
Argumento
Alan Moore
Desenho
Dave Gibbons
Editora
DC Comics
Ano
1986-1987 (mini-série original)
Notas
Nos EUA o paperback vai já na 26.ª edição e vendeu mais de um milhão de exemplares.

Alan Moore
Dave Gibbons
DC Comics
1986-1987 (mini-série original)
Nos EUA o paperback vai já na 26.ª edição e vendeu mais de um milhão de exemplares.
Palestina, de Joe Sacco, é um dos mais paradigmáticos exemplos de jornalismo em formato de Banda Desenhada. Baseado numa viagem do jornalista Joe Sacco à Palestina entre 1991 e 1992, inicialmente tendo como intenção uma reportagem autobiográfica, mas que rapidamente se reflete num interesse pelo lado humano das histórias individuais de cidadãos nativos.
Vindo dos EUA (mas original de Malta), Sacco consegue dialogar com os dois lados, reportando sobre os pontos de vista israelita e palestiniano. Sacco apercebe-se que foi influenciado a identificar-se mais com os israelitas e os judeus americanos através da propaganda americana, que, num viés claro, noticiava actos terroristas da Frente Popular pela Libertação da Palestina, sem mostrar imagens humanizadas do povo palestiniano. Assim, neste livro, recolhe testemunhos, focando histórias individuais, reconhecendo ao mesmo tempo o seu estatuto de privilégio para fazer aquela reportagem, numa constante sátira de si mesmo.
Pelas várias zonas por onde passa, conhece e dá-nos a conhecer retratos de famílias separadas, histórias de encarceramento, de destruição, de tortura e de imposição de colonatos judeus em terras palestinianas. Reporta também, entre outros temas, sobre a estrutura das prisões, onde se formam comunidades autogeridas e sobre o estatuto da mulher na sociedade palestiniana, apontando sempre um olhar crítico aos media sedentos, nos quais ele mesmo se insere.
Tentando compreender o conflito, mas sabendo-se ocidental e exterior a ele, Sacco retrata um povo e território que, desde 1948, é pilhado e sujeito a uma violência genocida.
Neste clube do livro, falaremos sobre o potencial da BD para levar a cabo um retrato jornalístico, numa inversão daquilo que normalmente são os seus tópicos convencionais. Que particularidades da BD são aqui exploradas e que dimensão traz a estas imagens que representa, que a fotografia ou o texto, isolados, não podem trazer? Atentaremos à linguagem gráfica e aos enquadramentos de Sacco e de que forma nos transportam para a geografia local, as paisagens, roupas e detalhes comuns do ambiente. E, por fim, de que forma é que o autor se insere (desenhado e escrito) na própria narrativa?
— Goteira

17 de Fevereiro de 2024, 17h00
Bedeteca
Shopping Center Brasília
1.º andar, Loja 503
Alix, criação de Jacques Martin em 1948, para a “Tintin” belga, foi uma das personagens marcantes do tempo áureo daquela publicação. Adolescente, permitia que os jovens leitores se identificassem com ele; sensato e com uma sólida base histórica, garantia o apoio dos pais a essa leitura.
Há alguns anos, Valérie Mangin e Thierry Démarez, imaginaram o seu regresso em adulto, como senador romano, numa série de álbuns que a Gradiva tem publicado com uma regularidade muito interessante, sendo o mais recente “A Floresta Carnívora”.
Nesta nova vida como um grande senhor, Alix casou, teve filhos que geralmente o acompanham para sustentar a aura adolescente do original e mostra-nos o império romano sob uma outra faceta, o das guerras internas, das conspirações políticas e das lutas sem tréguas pelo poder, numa sociedade em que a sede do ouro e a multitude de deuses e cultos contribuem para acelerar a sua decadência.
Se é verdade que estas histórias funcionam por ciclos e que ao longo dos álbuns há uma linha condutora comum que torna mais sólida a reconstrução da personagem e da época, a verdade é que este décimo álbum se lê de forma independente. Na sua origem, está um dos aspectos que tem marcado estas novas aventuras: o regresso a locais onde esteve na juventude e o reencontro com personalidades que em determinado momento da sua vida foram marcantes.
“A Floresta Carnívora” tem como cenário a Gália natal de Alix, onde conheceu e tentou apoiar o chefe Vercingétorix que se opunha ao invasor romano. Reminiscências desses tempos, velhas histórias por resolver e ódios latentes vão tornar este regresso perigoso e dotá-lo de contornos trágicos, parecendo mais uma vez que apenas a morte consegue apagar o que o tempo não foi capaz de fazer esquecer.
A maturidade de Alix, mais realista tematicamente, tem o devido acompanhamento gráfico com uma recriação conseguida de uma época apaixonante, em que amizades e paixões antigas, a par de rancores e conspirações, estaão longe de garantir maior tranquilidade ao protagonista.
Autónoma em si mesma, esta série “Alix Senator” poderá adquirir contornos mais ricos e aliciantes se a memória ainda retiver as aventuras originais de Alix ou se levar o leitor a (re)descobri-las.
Alix Senator #10 – A Floresta Carnívora
V. Mangin e Th. Demarrez
Gradiva
56 p., 20,99 €
F. Cleto e Pina
Jornal de Notícias

