a fazer a crónica (aos quadradinhos) das suas muitas e bem divertidas aventuras, nas quais por diversas vezes exasperou o imperador Júlio César e distribuiu prazenteira e generosamente tabefes por quase todos os legionários romanos com quem se cruzou. Nelas, percorreu praticamente todo o mundo antigo conhecido, desde a sua Gália natal (à qual deu a primeira volta… a pé!), a países próximos, como a Hispânia, Germânia (o país dos godos), Normandia, Bretanha ou Helvécia, ou mais distantes, como o Egipto, a América, a Índia ou a Numídia. Em Roma, onde todos os caminhos vão dar, participou nos célebres jogos de circo no Coliseu, e em Atenas, conquistou uma coroa de louros nos Jogos Olímpicos.
Sem profissão definida, a tudo isto prefere o sossego da sua aldeia natal – apesar de até extraterrestres já lá terem aparecido – ou ir à floresta caçar javalis com o seu amigo e companheiro de aventuras Obélix, nascido no mesmo dia que ele, o tal que caiu na poção mágica quando era pequeno.
E hoje, tantos anos depois, continua a ter medo apenas de uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça! Mas, felizmente, como é uso dizer-se na sua aldeia: “Amanhã não será a véspera desse dia”!


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F. Cleto e Pina

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Parabéns Astérix!

Há exactamente 50 anos, a 29 de Outubro de 1959, surgia nas bancas francesas a revista “Pilote”. Nela, fazia a sua estreia um certo Astérix, que viria a tornar-se um dos mais conhecidos e apreciados heróis de banda desenhada de sempre.

À partida, nada o parecia indicar. O titular da série era baixo, pouco vistoso e mais astuto que inteligente. Ao seu lado, caminhava um gigante desajeitado, sempre com um menir – um calhau! – às costas, incapaz de controlar a sua força excessiva. Na sua aldeia, habitavam um chefe com pouca autoridade, um peixeiro com horror a peixe fresco, um bardo com voz de cana rachada, um ferreiro que usava o martelo mais para bater neste último do que para trabalhar na forja e diversos outros exemplos a não seguir. A isto há que acrescentar que todos tinham nomes acabados em “ix” e que sistematicamente andavam à pancada entre si, excepto quando se entretinham a bater nos romanos entrincheirados nos campos fortificados que rodeavam a sua aldeia.
E a tiragem do primeiro álbum – Astérix o Gaulês (1961) – de apenas 6 mil exemplares, parecia confirmá-lo. No entanto, a sucessão de novas aventuras, o apuramento gráfico de Uderzo, um desenhador de eleição, com as suas personagens arredondadas e de nariz grande e um notável sentido de ritmo e de movimento, e o humor inteligente e irresistível de Goscinny, pouco a pouco foram conquistando leitores, fazendo com “Astérix e Cleópatra” (1965) já tirasse 100 mil exemplares, e dois anos depois, “Astérix e os Normandos” ultrapassasse o milhão de exemplares.
As bases do sucesso foram os vários níveis de leitura presentes na obra, cativante para os mais novos pelas sucessivas tareias que os gauleses davam nos romanos, e para os mais velhos, pela mordaz crítica social e de costumes, pelo divertido retrato estereotipado que Goscinny traçou de cada um dos povos dos países que Astérix visitou, logo a começar pelos franceses, pela abordagem de temáticas sempre (e ainda!) actuais, pelos bem conseguidos trocadilhos e pela repetição de situações, aparentemente sempre iguais mas com desfechos sempre diferentes, como os sucessivos confrontos com os piratas ou o hábito de Obélix coleccionar capacetes de legionários.
Quando Goscinny faleceu em 1977, muitos pensaram que tinha chegado o fim do pequeno guerreiro gaulês, mas após um período de reflexão, Uderzo decidiu assumir integralmente a criação de Astérix e, se a qualidade dos argumentos se ressentiu disso, o hábil gestor que ele se revelou, multiplicando os produtos de merchandising, criando um parque temático e apostando no audiovisual, onde se contam sete filmes de animação e três longas-metragens com actores como Christian Clavier, Gérard Deperdieu, Roberto Benigni, Laetitia Casta ou Mónica Bellucci, fez com que as vendas disparassem – a tiragem global de “O céu cai-lhe em cima da cabeça” (2005) foi de 8 milhões – transformando Astérix numa marca apetecida que gera mais de 12 milhões de euros anuais. E que continuará após a sua morte, como decidiu no inicio deste ano quando vendeu os direitos da série à Hachette, com o beneplácito de Anne Goscinny, filha do argumentista, mas com a oposição da sua própria filha, Sylvie, detentora de 40 % das Éditions Albert-René, que levou o caso para os tribunais.
Mas isso, são outras histórias. As que interessam hoje, são aos quadradinhos: 35 álbuns, mais de 1500 pranchas, que esta data convida a (re)ler e (re)descobrir, com a garantia de boas gargalhadas, momentos bem passados e um alegre banquete final, com javali assado e sem a voz do bardo a desafinar.

