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Zits também em animação

“Zits”, uma das mais populares tiras diárias de imprensa da actualidade, criada em 1997 por Jerry Scott (argumento) e Jim Borgman (desenho), e publicada diariamente pelo Jornal de Notícias bem como por mais cerca de 1600 jornais de todo o mundo, acaba de ganhar uma versão animada.
Uma mão cheia de episódios dos “Zits Motion Comics” está já disponível gratuitamente na página da internet do King Features Syndicate, na secção Comics Kingdom, uma plataforma online de distribuição de tiras diárias de imprensa para jornais locais norte-americanos. São episódios com cerca de 30 segundos que adaptam algumas das histórias originais publicadas nos jornais, dotando-os de movimento básico e som. Este último aspecto é o grande trunfo desta experiência, pois as vozes escolhidas para Jeremy Duncan, o adolescente de 15 anos que protagoniza “Zits” (“borbulhas”), para os seus pais, Walt e Connie, com quem protagoniza um constante choque de gerações, e para os seus amigos, Hector, Sara e Pierce, encaixam perfeitamente naquelas que “se ouvem” no papel.


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Eminem e Punisher juntos em banda desenhada

O rapper Eminem acaba de protagonizar a sua primeira banda desenhada, e logo ao lado do Punisher (conhecido em português como Justiceiro), um dos mais duros super-heróis da Marvel.
Intitulada “Eminem/Punisher: Kill you”, foi escrta por Fred Van Lente, desenhada por Salvador Larroca e colorida por Frank D’Armata. As oito primeiras pranchas (das 16 que compõem a BD) foram publicadas na revista XXL, estando a sua totalidade disponível de forma gratuita em formato digital no site da Marvel Digital Comics Unlimited.
Se esta banda desenhada é uma forma de a Marvel promover a publicação digital, uma das suas apostas actuais, faz igualmente parte da campanha de promoção de “Relapse”, o novo álbum de Marshall Matter, o verdadeiro nome de Eminem, que tem chegada prevista às lojas no próximo dia 19,.
A BD, dinâmica e com várias inflexões súbitas no seu desenrolar, começa em Detroit, à saída de um concerto de Slim Shady, o alter-ego do rapper, quando o artista se vê a meio de um fogo cruzado, sendo salvo in extremis pelo Barracuda, um dos maiores inimigos do Punisher, capaz de quebrar correntes com os dentes. Conhecendo-o desde a infância, no calor do momento Eminem toma o seu partido, mas, após emboscarem o herói mascarado, percebe ter tomado a decisão errada. Os dois protagonistas são presos e levados pelo vilão de barco para águas geladas, onde tem lugar um violento confronto, antes de um inesperado final.


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Homem-Morcego septuagenário

70 anos depois a sombra de Batman continua a pairar

Há 70 anos, a revista “Detective Comics #27” publicava a primeira banda desenhada de Batman, um dos mais célebres, populares e rentáveis heróis da indústria dos quadradinhos norte-americanos.

