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Obama e McCain em Banda Desenhada

Biografias aos quadradinhos dos dois candidatos presidenciais norte-americanos, disponíveis em Outubro, em papel e nos telemóveis

Afastados em muitos aspectos, Barack Obama e John McCain, os candidatos presidenciais norte-americanos, vão ter (mais) um ponto em comum a partir do próximo dia 8 de Outubro, dia em que ambos vão ter as suas biografias editadas em banda desenhada pela editora IDW Publishing, que já conta no seu catálogo com obras semelhantes sobre o papa João Paulo II ou S. Francisco de Assis, a par de grandes clássicos dos quadradinhos como Dick Tracy, de Chester Gould.
Cerca de um mês antes das eleições presidenciais que decidirão quem vai suceder a George W. Bush, as vidas de Obama e McCain surgirão em dois comic-books, de 32 páginas cada, ao preço de 3,99 dólares, com capas de J. Scott Campbell, um veterano dos quadradinhos.
A biografia de Obama, escrita por Andrew Helfer e desenhada por Stephen Thompson, divide-se entre a sua origem humilde e a sua carreira meteórica até à liderança do Partido Democrata, enquanto que a de McCain, da autoria de Jeff Mariotte e Tom Morgan, dá especial destaque à sua carreira militar, incluindo o tempo em que esteve preso no Vietname, bem como ao seu trabalho no Senado. As duas obras ficarão disponíveis na versão integral não só na tradicional versão impressa mas também numa versão para download para telemóvel.


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Folheteen

Trabalhada por José Aguiar, um dos novos valores da BD brasileira, com um original traço anguloso e muito dinâmico, servido por cores fortes, enquadramentos múltiplos e bem conseguidas conjugações de vinhetas, “Folheteen” é uma narrativa agradável, falsamente leve.
Assumindo claramente o tom de crónica urbana sobre a solidão no meio da multidão e a dificuldade de ter opções diferentes numa sociedade movida pelo consumo, a banalidade e o sexo, levanta questões que obrigam a pensar o que realmente buscam – o que podem buscar? – os adolescentes, os “teen”, deste “folhetim” (novela) real que é a vida actual, onde a busca das ilusões com que os bombardeiam lhes esconde que a felicidade pode estar mesmo ao seu lado.


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Nova revista satírica lançada hoje em França

“Siné Hebdo” anuncia-se como “revista mal-educada” que “não respeitará ninguém”; Concorre directamente com a “Charlie Hebdo”, de onde Siné foi recentemente demitido

É lançada hoje em França a revista satírica “Siné Hebdo”, que surge como uma resposta de Siné, um dos grandes desenhadores de esquerda do Maio de 1968, ao seu despedimento pela “Charlie Hebdo”, com quem vai agora concorrer directamente.
Tudo começou em meados de Julho quando uma peça do cartoonista sobre um eventual tratamento especial das autoridades para com Jean Sarkozy, filho do presidente francês, foi considerada ofensiva e anti-semita, o que levou a direcção da publicação a exigir-lhe uma explicação pública ou a proibição de voltar a publicar. Siné recusou-se e abandonou a revista que ajudou a fundar, ainda como “Hara-Kiri Hebdo”, no início dos anos 70, e onde colaborava há mais de 15 anos. Para alguns tratou-se de um ajuste de contas entre a velha guarda da revista, a que pertence Siné, quase a completar 80 anos, e os autores mais jovens.
A nova publicação, que conta entre os seus colaboradores Bedos, Alévêque, Delépine, Gaccio, Berroyer, Geluck, Mix & Remix, Tardi ou Vuillemin, tem 16 páginas a cores, formato tablóide, anuncia-se como uma revista “de humor, libertária e mal-educada” que não “respeitará ninguém nem terá nenhum tabu”, apresenta uma tiragem de 150 mil exemplares para o nº 1 e a pretensão de fixar as vendas nos 35 mil. E sai à quarta-feira, tal como a “Charlie Hebdo” que preparou para hoje um número especial dedicado ao Papa Bento XVI, que inclui cartazes para ostentar aquando da sua próxima visita a França.
No seu site um cartoon de Jiho que mostra um avião de papel feito, com a capa da revista, prestes a embater no palácio do Eliseu, tem como título: “O 10 de Setembro de 2009 vai ficar na memória…”.


