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Congolês apresenta queixa contra “Tintin no Congo” por racismo

Álbum sofreu recentemente acusações semelhantes em Inglaterra e na África do Sul

“Tintin no Congo”, segunda aventura de Tintin, “velha” de 77 anos, volta a ser alvo de acusações de racismo, desta vez por parte de um congolês, residente na Bélgica, que avançou com um processo no Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas contra a sociedade Moulinsart, que gere os direitos da obra de Hergé. O autor da queixa, Mbutu Mondondo Bienvenu, considera o álbum “racista e xenófobo”, acrescentando que “foram estas teses racistas que serviram de suporte às descriminações sociais, às segregações étnicas e a actos de violência como os genocídios”. E acrescenta que Hergé reconheceu que o álbum podia ter essa leitura quando disse “que, na sua época, não podia deixar de considerar os negros como crianças grandes”, afirmando “não ser mais racista que os seus contemporâneos”, reclamando, por isso, uma indemnização de 1 €. Esqueceu-se no entanto que Hergé também afirmou “não gostar dos colonialistas”, fez diversas alterações quando remodelou o álbum para a versão colorida, em 1946, e que condenou claramente o tráfico de escravos negros em “Carvão no Porão”.

Há semanas, uma acusação semelhante por parte da Comission for Racial Equality da Inglaterra levou “Tintin no Congo” (publicado pela primeira vez em Portugal sob o título “Tim-tim em Angola”, a ser mudado, nas livrarias da cadeia Borders, da secção infantil para a de adultos, tendo as vendas disparado.

Há alguns dias, foi a vez do editor sul-africano de Tintin, a Human & Rousseau, renunciar à sua publicação em africânder, “por se ter apercebido que a publicação na língua dos opressores brancos podia ser mal interpretada”, e o grande editor Penguin informava que a difusão naquele país, da versão em inglês de “Tintin no Congo”, conteria um aviso informando os leitores do “carácter racista” de algumas das suas cenas.


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Obra integral de Topffer editada nos Estados Unidos

Herói politicamente incorrecto, foi criado pelo britânico Reg Smithe.

Estátua em tamanho natural de Andy Capp inaugurada recentemente em homenagem ao seu autor.

Um dos mais politicamente incorrectos heróis dos quadradinhos humorísticos festeja hoje meio século de existência, pois foi a 5 de Agosto de 1957 que apareceu pela primeira vez no jornal britânico”Daily Mirror”. Conhecido em Portugal, onde há décadas é publicado pelo “Primeiro de Janeiro”, como o Zé do Boné, tem como nome de baptismo Andy Capp e como principais características a sua paixão pelo futebol (cujos jogos frequentemente abandona expulso ou carregado em maca, por se envolver fisicamente com os outros jogadores), a par do râguebi, columbofilia, bilhar e corridas de cavalos, ser fumador (enquanto o seu autor também o foi) e alcoólico no mais alto grau, para além de mentiroso e um preguiçoso de primeira, cujas mãos só saem do bolso para pegar no copo ou no cigarro. Neste ramalhete não faltam sequer casos de violência doméstica, embora seja ele quem ocasionalmente apanha de Florrie (Flora na versão portuguesa), a sua cara metade, uma trabalhadora esforçada que também gosta bem de beber o seu copito…

Retrato estereotipado dos habitantes do norte de Inglaterra, personagem improvável nos nossos (hipócrito-puritanos) dias, Andy Capp nasceu como cartoon com distribuição regional, passando rapidamente a tira diária e prancha dominical com circulação nacional. Deu o grande salto em 1963, quando passou a ser publicado em jornais norte-americanos, ocorrência pouco frequente na história das tiras diárias de imprensa, tendo chegado, no seu auge, a ser publicado em mais de 1000 jornais de 50 países.

O seu criador foi o britânico Reg(inald) Smithe que nasceu em Hartlepool, onde sempre viveu, a 10 de Julho de 1917. Com uma infância e adolescência sem história, Smithe chegou tarde à banda desenhada, por volta dos 30 anos, após mais de uma década no exército. Andy Capp é a sua única criação digna de registo, embora nos anos 60 tenha lançado uma série infantil, protagonizada por Buster, o filho de Capp, que era uma cópia reduzida do pai. Senhor de um humor cínico e irónico, assentou o seu trabalho em cenários simplificados (quase sempre a casa da Capp, a rua ou o bar que frequenta), numa reduzida galeria de personagens e na exploração do cómico das situações.

Após uma longa luta contra o cancro, Reg Smithe faleceu a 13 de Junho de 1998, vindo a ser substituído em Andy Capp por Roger Mahoney e Roger Kettle cujo nome, no entanto, só começou a aparecer em Novembro de 2004, e que mantiveram a série dentro dos parâmetros narrativos e gráficos estabelecidos por Smithe, distinguido em 1974 com o National Cartoonist Society Humor Comic Strip Award.