Na capa, estava impressa a data de Maio de 1939, – embora alguns estudiosos afirmem que foi posta à venda a 18 de Abril e o preço de 10 cêntimos, que teriam sido um óptimo investimento para quem tivesse guardado um exemplar em bom estado, pois hoje facilmente atingiria os 300 mil dólares (cerca de 225 mil euros).
Essa primeira BD, “The Case Of The Chemical Syndicate”, gráfica e narrativamente ingénua para os nossos dias, “Bat-Man”, era apresentado como “uma personagem misteriosa e aventureira que luta pelo bem e derrota malfeitores” e investigava uma série de roubos e assassinatos. O seu lado negro já estava patente, como demonstra o comentário feito após lançar acidentalmente um bandido para um tanque de ácido: “Um fim perfeito para a sua laia”!
Por detrás do herói, combinação improvável de Zorro com Drácula e os policiais negros então em voga, estavam Bob Kane (1915-1998), desenhador e responsável por muita da mitologia da personagem, e Bill Finger (1914-1974), argumentista (raramente creditado) a quem se devem o tom policial e a sua identidade secreta, desvendada na penúltima vinheta: “Bruce Wayne, um entediado jovem milionário”.
Em oposição aos sempre “bons” Superman/Clark Kent (criados um ano antes e a quem vinha fazer concorrência), em Bruce Wayne/Batman, a dualidade é gritante. O primeiro é um playboy milionário, atormentado pela morte dos pais e o desejo de se vingar contra o mal em geral; o segundo, é o instrumento dessa vingança. Por outro lado, ao contrário do “rival” Superman e de quase todos os outros super-heróis que se seguiram, Batman não tinha super-poderes, assentando a sua acção na inteligência, numa apurada forma física e numa vasta gama de acessórios científicos e tecnológicos, que evoluíram com a passagem dos tempos. Assim, a proximidade com o leitor de quadradinhos, ávido por escapes ao quotidiano de pais saído da recessão e a caminho de uma guerra mundial, fez com que a sua popularidade disparasse de imediato. Por isso, a par do aliado Robin, introduzido um ano depois, sucederam-se vilões marcantes: Joker, Pinguim, Duas Caras…
A sua estreia no cinema deu-se em 1943, interpretado por Lewis Wilson e Douglas Croft, e na TV em 1966, numa série de culto com Adam West e Burt Ward.
Na BD, para além de Kane, dois nomes ficaram especialmente ligados ao cruzado mascarado: Jerry Robinson, que amenizou o tom soturno das histórias com a criação de Robin, durante as décadas de 40 e 50, e Neal Adams, que recuperou o seu lado mais negro, nos anos 70.
Foi esse mesmo lado mais negro que o (então) genial Frank Miller explorou em 1985 em “O Regresso do Cavaleiro das Trevas”, uma BD que fez disparar a popularidade de um herói então pouco mais que moribundo e mostrou – juntamente com “Watchmen” – que os comics também podiam ser lidos por adultos cultos e exigentes.
Depois dele, nada ficou como dantes, com muitos autores a explorarem um Batman cujas melhores armas são o medo e o terror, privilegiando os fins, sejam quais forem os meios para lá chegar, confundindo-se muitas vezes a sua metodologia com a daqueles que combate, muitas vezes no limite (apenas?) entre a legalidade e o crime, defender a lei e fazer justiça, a sanidade e a loucura.
Mas, 70 anos depois, por mais mortes e/ou sucessões que surjam, só uma certeza fica: a sombra do Homem-Morcego continuará a pairar sobre os becos mais recônditos de Gotham City, atemorizando todos aqueles que têm culpas na consciência.

[Caixa]

A actualidade

Na sequência de mais uma (quase?) morte, em “Batman: R.I.P.”, escrita por Grant Morrison (que poderá ser lida em Portugal dentro de sensivelmente um ano, nas revistas brasileiras do herói – “Batman” e “Batman e Superman” – que a Panini distribui mensalmente entre nós), a actualidade do Homem-Morcego passará pela revista “Batman”, sem Bruce Wayne, substituído pelo vencedor da corrida pela sua sucessão na mini-série “Battle for the Cowl”, ainda em curso, e pelos novos títulos “Batman and Robin”, de Grant Morrison e Frank Quitely, e “Batgirl – The Cure”, a lançar nos EUA em Agosto.
No cinema, o sucesso a todos os níveis de “Batman – The Dark Knight” (2008), , um dos filmes mais rentáveis de sempre com mais de 1000 milhões de dólares feitos nas bilheteiras protagonizado por Christian Bale e dirigido por Chris Nolan, parece incontornável um terceiro filme de Batman com ambos, embora ainda não haja nada concreto sobre o tema.


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Blake Bauer e Mortimer House

Kiefer Sutherland (o Jack Bauer da série televisiva “24”) e Hugh Laurie (o polémico dr. House) serão os protagonistas de mais uma adaptação cinematográfica de um clássico da banda desenhada, “A Marca Amarela”, a mais celebrada aventura de Blake e Mortimer. Os dois trabalharam juntos recentemente na versão original do filme “Monstros vs. Alien”, em exibição nos cinemas portugueses, dando a voz, respectivamente, ao General Monger e ao dr. Cockroach.
Alex de La Iglesia, o realizador indicado para dirigir a película, confirmou-o numa conferência de imprensa durante o 12º Festival de Cinema de Málaga, a cujo júri preside. A participação de Sutherland, que será o fleumático Capitão Francis Blake, do MI6, foi confirmada durante um almoço em Nova Iorque, cabendo a Laurie interpretar o cientista Philip Mortimer. Se a agenda dos dois actores o permitir, as filmagens decorrerão durante o primeiro semestre de 2010, estando previsto um orçamento de 26 milhões de euros para esta produção europeia que também contará com John Hurt e Mark Strong no elenco.
Blake e Mortimer foram criados por Edgar P. Jacobs (1904-1987), para o número inaugural da revista “Tintin” (1946) e as suas aventuras são um dos grandes clássicos de antecipação científica da BD franco-belga. Jacobs assinou 11 álbuns até à sua morte, tendo sido a série retomada depois, com grande sucesso, por outros autores. “A marca Amarela” (de 1953), sobre o controle da mente humana, é o seu álbum mais emblemático, decorrendo a acção numa Londres misteriosa e envolta em nevoeiro, onde uma misteriosa personagem aparentemente sobre-humana pratica crimes indecifráveis.