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Leilão para restaurar a casa onde Superman foi criado

Autores de BD cedem originais para preservar casa de Jerry Siegel; Participação na série televisiva “Heroes” ou em comics de super-heróis também podem ser licitados

Alguns dos nomes mais destacados dos quadradinhos norte-americanos uniram-se para tentar salvar a casa onde Jerry Siegel imaginou as primeiras aventuras de Superman.
Siegel (1914-1996) cresceu numa casa nos arredores de Cleveland, no Ohio, Estados Unidos, e terá sido lá que pela primeira vez projectou aquele que viria a ser conhecido como o Homem de Aço.
Hoje em dia a casa encontra-se em bastante mau estado e a família que lá habita não tem condições para a restaurar. A situação foi descoberta por Brad Meltzer, quando fazia pesquisas para o seu livro “Book of lies”, no qual relaciona o assassinato de Abel por Caim, com o do pai de Siegel, morto a tiro em 1932, argumentando que este nefasto acontecimento está relacionado com a criação do primeiro super-herói. Na sequência da visita, Meltzer e o desenhador Alex Ross decidiram oferecer à família que lá habita há 20 anos uma placa comemorativa daquele acontecimento marcante da história da banda desenhada. Na mesma altura Meltzer descobriu que a casa de Joe Shuster, o desenhador original de Superman, já tinha sido demolida por ameaçar ruína.
Como pretende evitar que o mesmo aconteça à casa de Siegel, o escritor está agora a promover uma angariação de fundos na qual pretende recolher pelo menos 50 mil dólares para restaurar o edifício. Essa angariação está já a decorrer no site Ordinary People Change the World, onde durante o mês de Setembro serão leiloados semanalmente não só originais de autores como Alex Ross, Andy Kubert, Dave Gibbons, Geoff Darrow, John Romita Jr., Mike Mignola ou Tim Sale, mas também uma t-shirt do filme “Superman IV” autografada pelo próprio Siegel (uma das seis que ele deixou à esposa caso viesse a ter dificuldades económicas), um guião do filme “Superman” autografado por Richard Donner, a possibilidade de aparecer num episódio da série televisiva “Heroes”, actualmente em exibição na TVI, ou de ser figurante num comic escrito por Neil Gaiman, Brian Michael Bendis ou Ed Brubaker ao lado dos maiores super-heróis dos quadradinhos.


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Voz de Snoopy morre aos 91 anos

Bill Melendez foi o único autorizado a animar os Peanuts de Charlie Schulz; Também trabalhou em filmes de Mickey, Donald, Bugs Bunny, Daffy Duck ou Garfield

Bill Menlendez, o animador que deu vida – e voz – a Snoopy e aos outros “Peanuts”, bem como a muitas outras personagens inesquecíveis do desenho animado, morreu no Hospital St. John’s, em Santa Mónica, nos Estados Unidos, de causas naturais, contava 91 anos.
Nascido a 15 de Novembro de 1916, em Hermosillo , no estado de Sonora, no México, como José Cuauhtémoc Melendez, começou a sua carreira na animação em 1938, nos Estúdios de Walt Disney, tendo trabalhado em filmes como “Pinóquio”, “Fantasia” e “Dumbo” e também com Mickey Mouse e Donald Duck.
Mais tarde, para a Warner Bros., participou na criação de Bugs Bunny, Daffy Duck e Porky Pig, deixando a empresa em 1948 para iniciar uma carreira de director e produtor de anúncios publicitários para a televisão, tendo criado mais de um milhar de filmes nos 15 anos seguintes, entre os quais “Gerald McBoing Boing”, que lhe valeria o Óscar de 1951 para melhor curta-metragem de animação.
Em 1959, durante uma campanha publicitária para a Ford, com Snoopy, Charlie Brown e os outros Peanuts, conheceu Charles M. Schulz, o seu criador, iniciando uma relação de amizade que levaria Schulz a confiar-lhe a missão de animar os seus (anti-)heróis, tendo para isso Melendez criado a sua própria companhia juntamente com Lee Mendelson, em 1964.
A primeira experiência foi “A Charlie Brown Christmas” (1965), no qual ele próprio fez a voz de Snoopy, apesar deste não utilizar palavras, apenas expressivos uivos, suspiros e risadas. Apesar da ruptura em relação aos filmes de animação em voga – usava vozes de crianças para as personagens, a banda sonora utilizava música jazz e numa das cenas Linus recitava frases do Novo Testamento – o filme foi um grande sucesso, transformando-se um clássico natalício e dando origem a mais 60 episódios para TV, cinco especiais de uma hora, quatro filmes e 400 anúncios, todos com o dedo de Melendez.
Uma nova nomeação para os Óscares, em 1971, pela música de “A Boy Named Charlie Brown”, 19 nomeações para os Emmy – e seis troféus – fazem parte do currículo de Bill Melendez, que trabalhou igualmente em versões animadas de Cathy, Garfield ou Babar.