Chega hoje às livrarias o primeiro volume da coleção “Clássicos da Literatura Portuguesa em BD”, a “Mensagem”, de Fernando Pessoa, adaptada por Pedro V. Moura e Susa Monteiro.
Esta iniciativa da editora Levoir e da RTP surge na sequência do sucesso dos “Clássicos da Literatura em BD”, aferida pelo facto de “sete títulos terem sido TOP de vendas nas lojas FNAC”, revelou ao JN Sílvia Reig, editora da Levoir. E continua: “entre eles estavam as adaptações de “Os Maias”, “Amor de perdição” e “Auto da Barca do Inferno”, que revelaram que havia interesse por parte dos leitores portugueses” neste tipo de obras.
“Propor 13 títulos inéditos de adaptações de obras da literatura portuguesa, desenvolvidos por uma equipa de mais de 30 profissionais, entre argumentistas, ilustradores e professores, na sua grande maioria portugueses” adianta Sílvia Reig, “é um esforço financeiro enorme; um investimento oito vezes superior ao da anterior coleção, pois as obras são encomendadas de raiz”.
A colecção abre com “Mensagem” e Pedro V. Moura, o argumentista responsável pela adaptação, explica que “a obra integral de Fernando Pessoa fazia parte da lista alargada de textos a considerar, mas por uma questão de prioridades, clareza e tempo, foi seleccionada a mais famosa”.
O escritor adianta que “se por um lado conseguimos incluir todos os poemas, na íntegra, ao contrário de obras em que ‘cortar’ é absolutamente necessário”, as dificuldades surgiram porque “um meio visual oferece elementos não-previstos num texto literário, para mais um tão simbólico e lírico.” E prossegue: “Optámos por criar ciclos próprios na BD, através de personagens e elementos recorrentes, que criam uma espécie de narrativa paralela ao poema, que por vezes se intersecta com ele, e por diferenciar partes através de escolhas cromáticas e outras estratégias”.
A eleição de Susa Monteiro “foi feita em diálogo com a editora”, acrescenta Moura. A ilustradora confessa “que à partida a adaptação parecia difícil, mas isso foi ultrapassado pois o guião era muito claro e rico em propostas gráficas”, o que tornou “o processo muito fluido”. Mesmo assim, surgiram algumas dificuldades, como “a utilização de planos picados e contra-picados e a necessidade de desenhar elementos, como o mar, que habitualmente não utilizo”. Mas conclui: “acabou por ser um projeto muito desafiante em termos técnicos o que o tornou muito mais interessante”.
Para Pedro Moura, o propósito desta adaptação é “que as pessoas possam reler a “Mensagem” como que pela primeira vez e que estejam atentas à dimensão de banda desenhada semi-autónoma em relação ao texto”, enquanto Susa deseja que “o livro chegue a um público o mais vasto possível, chamando a atenção para o trabalho poético de Pessoa, mas também para as possibilidades gráficas e narrativas da BD”. E finaliza: “é uma coleção que tem o potencial de angariar novos leitores para a banda desenhada portuguesa”.
E a editora até os procura noutras paragens, pois, conforme revelou Silvia Reig, estes livros “estão a ser propostos a editoras brasileiras, espanholas e francesas e o mercado anglo-saxão também é um objectivo”.
O volume seguinte será “Farsa de Inês Pereira”, com argumento de André Morgado a partir do texto de Gil Vicente e desenho do brasileiro Jefferson Costa.
[Caixa]
São 15 volumes, correspondentes a treze obras: “Mensagem”, “Farsa de Inês Pereira”, “Sermão de Santo Antonio aos peixes”, “Carta a el-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil”, “O Fato novo do Sultão”, “Frei Luís de Sousa”, “O Crime do Padre Amaro”, “Crónica de D. João I”, “Peregrinação” (volume duplo), “A Dama do Pé-de-Cabra”, “Menina e Moça”, “Maria Moisés” e “Os Lusíadas” (volume duplo).
De periodicidade mensal, com 64 páginas a cores, dossier pedagógico incluído e o preço de 15,90€, permitirão redescobrir Pessoa, Gil Vicente, Garrett, Eça, Camilo ou Camões com a nova roupagem conferida pelos estilos gráficos diferenciados de Bernardo Majer, Joana Afonso, Daniel Silvestre, Miguel Rocha, Manuel Morgado, Miguel Jorge ou Filipe Abranches.
F. Cleto e Pina
Jornal de Notícias