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Marco Mendes expõe na Mundo Fantasma

É inaugurada hoje, na galeria Mundo Fantasma, situada na loja com o mesmo nome no Centro Comercial Brasília, uma exposição de desenhos, bandas desenhadas e ilustrações recentes de Marco Mendes, que podem ser visto como fragmentos de um diário. O autor estará presente para comentar os seus trabalhos e dar autógrafos.
Nascido em Coimbra, em 1978, Marco Mendes vive no Porto, licenciou-se pela Faculdade de Belas Artes da Universidade desta cidade, é docente do Curso de Licenciatura em Banda Desenhada e Ilustração da Escola Superior Artística do Porto em Guimarães e da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e mostra regularmente desenhos e pequenas histórias autobiográficas no seu blog “Diário Rasgado” ( HYPERLINK “http://diariorasgado.blogspot.com/” http://diariorasgado.blogspot.com/).
Depois de alguns títulos colectivos, publicados através do projecto de edição independente “A Mula”, que fundou em 2004 com Miguel Carneiro, lançou no ano passado, pela Plana, o livro “Tomorrow the Chinese Will Deliver the Pandas”.


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Carlos Zíngaro, desenhador

Está patente em Guimarães, na galeria do Museu Arqueológico Martins Sarmento, até dia 30 de Maio, a exposição “Da Ordem do Místico e do Perverso”, uma retrospectiva da obra em Banda Desenhada e Ilustração de Carlos Zíngaro.
Mais conhecido como músico ligado ao jazz e à improvisação, em especial enquanto violinista, Zíngaro tem também uma vasta obra gráfica menos divulgada em que aborda “preferencialmente o lado nonsense, a exploração gráfica extrema, a experimentação plástica/visual/conceptual”, conforme revelou ao site Divulgando BD.
A actual mostra, com cerca de 70 originais das últimas quatro décadas, a preto e branco ou a cores, alguns dos quais inéditos, inclui BD publicada na “Visão” (1975), ilustrações para o livro “A Caixa”, de Sérgio Godinho e capas de discos da Banda do Casaco ou de Júlio Pereira.
Comissariada por Marco Mendes, a exposição será complementada com um catálogo, que incluirá uma extensa entrevista realizada por Pedro Moura, um texto do Rui Eduardo Paes sobre o seu percurso musical e a relação deste com a sua obra gráfica e a reprodução de algumas obras a cores, a lançar em breve juntamente com um novo número da revista “Margens e Confluências” dedicado à BD e à Ilustração.
Esta é a primeira de um ciclo de exposições dedicado à Banda Desenhada e Ilustração portuguesa contemporâneas, organizado pelo Curso de Licenciatura em Artes – Banda Desenhada e Ilustração, existente desde 2006 na ESAP de Guimarães, estando já em preparação a próxima, dedicada a Isabel Lobinho.


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Cartoonista italiano censurada pela RAI