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Livro sobre Tintin adulto retirado do mercado

Autor espanhol mostra um Tintin adulto, deprimido pela perda de Milu e do Capitão Haddock; Fundação Moulinsart, detentora dos direitos sobre a obra de Hergé, proíbe reimpressão

O livro “El Loto Rosa”, escrito por António Alatarriba e com ilustrações de Ricard Castells e (do pintor hiperrealista) Javier Hernandez, lançado em Dezembro último em Espanha, a propósito do centenário do nascimento de Hergé, não será reeditado, devido às pressões exercidas pela Fundação Moulinsart, detentora dos direitos da obra do criador de Tintin.
Editado pela Edicions de Ponent, é composto por dois cadernos, o primeiro com diversos ensaios teóricos sobre a obra de Hergé e o segundo com uma ficção inédita, que totalizam mais de 100 páginas a cores, num misto de texto e ilustração, alvo de um apurado tratamento gráfico.
Com uma capa decalcada da de “O Lótus Azul”, com um Tintin (aparentemente) nu dentro do grande jarrão chinês a olhar para um sugestivo baton rosa, o livro pretendia ser, segundo explicou recentemente numa carta aberta o seu autor, professor de literatura francesa no País Basco, argumentista e especialista em BD, “uma homenagem a um autor que admiro, no qual apresento Tintin doze anos após morte do seu autor”. E continua: “Afastado de aventuras e de resoluções justiceiras, o mundo do nosso herói veio abaixo: Haddock caiu no alcoolismo, o professor Tournesol foi internado numa clínica psiquiátrica e – o pior – Milu morreu. Para tentar superar a depressão, Tintin recuperou a sua carteira de repórter, mas os tempos mudaram e só encontrou trabalho na imprensa sensacionalista cor-de-rosa”. E conclui: “a partir daí embarca numa aventura muito “tintinesca”, céptica e adulta, na qual acaba por se iniciar sexualmente”, num registo próximo do policial negro, ambientado nos meios cinematográficos.
Ao diário “El Pais” Altarriba afirmou pretender focar duas questões: “a ausência da passagem do tempo – Tintin é sempre adolescente – e a abolição da presença feminina – nas suas aventuras a única mulher é a Castafiore”.
Apesar de Tintin não surgir directamente nas imagens e nunca ser mostrado em cenas sexuais, o todo não deixou indiferente Moulinsart, que por muito menos tem posto os seus advogados em campo, que no início tentou impedir a circulação da obra, pressionando a FNAC para a retirar das prateleiras, depois ameaçando levar o caso à justiça, considerando que o relato “perverte a essência da personagem”.
Agora, as duas partes chegaram a um acordo que permite às Edicions de Ponent escoar os 1000 exemplares da edição, contra o compromisso de não reeditar a obra, o que fará dela, sem dúvida, um objecto apetecível para os coleccionadores.
Altarriba, que revela “ter aprendido francês nos álbuns de Tintin”, desabafa: “desfrutai das vinhetas enquanto vos for possível ou até onde deixarem os seus “direitodetentores”, mas muito cuidado com os modelos em que vos inspirais, com as alusões que fazeis ou com as referências que utilizais”. E conclui: “depois disto, nunca mais escreverei sobre Tintin”.