Entretanto, o mobiliário novo permitiu-nos adiantar a ordenação, classificação e arrumação do acervo.
Se no cinema é normal seguir actores, na banda desenhada geralmente procuram-se determinados desenhadores. Mas, tal como na Sétima Arte há quem escolha os filmes preferencialmente pelos seus realizadores, também na BD há leitores que fazem as suas escolhas com base no nome do argumentista.
Neste particular, Zidrou é um dos nomes a reter e, se as suas obras de tom humano estão hoje espalhadas por diversos catálogos nacionais, em boa hora as editoras A Seita e Arte de Autor se uniram para lhe dedicarem uma colecção de que “Emma G. Wildford” é o tomo mais recente.
Ambientada durante o reinado da rainha Vitória, com toda a carga que isso implica em especial sobre as mulheres, tem como protagonista a jovem Emma, que contraria todo o espírito da época. Autónoma, aspirante a escritora, independente e decidida tem, no entanto, a vida suspensa do regresso do noivo, Roald Hodges, membro da National Geographic Society, desaparecido durante uma expedição à Lapónia.
Perante o silêncio da renomada organização e as tentativas de consolação e comiseração por parte dos mais próximos, Emma decide partir à aventura, em busca do seu amado.
Para trás, num clima de desaprovação total, deixa tudo e também uma carta que Roald lhe deixou caso não voltasse e que nunca quis ler, acreditando que isso mantinha vivo o seu noivo – ou pelo menos a sua esperança. A viagem, por locais inóspitos, de clima rigoroso, será feita num misto de descoberta e afirmação, com Zidou a aproveitar para caracterizar, com realismo e um humor contido, a jovem Emma bem como uma época plena de regras castradoras e preconceitos, num relato não isento de surpresas cujo desfecho vai bem para lá do acabar “bem” ou “mal”.
Graficamente, Edith com um traço simples, despido de pormenores desnecessários mas muito eficiente em termos narrativos dá vida a uma Emma que atrai e dispõe bem o leitor, embora possa revelar-se algo desconcertante pela forma como tantas vezes decide tomar em mãos as rédeas do seu destino.
Leitura de conforto, pelo tom optimista que apesar de tudo dela exala, “Emma G. Wildford” na edição portuguesa, a exemplo da original francófona, tem – literalmente – um exemplar da famosa carta que pontua todo o relato e cuja leitura, a fazer apenas no final, confere um sentido acrescido ao que foi sendo narrado.
Emma G. Wildford
Zidrou e Edith
A Seita e Arte de Autor
104 p., 24 €
F. Cleto e Pina
Jornal de Notícias