O cartoonista Vauro Sinesi foi suspenso pela RAI, a televisão estatal italiana, após ter mostrado num programa de que é colaborador habitual alguns cartoons alusivos ao terramoto que recentemente abalou a região de Abruzzo, causando perto de três centenas de vítimas.
Segundo o comunicado difundido pelo director-geral da RAI, Mauro Masi, o desenho causador da polémica intitula-se “Aumento delle Cubature – Dei Cimiteri” (Aumento da capacidade – Dos cemitérios), e é uma referência ao Plano Casa anunciado pelo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, que pretende aumentar a superfície dos imóveis para impulsionar a construção civil. A direcção da RAI considerou o cartoon “gravemente lesivo da memória das vítimas”, achando que “vai contra a missão de serviço público” que é suposto a estação prestar. O desenho foi apresentado e comentado pelo autor no programa “Annonzero”, dirigido por Michele Santoro, um dos poucos a criticar a acção das autoridades italianas durante o terramoto.
Acrescenta ainda o comunicado que “a partir do próximo programa, deverá haver um equilíbrio necessário e obrigatório no noticiário, especialmente quanto às informações sobre a região de Abruzzo”, de imediato secundado pelo próprio Sílvio Berlusconi que comentou que “a televisão pública não pode se comportar deste modo”.
Embora desagradado com o desenho, o líder do Partido Democrático (PD), na Oposição, Dario Franceschini, considera “inaceitável” qualquer medida de censura em relação ao programa.
Outro dos desenhos mostrados, “Férias”, mostra dois sobreviventes da tragédia, junto a uma das tendas de campanha montadas para os acolher, comentando que “da próxima vez irão para a praia”, numa reacção a um comentário de Berlusconi, que noutro, intitulado “The New Town”, surge face às ruínas, personificando Nero com a sua harpa.
Depois das polémicas dos cartoons de Maomé publicados na Dinamarca ou do desenho polémico na África do Sul, esta atitude surgida no coração da União Europeia vem tornar mais difícil a tarefa dos que têm por missão fazer sorrir. No seu site o cartoonista, nascido em Pistia, em 1955, afixou a frase “”Não à censura! Sátira é liberdade!”.


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BD e Música de mãos dadas

BD assinala 15 anos da morte Kurt Cobain

Cumpriram-se este mês 15 anos sobre a morte de Kurt Cobain, o carismático líder da banda rock Nirvana, mas o tempo ainda não apagou a sua memória junto dos fãs. A revista The Village Voice decidiu assinalar a data de uma forma original, através de uma banda desenhada, que está disponível no seu site.
Intitulada “In Bloom: The Alternate History of Kurt Cobain” (“In Bloom” é uma alusão a uma música que Cobain compôs em 1991 para o álbum “Nevermind”, dos Nirvana) é da autoria do cartoonista norte-americano Ward Sutton, num estilo que combina traço caricatural e fotografia, ao longo de 17 páginas de vinheta única. Num tom divertido e algo provocador, Sutton divaga sobre o que teria sido a vida de Cobain se ele não se tivesse suicidado com um tiro de espingarda em 1994. Para isso, Sutton mostra inicialmente Cobain como um ídolo desaparecido, com falta de inspiração e dificuldade em compor, recorrendo à provocação para obter algum mediatismo, mas acabando por se integrar no sistema que tanto atacou – entrega, por exemplo, um prémio MTV aos Backstret Boys! – até morrer tranquilamente de velhice, aos 84 anos. Pelo meio há contribuições involuntárias de Neil Young, Bob Dylan ou Courtney Love.
Cobain, para alguns um dos maiores nomes da cena rock dos anos 90, já tinha despertado a atenção da BD em 2003, quando a Omnibus Press lançou “GodSpeed – The Kurt Cobain Graphic”, um romance gráfico com quase uma centena de páginas, escrito por Barnaby Legg e Jim McCarthy e desenhado por Flameboy. Numa narrativa envolvente, que entrecruza dados biográficos e a ficção inspirada no imaginário popular criado em torno da figura do artista, os autores contam a sua infância tranquila, a sua ascensão meteórica ao estrelato e o sombrio declínio que se lhe seguiu, até à morte, que alguns alegam ter sido provocada a mando da sua esposa Courtney Love.

Esta não é a primeira vez, longe disso, que a 9ª arte se interessa pelos ídolos musicais, ilustrando as suas criações ou contando a(s) sua(s) histórias. Entre os exemplos mais marcantes contam-se “The Rolling Stones: Voodoo Lounge” (Marvel Music, 1995), a adaptação aos quadradinhos do álbum homónimo pelo britânico Dave McKean, que deu uma nova dimensão no papel às músicas dos Stones com o seu estilo característico, misto de fotografia, desenho e colagem, ou a trilogia “Alice Cooper: The Last Temptation” (Marvel Music, 1994), com texto de Neil Gaiman (“Sandman”, “Stardust”, “Coraline”, …), desenhos de Michael Zulli e capas de McKean.
Abordagem distinta tem o mais recente “Freddie & Me” (Bloomsburry, 2008), em que Mike Dawson, ao longo de pouco mais de duas centenas de páginas, narra em tom autobiográfico mas também documental, os episódios reais da sua relação de fã com Freddy Mercury, o vocalista da banda britânica Queen.