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ASA aposta em manga

“Warcraft”, “Dramacon” e “Princesa Pêssego” serão lançados em Setembro; Obras direccionadas para jovens de ambos os sexos

As Edições ASA acabam de anunciar a sua aposta em títulos de manga, termo que na sua origem designava a banda desenhada japonesa e hoje em dia é utilizado para classificar obras aos quadradinhos que seguem as suas características. Geralmente são a preto e branco, prolongam-se por muitos volumes, totalizando centenas ou milhares de pranchas, são protagonizadas por personagens de olhos grandes, a acção tem predominância sobre os diálogos e as linhas indicadoras de movimento e as onomatopeias são muito utilizadas. Esta é mais uma tentativa de impor este género em Portugal, que continua a ser uma excepção no mundo ocidental, pois em países como os Estados Unidos, França, Espanha ou Alemanha as vendas de manga representam valores da ordem dos 40 %.
Os primeiros três títulos, oriundos do catálogo da norte-americana Tokyopop, com volumes que rondam as duas centenas de páginas, serão lançados a 8 de Setembro, estando prevista a edição de um novo tomo todos os meses. “Warcraft – A Trilogia do Poço do Sol”, do norte-americano Richard A. Knaak e do coreano Kim Jae-Hwan, relata as aventuras de Kalec, um dragão azul que assumiu a forma humana para investigar um poder misterioso, e de Anveena, uma bela rapariga que guarda um segredo de encantamento. “Dramacon”, da russa Svetlana Chmakova, dá uma perspectiva pitoresca e romântica dos bastidores de um festival de manga. Finalmente, “A Princesa Pêssego”, dos norte-americanos Lindsay Libos e Jared Hodges, conta a história de uma solitária menina de nove anos que recebe como animal de estimação um furão, cuja mordedura tem consequências surpreendentes.
“Warcraft”, uma BD de acção, inaugura a colecção “Shounen” (manga destinado aos leitores juvenis masculinos), enquanto que os outros dois títulos apresentam a particularidade de serem “shoujo” (BD para adolescentes femininas), um segmento de mercado tradicionalmente esquecido pela banda desenhada ocidental, mas que os manga há muito trabalham, bem como todos os outros porque no seu país de origem, o Japão, há mangas para crianças, adolescentes, jovens e adultos de ambos os sexos, com todas as temáticas possíveis e imaginárias: acção, humor, aventura, policial, fantástico, terror, romance, desporto, economia ou pornografia.


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Revistas Marvel invadidas por super-macacos

“Marvel Apes” estreia em Setembro nas livrarias norte-americanas; Super-heróis símios evoluem em universo alternativo

Parece fruto da “silly season” que se vive, mas é mesmo verdade. O Universo Marvel vai ser invadido por macacos com super-poderes já em Setembro. Ou melhor, no início do próximo mês chega às livrarias norte-americanos o primeiro dos cinco números da mini-série “Marvel Apes”, que tem lugar num universo alternativo onde todos, incluindo os super-heróis Marvel, são… macacos! O protagonista da história é Gibão, um herói mutante de aspecto simiesco, criado em 1972 mas que nunca passou de personagem de segunda linha da “Casa das Ideias”, que umas vezes é herói e outras vilão, que na sequência de uma experiência sobre sobre-humanos é transportado para aquele mundo alternativo, onde será o único humano de Monkhattan e encontrará Spider-Monkey, Iron Mandrill, Simian Torch, os Ape-X ou os Ape-Vengers…
Sobre o desenvolvimento da história, desenhada por Ramon Bachs – que também assina a capa – e escrita por Kart Kesel, que se baseou numa ideia de Joe Quesada, na sequência duma sugestão de um fã durante uma convenção de comics, pouco mais se sabe, mas é uma das grandes apostas da Marvel, que tem divulgado versões de algumas das capas mais famosas da editora, com os super-heróis substituídos por símios envergando os seus uniformes. E na primeira semana de Setembro, antecipando o lançamento de “Marvel Apes”, todos os títulos da editora terão capas alternativas protagonizadas por gorilas, chimpanzés ou macacos no lugar dos heróis tradicionais.
Esta não é a primeira vez que os super-seres Marvel são substituídos, pois algo de semelhante já aconteceu em “Zumbis Marvel”. E nem sequer é a primeira vez que o conceito de super-macacos é abordado, já que a rival e concorrente DC Comics tinha criado algumas histórias nessa base nas décadas de 50, 60 e 70 do século passado, agora reunidas em “DC Goes Apes” que, por coincidência ou não, vai ser lançado também em Setembro…


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Os 75 anos de Brick Bradford

Criação de William Ritt e Clarence Gray foi uma das primeiras bandas desenhadas de ficção-científica; Paul Norris dedicou-se ao piloto do Pião do Tempo durante 35 anos; Em Portugal ficou conhecido também como Brigue Forte