[Caixa]

Em Portugal

Astérix estreou-se em Portugal a 4 de Maio de 1961, a preto e branco, no nº 1 da revista Foguetão, dirigida por Adolfo Simões Muller que já tinha estreado Tintin entre nós. O herói gaulês passou também pelas páginas do “Cavaleiro Andante” e do “Zorro”, antes de se fixar na “Tintin”, em 1968. Um ano antes, a Bertrand editara o seu primeiro álbum em português.

Nomes em português

A entrada de Astérix no catálogo da ASA, em 2005, ficou marcada por uma nova tradução que apresentava como principal novidade o facto de as personagens, com excepção de Astérix, Obélix e Panoramix, terem passado a ter nomes “portugueses”: Idéfix passou a Ideiafix, o chefe Abraracourcix foi rebaptizado de Matasétix, a sua mulher Bonemine como Boapinta, o bardo Assurancetourix como Cacofonix e o velho Agecanonix tornou-se Decanonix.

Em mirandês

Entre as 107 línguas e dialectos em que Astérix está traduzido conta-se o mirandês, com dois álbuns: Astérix L Gaulês e L Galáton (Astérix o gaulês e O Grande Fosso).

Personalidades

Ao folhear os álbuns de Astérix é possível encontrar caricaturas de René Goscinny, os Dupont, Jacques Chirac, Sean Connery, Kirk Douglas, Arnold Schwarzenegger, os Beatles ou Eddy Merckx.

Sucessores

Em meados de Outubro Uderzo anunciou os seus sucessores, Régis Grébent e os irmãos Frédéric e Thierry Mébarki, que trabalham com ele há alguns anos no desenho de merchandising e material publicitário e que já colaboraram no mais recente álbum.

Comemorações

Se o ponto alto das comemorações dos 50 anos de Astérix e Obélix foi o lançamento do novo álbum, muitas outras manifestações assinalam a data, entre as quais um enorme Astérix desenhado no céu pela célebre esquadrilha da Patrouille de France.
No passado dia 22 foi levado à cena o espectáculo musical “Le Tour de Gaule Musical d’Astérix”, estão patentes exposições alusivas no Museu de Cluny, em Paris (até 3 de Janeiro de 2010) e no Festival Quais des Bulles (até 15 de Novembro) e hoje os irredutíveis gauleses invadirão (pacificamente) Lutécia, que é como quem diz Paris. E m Dezembro, os correios franceses emitem um bloco com selos com Astérix.
Por cá, a Embaixada de França e as Edições ASA promovem hoje, às 19h, um cocktail, durante o qual Júlio Isidro apresentará o novo álbum, e o Amadora BD 2009 tem patente até 8 de Novembro uma exposição de objectos de colecção relacionados com Astérix.

No espaço

Em 1965, o primeiro satélite espacial francês foi baptizado… Astérix.

Vendas

Astérix vendeu cerca de 400 milhões de álbuns em todo o mundo, dos quais 2 500 000 em Portugal.

Um português em Astérix

Em O Domínio dos Deuses (1971), entre os escravos dos romanos, vêem-se cinco portugueses, designados por iberos ou lusitanos, os únicos especificamente citados na série; apesar da sua situação, um deles não deixa de revelar a sua (nossa) veia poética!