Diversas recolhas das tiras de jornal, um musical com Tom Courtenay e uma série televisiva de 6 episódios com James Bolam, sem grande sucesso, marcaram intromissões noutras áreas de Andy Capp, que Hartlepool imortalizou numa estátua em bronze em tamanho natural, inaugurada a 28 de Junho último.


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Sem fim

Por incrível que pareça, para quem não esteja familiarizado com os universos de super-heróis, o fim de muitos deles tem sido contado muitas vezes e de muitas maneiras. “Quarteto Fantástico: O fim”, agora lançado entre nós pela Panini Comics, na sua entrada directa no nosso mercado, a par das revistas regulares de banca que chegam via Brasil, insere-se numa série na qual artistas com uma forte ligação às personagens foram convidados a pôr um fim nas suas carreiras.

Só que, curiosamente, Alan Davis (que assina argumento e desenho) parte do fim anunciado – o desmembramento do Quarteto Fantástico devido à morte de FRanklim e Valéria, os filhos de Sue e Reed Richards – para contar o dia a dia de cada um dos seus membros a solo, embrenhando-os numa aventura épica num futuro perfeito, sem guerras, doenças ou pobreza graças ao Sr. Fantástico, mas que um ataque massivo de origem desconhecida ameaça destruir, arrastando na sua voragem (para o seu fim…) também os ex-membros do Quarteto.

Nesta saga épica, extremamente recente (terminou em Maio nos EUA), Davis consegue reunir todos os grandes heróis e vilões, amigos e inimigos, que ao longo das décadas povoaram o universo do Quarteto Fantástico, para, no final, numa inflexão inesperada, afirmar que os heróis nunca morrem (não têm um fim…), servindo cada prova para que renasçam mais fortes, para continuarem a eterna luta entre o bem e o mal.


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Zé do Boné nasceu há 50 anos

Herói politicamente incorrecto, foi criado pelo britânico Reg Smithe.

Estátua em tamanho natural de Andy Capp inaugurada recentemente em homenagem ao seu autor.

Um dos mais politicamente incorrectos heróis dos quadradinhos humorísticos festeja hoje meio século de existência, pois foi a 5 de Agosto de 1957 que apareceu pela primeira vez no jornal britânico”Daily Mirror”. Conhecido em Portugal, onde há décadas é publicado pelo “Primeiro de Janeiro”, como o Zé do Boné, tem como nome de baptismo Andy Capp e como principais características a sua paixão pelo futebol (cujos jogos frequentemente abandona expulso ou carregado em maca, por se envolver fisicamente com os outros jogadores), a par do râguebi, columbofilia, bilhar e corridas de cavalos, ser fumador (enquanto o seu autor também o foi) e alcoólico no mais alto grau, para além de mentiroso e um preguiçoso de primeira, cujas mãos só saem do bolso para pegar no copo ou no cigarro. Neste ramalhete não faltam sequer casos de violência doméstica, embora seja ele quem ocasionalmente apanha de Florrie (Flora na versão portuguesa), a sua cara metade, uma trabalhadora esforçada que também gosta bem de beber o seu copito…

Retrato estereotipado dos habitantes do norte de Inglaterra, personagem improvável nos nossos (hipócrito-puritanos) dias, Andy Capp nasceu como cartoon com distribuição regional, passando rapidamente a tira diária e prancha dominical com circulação nacional. Deu o grande salto em 1963, quando passou a ser publicado em jornais norte-americanos, ocorrência pouco frequente na história das tiras diárias de imprensa, tendo chegado, no seu auge, a ser publicado em mais de 1000 jornais de 50 países.

O seu criador foi o britânico Reg(inald) Smithe que nasceu em Hartlepool, onde sempre viveu, a 10 de Julho de 1917. Com uma infância e adolescência sem história, Smithe chegou tarde à banda desenhada, por volta dos 30 anos, após mais de uma década no exército. Andy Capp é a sua única criação digna de registo, embora nos anos 60 tenha lançado uma série infantil, protagonizada por Buster, o filho de Capp, que era uma cópia reduzida do pai. Senhor de um humor cínico e irónico, assentou o seu trabalho em cenários simplificados (quase sempre a casa da Capp, a rua ou o bar que frequenta), numa reduzida galeria de personagens e na exploração do cómico das situações.

Após uma longa luta contra o cancro, Reg Smithe faleceu a 13 de Junho de 1998, vindo a ser substituído em Andy Capp por Roger Mahoney e Roger Kettle cujo nome, no entanto, só começou a aparecer em Novembro de 2004, e que mantiveram a série dentro dos parâmetros narrativos e gráficos estabelecidos por Smithe, distinguido em 1974 com o National Cartoonist Society Humor Comic Strip Award.