A 21 de Agosto de 1933 surgia em alguns jornais locais norte-americanos, uma nova tira diária de ficção-científica protagonizada por Brick Bradford, criado pelo jornalista William Ritt (1902-1972) e desenhado por Clarence Gray (1911-1957), até aí cartoonista desportivo. A necessidade de formas de escape aos problemas quotidianos era então grande na sociedade dos EUA e o novo herói, na peugada do sucesso de Buck Rogers, criado em 1929, correspondia na perfeição, inicialmente como explorador de mundos perdidos no planeta Terra. Mais tarde, após a introdução nas suas aventuras, em 1935, do célebre Pião do Tempo, inventado pelo seu amigo cientista Kala Kopac, deslocar-se-ia também no tempo e no espaço, vencendo todas as fronteiras, enfrentando, juntamente com a sua noiva eterna June Salisbury, robôs gigantes e vilões intergalácticos do futuro ou dinossauros e tiranos do passado.
A popularidade imediata levou-o para os principais jornais norte-americanos e permitiu a passagem também a prancha dominical, a 24 de Novembro de 1934. Dois anos depois viriam as versões em revista, a adaptação em livros de bolso concretizou-se na década seguinte, bem como e a passagem ao cinema, num seriado de 12 episódios, de 1947, realizado por Spencer Gordon e Thomas Carr e protagonizada por Kane Richmond. O Pião do Tempo inspirou uma enorme escultura em bronze do artista canadiano Jerry Pethick (1935-2003), instalada em False Creek, em Vancouver, após ter estado mergulhada na água do mar durante dois anos para apresentar um aspecto envelhecido.
Ritt abandonou a sua criação em 1948 e Gray, que a assumira por inteiro, faria o mesmo em 1952, deixando Bradford entregue a Paul Norris (1914-2007), que o escreveu e desenhou até se aposentar em 1987, tendo a última tira do herói sido publicada a 25 de Abril desse ano.
Brick Bradford foi publicado em Portugal desde os anos 40, por vezes rebaptizado de Brigue Forte, tendo figurando no primeiro número do “Mundo de Aventuras”.


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Criadores de BD em defesa de sobrevivente de Auschwitz

Stan Lee, Neal Adams e Joe Kubert contam aos quadradinhos história de Dina Babbitt; jovem judia foi forçada por Joseph Mengele a pintar retratos de prisioneiros ciganos; Museu polaco recusa-se a restituir obras à autora

Três dos maiores nomes dos comics norte-americanos juntaram-se para contar em banda desenhada o caso de Dina Babbitt, uma sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Trata-se de Stan Lee, criador, entre outros, do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e X-Men, Neal Adams, responsável nos anos 70 pela modernização de Lanterna Verde e Batman, e Joe Kubert, veterano autor de Sgt. Rock e de uma alaudida versão de Tarzan.
Dina, nascida Gottliebova, foi levada como prisioneira para Auschwitz em 1943, devido à sua origem judia, tendo escapado à morte por ter pintado um painel com uma cena do filme “Branca de Neve e os 7 anões”, na zona destinada às crianças. O seu talento despertou a atenção de Joseph Mengele, tristemente célebre pelas experiências com seres humanos, que forçou Dina – em troco da vida da mãe – a fazer retratos que captassem o exacto tom da pele dos ciganos, aspecto que era parte da sua teoria sobre a sua inferioridade em relação à raça ariana. As pinturas – onze no total – perderam-se aquando da libertação do campo pelas tropas soviéticas, em 1945.
Em 1963, seis dos retratos foram propostos ao Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, que compraria ainda uma sétima tela anos mais tarde, todas assinadas “Dina 1944”.
Dina viria a casar com Arthur Babbitt, um animador norte-americano, indo viver para Hollywood, onde trabalhou em animação na Warner Brothers, desenhando Daffy Duck, Wile Coyote ou Speedy Gonzalez.
Em 1973, deslocou-se ao museu a expensas próprias, para identificar as suas pinturas. Desde então, Dina Babbitt, hoje com 85 anos, tem desenvolvido esforços para recuperar as suas obras, perante a intransigência do Museu que, conjuntamente com o governo polaco, tem ignorado, inclusive, diligências do governo norte-americano nesse sentido.
A BD em seis pranchas de Lee, Adams, e Kubert, que conta a história de Dina Babbitt e é mais um contributo para a sua causa, foi oferecida para publicação à Marvel e à DC Comics , as duas maiores editoras de comics dos EUA, para já sem qualquer reacção, estando disponível gratuitamente na Internet.


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