Diferentes são três casos em que os artistas musicais passaram para o “outro lado”, escrevendo argumentos de bandas desenhadas. Courtney Love baseou-se na sua experiência na cena musical para criar, com DJ Milky e Ai Yazawa, “Princess Ai” (Tokyopop, 2004), um manga para leitoras adolescentes que conta a história de uma inteligente, talentosa e controversa jovem artista que é, na realidade, uma princesa exilada de um planeta distante e que encontra refúgio na música. Destinatárias e estilo idênticos escolheu Avril Lavigne, que surge como inspiradora (de Joshua Dysart e Camilla d’Errico) e protagonista de “Pede 5 desejos” (dois volumes com edição nacional da Gradiva), a história de Hana, uma adolescente introvertida e solitária, que compra num site um demónio que lhe concede cinco desejos cuja concretização se revela bem diferente do esperado. E, finalmente, um dos últimos grandes êxitos dos comics norte-americanos, “The Umbrella Academy”, um grupo composto por sete crianças com poderes especiais, muito longe dos clichés habituais do género, distinguido com os prémios Eisner e Harvey para a melhor nova série de 2008, tem assinatura de Gerard Way, líder dos My Chemical Romance, ao lado do desenhador brasileiro Gabriel Bá.

Em Portugal, no final do ano passado a Tugaland lançou os primeiros volumes da colecção BD Pop Rock Português, coordenada por João Paulo Cotrim, que combina uma BD (com a história do músico/banda), desenhada por jovens autores portugueses, e um CD com alguns temas musicais. Depois dos Xutos & Pontapés (com desenhos de Alex Gozblau), Trovante (Maria João Worm), José Cid (Pedro Zamith) e Jorge Palma (Susa Monteiro), entre final de Abril e início de Maio serão distribuídos os tomos dedicados aos Pop Dell’Arte (Fernando Martins), UHF (Pedro Brito), Rui Veloso (Luís Henriques), Sérgio Godinho (Miguel Rocha), António Variações (Daniel Lima) e Sétima Legião (Rui Lacas). A Tugaland tem também previstas duas outras colecções dedicadas à História do Fado (desenhada por Nuno Saraiva) e à Musica Clássica.


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Obama, herói de todas os quadradinhos

Aproveitando o estado de graça que Obama ainda goza e o sucesso da sua aparição no “Amazing Spider-Man #583”, que se tornou o comic mais vendido dos últimos 15 anos, com cinco reimpressões, os editores norte-americanos de quadradinhos continuam a apostar nesse filão.
A IDW, que antes das eleições presidenciais, lançara dois comics biográficos de Obama e do seu adversário John McCain, acaba de anunciar uma série mensal para acompanhar o mandato do presidente eleito. “Brack Obama #1”, chegará às lojas dos EUA em Junho e contará o que aconteceu desde a sua eleição como candidato democrata até à sua posse, a 20 de Janeiro último. O segundo número do comic, narrará os primeiros 100 dias à frente da nação mais poderosa do mundo. O argumentista continuará a ser Jeff Mariotte, estando o desenho entregue a Tom Morgan e J. Scott Campbell responsável pelas capas.
Ao mesmo tempo, a Devil’s Due anunciou, também para Junho, duas edições especiais aos quadradinhos protagonizadas pelo presidente. Em “Drafted – One hundred days”, uma das séries de maior sucesso da editora, Obama defenderá a Terra de uma invasão extraterrestre, numa aventura de ficção-científica futurista. No entanto, maior impacto promete ter “Barack the Barbarian – Quest for the treasure of Stimuli”, inspirado em “Conan, o bárbaro” de que Obama se confessou fã, uma sátira pós-apocalíptica que também contará com participações involuntárias da feiticeira Hillary e do semi-deus trapaceiro Bill, bem como da bela nativa do reino do Elefante, Sarah Palin, já retratada em trajes sumários…
Com tantas participações nos quadradinhos (a que se podem juntar aparições em “Savage Dragon” e “Youngblood” (da Image) ou mesmo num manga erótico, no Japão), já há quem escreva que enquanto tenta relançar a economia mundial, Obama é já o principal impulsionador da indústria de comics norte-americana!


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A BD portuguesa à procura do futuro

Num contexto de crise, num mercado livreiro limitado, onde a BD sempre foi um nicho, autores e pequenos editores de banda desenhada esforçam-se para criar alternativas à edição tradicional.