Para dia 10 de Fevereiro estamos a preparar um programa intenso de actividades. A primeira é o Mercado do Contra / Fanzines e Banda Desenhada Independente (Instagram), e assim, encontra-se oficialmente aberto o Open Call para esta primeira edição que se realizará no Shopping Center Brasília, entre as 10h00 e as 19h00.
Procuramos autores de Fanzines e auto-edição de Banda Desenhada, a inscrição tem o custo de 10,00€ com mesa incluída.
Confirmada a presença de:
Mais informações no Instagram.
O programa integra também uma oficina: Desenho em Diário Gráfico por Paulo Mendes (Instagram), vencedor do prémio melhor obra de BD por autor Português no Festival da Amadora 2023 com “Elviro”. A oficina iniciará com uma abordagem ao universo do Urban Sketching:
Com alguma literatura auxiliar, serão mostrados exemplos de diversos artistas nacionais e estrangeiros. Seguir-se-á um exercício prático no exterior do recinto, terminando com a reunião dos trabalhos e observações finais. A inscrição é limitada a 15 participantes com um preço de 10,00€ aos quais será fornecido material impresso. Mais informações no Instagram.

A Arte de Autor deu a conhecer Jordi Lafebre aos leitores portugueses como desenhador da ternurenta e bem-disposta série familiar “Verões Felizes” e, depois, como autor completo, na comédia romântica “Apesar de tudo”, que só podia ser narrada em BD, dada uma brilhante característica da sua concepção.
Agora, regressa de novo a solo em “Sou o seu silêncio”, num registo policial ambientado em Barcelona, com uma protagonista feminina, Eva, uma psicóloga algo excêntrica com traços de bipolaridade que, como tantas vezes neste género, dá por si inesperadamente envolvida numa investigação de homicídio.
Tudo começa quando é convidada por uma amiga e ex-paciente para a acompanhar a uma reunião para leitura de um testamento, no seio da família Monturós, com muitas posses e socialmente relevante, como produtora do espumante que leva o seu nome. A atravessar uma fase difícil e sujeita a avaliação psicológica para ser decidido se pode continuar ou não exercer a sua profissão, devido às vozes que “ouve na sua cabeça”, embora reticente, Eva acaba por aceitar.
Inevitavelmente, acontece um homicídio, o que provoca a entrada em cena de uma detetive bastante discreta para investigar o crime e todos os que aspiram à herança e são por isso potenciais suspeitos.
Atravessando-se uma e outra vez no caminho da detective, Eva, com as suas mudanças de humor, a constatação das decisões pouco sensatas que frequentemente tomou e os fantasmas interiores com que se debate, leva à introdução de notas dissonantes de humor ou suspense numa intriga bem urdida, em que Lafebre vai expondo cada um dos membros da família Monteiro, bem como uma teia de interesses pouco claros, negócios mais ou menos esconsos e os ardis que levam a cabo para se posicionarem face ao pecúlio em jogo.
O relato, em que a vida particular da protagonista se mistura com a investigação, é servido pelo traço dinâmico, elegante, sensual e apelativo a que o autor nos habituou, com o qual dá vida a este teatro de costumes, arrastando-nos em loucas correrias ou mergulhando-nos nos momentos depressivos que Eva vai vivendo, ao mesmo tempo que a investigação vai avançando de forma inesperada e surpreendente.
Sou o seu silêncio
Jordi Lafebre
Arte de Autor
112 p., 25,95 €
F. Cleto e Pina
Jornal de Notícias

Banda Desenhada
N/A
EIA! — Editores Independentes Associados
Esgar Acelerado, Mário Moura
Póvoa de Varzim, Fevereiro de 1993
Portugal
Português
140x297mm, 28 páginas, preto e branco, fotocópia
1.750 exemplares (número real mais próximo de 175 exemplares)
N/A
N/A
N/A
N/A
Banda Desenhada
N/A
N/A
Paulo Patrício, Arnaldo Pedro, Paulo Pereira
Fevereiro de 1992
Portugal
Português
140x297mm, 28 páginas, preto e branco, fotocópia
151 exemplares
N/A
N/A
N/A
N/A