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

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Amadora BD, 20 anos depois

A abertura oficial do Amadora BD ’09 tem lugar hoje, às 21h30, no Fórum Luís de Camões, estando o público convidado para ir festejar as histórias aos quadradinhos e os 20 anos do evento a partir de amanhã, sábado.

A efeméride fica desde logo assinalada pela mudança de designação, tendo o mais pesado Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora dado lugar ao mais simples e chamativo Amadora BD, e também pela realização pelo terceiro ano consecutivo num espaço que se tem revelado amplo e polivalente e que a organização tem conseguido organizar e tornar acolhedor.
É lá que está o núcleo central do evento, subordinado ao pouco inspirado mote “O Grande Vigésimo”, onde se destaca um olhar aprofundado sobre o passado do festival, que marcou de forma incontornável a forma como a BD é vista no nosso país, através das mostras “Almanaque”, que evoca as duas décadas do evento, “Contemporaneidade Portuguesa”, sobre os autores nacionais em actividade”, “Colecção CNBDI”, uma selecção das pranchas que ao longo do ano este organismo tem recolhido junto dos autores que passaram pela Amadora, e “20 anos de Concursos”, mostrando-os como meio de descoberta de novos talentos, pois por ele passaram nomes como José Carlos Fernandes, Filipe Andrade, João Fazenda ou Rui Lacas.
Este último, criador da imagem em que assenta a linha gráfica este ano e um dos vencedores dos Prémios Nacionais de BD 2008 que o evento patrocina, é um dos autores em destaque no Amadora BD, que mais uma vez acarinha a produção nacional dedicando também exposições a José Garcês, Osvaldo Medina, António Jorge Gonçalves e José Ruy (esta na Escola Superior de Teatro e Cinema). Em termos de criadores estrangeiros, a América do Sul pintada por Emannuel Lepage e as memórias da antiga sede da PIDE exploradas pelo italiano Giorgio Fratini, são mais dois motivos de interesse para visitar o festival.
Num ano de aniversário redondo, destaque para as cinco (justas) homenagens que o festival promove (ver caixa), que ajudam a dar o tom festivo que o seu historial merece.
O manga, género preferido pelos mais jovens, marca presença através do estúdio NCreatures, sendo também colectivas as mostras dedicadas à 9ª arte da Polónia e do Canadá, os países convidados este ano, merecendo destaque, neste último caso, a obra de Cameron Stewart, que estará presente este fim-de-semana na Amadora, assim como
Emmanuel Lepage, Carlos Sampayo, Oscar Zarate e o caça-talentos da Marvel C.B. Cebulski, bem como os portugueses José Ruy, Rui Lacas, Filipe Pina, Filipe Andrade, David Soares, Osvaldo Medina, Nuno Duarte e João Mascarenhas, entre outros. Amanhã, serão lançados no festival “Mucha”, de David Soares, Osvaldo Medina e Mário Freitas, e “TX Comics”, de Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramon Perez (ambos da Kingpin Books).

[Caixa]

20 anos, 5 homenagens

Maurício de Sousa

Fórum Luís de Camões
O criador da Turma da Mônica terá duas exposições: uma de originais de cinco décadas de carreira e outra com a visão personalizada dos seus heróis feita por autores brasileiros para o livro “MPS 50”.

Astérix

Fórum Luís de Camões
Os 50 anos de Astérix são evocados através de uma mostra de coleccionismo, composta por brindes publicitários, copos, álbuns antigos e figuras em pvc, nacionais e estrangeiros.

Adolfo Simões Muller

Casa Roque Gameiro
Originais de Fernando Bento, condecorações e primeiras edições relembram o director do “Papagaio”, “Diabrete”, “Cavaleiro Andante” ou “Foguetão”, onde estreou Tintin ou Astérix.

Héctor Oesterheld

CNBDI (até Fevereuro de 2010)
Morto pela ditadura militar argentina, o argumentista de Pratt (em “Sargento Kirk”) ou Breccia (“Mort Cinder”), é revisitado através de retratos, textos, revistas e pranchas de BD.

Vasco Granja

Galeria Municipal Artur Bial
O seu papel fundamental na divulgação do cinema de animação (na RTP) e da BD (na revista “Tintin”), evocado numa exposição sobre o cidadão e as suas áreas de interesse.


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F. Cleto e Pina

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