E elas existem, “porque se quer editar e se acha preciso”, justifica Marcos Farrajota, da Chili com Carne, e por títulos como “Mocifão”, “Defier”, “Virgin’s Trip”, “Fato de macaco”, “Postais de Viagem”, “Gambuzine”, “Efeméride”, “Super Pig”, “A Fórmula da Felicidade”, “Noitadas, Deprês e Bubas”, “Tomorrow The Chinese Will Deliver The Pandas”, “O filme da minha vida” ou “Murmúrios das Profundezas” têm passado algumas (das mais?) interessantes propostas dos quadradinhos portugueses.
Comuns a todos são as tiragens reduzidas – raramente atingem os 500 exemplares – e o circuito de distribuição restrito: “alfarrabistas, festivais de BD”, enumera Geraldes Lino, completando Farrajota, com: “lojas especializadas em BD ou design e eventos ligados à edição independente”. E acrescenta ainda “algumas livrarias, onde (com raras excepções) existe um desdém por estas edições, que são escondidas e nunca repostas”, o que é corroborado por Pepedelrey, da El Pep, que referencia um circuito de distribuição “atribulado, com os lojistas a bloquearem constantemente as iniciativas”. E, claro, vendas on-line, cultivadas por quase todos, e trocas com editores similares de outros países.
Por isso e porque a inércia é grande, os stoks podem demorar 1, 2, 3 anos a escoar… Excepção foi “Murmúrios das Profundezas”, colectânea de BDs inspiradas em Lovercraft, cujos 200 exemplares “voaram” em “dois rápidos meses devido à expectativa que criamos junto dos potenciais leitores”, revela Rui Ramos, o mentor do projecto. Mas sem reedição prevista, uma vez que a opção foi o offset e não a impressão digital, “a alma do negócio” da El Pep, pois permite “imprimir de novo quando se esgota uma tiragem”.
Perante tudo isto, “os autores, infelizmente, são pagos só em géneros” (livros), diz Teresa Pestana, ou usam o “dinheiro dos lucros para financiar novos livros”, exemplifica Rui Ramos. A solução, para Pepedelrey, seria “criar o tão desejado mercado nacional de BD: existem autores, editores e consumidores; faltam as estruturas de distribuição e promoção correctas”.
Comum a todos, também, é a enorme vontade – concretizada – de ser e criar. Por isso, trabalha-se sempre em novos projectos: G. Lino, prepara “o nº 4 do fanzine Efeméride, dedicado ao Tintin” e o Gambuzine #2 “sai em Novembro, com colaborações de alguns poetas portugueses vivos”. A equipa dos “Murmúrios…”editará ainda este ano “Voyager”, já parcialmente disponível em, a MMMNNNRRRG “O Pénis Assassino”, e a Chili Com Carne “uma antologia internacional com o festival Crack (Roma), para Junho”. Em busca de outros mercados, a El Pep que “a partir de agora só fará edições em inglês”, a lançar “nos principais encontros internacionais e só depois em Portugal, está a produzir “A tua carne é má” e “Defier #2”.
Tantos títulos parecem contrariar a afirmação convicta de G. Lino de que “a BD portuguesa não tem futuro”, o que se deve “a uma fatal conjunção de desinteresses, descrédito e a um meio demasiado pequeno e amiguista que neutraliza à partida qualquer objectividade e evolução”, corrobora Teresa Pestana.
Na dúvida, Farrajota acredita que este será o caminho “se houver futuro”, enquanto Pepedelrey pensa que “é um caminho válido e o único que tem contribuído para o desenvolvimento desta expressão artística”. Conclui Rui Ramos: “o futuro vai depender acima de tudo da imaginação, inovação e capacidade de organização, empenho e produção dos autores nacionais e da sua capacidade de captar a atenção do público”.

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Sugestões de leitura

SuperHomem no século XXI
Colectivo
Depois de Little Nemo e Príncipe Valente, o fanzine “Efeméride” (em A3, a cores), revisita o mito do Super-Homem nos seus 70 anos, enquanto tal ou adequando-o aos universos pessoais dos autores, em tom de paródia e/ou homenagem.

Mocifão
Nuno Duarte, Untxura, Nuno Silva
Em tom caricatural e jogando com as regras narrativas e gráficas da BD, o dia a dia atribulado de um desajustado social, insatisfeito consigo e com o mundo, em cores quase sempre sombrias como o (anti-)herói, e um toque de non-sense.

Gambuzine
Colectivo
Cultora e herdeira da BD underground, Teresa Pestana continua a desenvolver a dupla faceta de autora/editora neste cocktail europeu de divagações, sonhos, poemas e contos, num preto e branco com (quase) todos os tons, em off-set sedoso (sic).


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