Diversas recolhas das tiras de jornal, um musical com Tom Courtenay e uma série televisiva de 6 episódios com James Bolam, sem grande sucesso, marcaram intromissões noutras áreas de Andy Capp, que Hartlepool imortalizou numa estátua em bronze em tamanho natural, inaugurada a 28 de Junho último.


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Remodelado

Num tempo em que as publicações periódicas de banda desenhada não têm vida fácil, o “BDJornal” insiste em existir e assim, ao 19º número, sofre a segunda remodelação: reduz o formato (275 x 205 mm), aumenta a gramagem da capa, plastifica-a, aumenta as páginas (para  76), assumindo o aspecto de revista e deixando para trás (?) o estatuto de jornal que o próprio título defende.

Com distribuição em locais seleccionados (ver lista completa em Kuentro), aumentou significativamente o preço – custa agora 6,00 € – “com o objectivo declarado de tentar rentabilizar economicamente o projecto sem deixar cair uma ponta que seja da qualidade que nos parece que sempre teve”, lê-se no seu editorial.

De grafismo agradável e bem legível, mas com problemas antigos – poucos colaboradores, pouca atenção à actualidade editorial nacional – mantém também as suas principais qualidades – acompanhamento da actualidade dos quadradinhos, publicação de bandas desenhadas inéditas, entre as quais se destaca “BRK”, de Filipe Pina e Filipe Andrade, uma crónica urbana sobre os problemas e a integração social de adolescentes e jovens.

Deste nº 19 destaque para as crónicas escritas dos autores de BD José Carlos Fernandes e David Soares e ainda para a entrevista com David B e as matérias sobre o centenário de Hergé, o 3º Salão de Beja e a passagem de Dampyr por Portugal numa aventura recente.


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“Os Simpsons” em filme, à conquista de novos fãs

Projecto com 10 anos finalmente concretizado; Ambientalistas e fanáticos religiosos são alvos preferenciais da película; Filme estreia hoje em 75 salas; Família amarela pela primeira vez fala português, em 48 das cópias em exibição

Estreia hoje, em Portugal, um dia antes de chegar às salas de cinema norte-americanas, “Os Simpsons – O filme”, um projecto “velho” já de dez anos, finalmente concretizado. Nele, pouco depois do início, Homer Simpson, que assiste no cinema a uma película protagonizada por Itchy e Scratchy, a versão gore de Tom e Jerry que Bart e Lisa adoram, interroga-se desabridamente: “Porque é que estou a pagar para assistir a uma coisa que posso ver de borla na TV?”. Mas se a mesma pergunta chegar a aflorar às mentes de quem for ver “Os Simpsons – o filme”, depressa a esquecerão, pela forma divertida como ele se desenrola, capaz de arrancar mesmo algumas sonoras gargalhadas, pelo imprevisto ou non-sense de algumas situações.

Por isso, dirão os fãs, valeu bem a pena a espera, para poder assistir às desgraças quotidianas da mais conhecida família da TV no grande ecrã, onde Homer, Bart, Marge, Lisa e Maggie ganham uma nova dimensão, literalmente falando mas também fruto de uma animação mais cuidada, que os feios bonecos amarelos já mereciam, depois de quase uma centena de distinções televisivas conquistadas ao longo de uma carreira ímpar no pequeno ecrã.

Tudo começa quando Homer provoca (mais) um enorme desastre ambiental em Springfield, o que leva a Agência de Protecção Ambiental (EPA) norte-americana a isolar a cidade dentro de uma redoma de vidro, dando assim cumprimento a uma estranha profecia do avô Simpson, logo no início, quando entra em transe na igreja. Conseguindo à justa fugir ao linchamento pelos seus concidadãos, Homer e família vão para o Alasca, onde a aparente harmonia reencontrada se transformará em separação, o que levará Homer a uma atribulada peregrinação e busca interior, de que sairá pronto a redimir-se e a assumir – como raras vezes aconteceu ao longo da sua vida – as suas responsabilidades.

A história, bem construída, transporta com felicidade para o grande ecrã o ritmo próprio da série televisiva, com as habituais inflexões iniciais e vários relatos cruzados, e preenche agradavelmente e sem se dar por eles os 85 minutos que dura, tendo mesmo algumas cenas de antologia com destaque para o longo percurso de skate de Bart, totalmente nu, pelas ruas de Springfield.

Conta também com o habitual cortejo de referências, mais ou menos explícitos, como o naufrágio do Titanic, a idílica cena Disney em que Branca de Neve, esgotada, se deita nas camas dos anões sendo coberta pelos animais da floresta, ou a sátira ao documentário ambientalista de Al Gore “An inconvenient truth”, transformado em “An irritating truth” na dissertação de Lisa, mal recebida pelos seus concidadãos.

A tradição televisiva de incluir personagens reais nos episódios (dobrados por eles próprios), da política (Clinton, Blair) à TV (Jack Bauer, Mulder, Scully), passando pela música (Sting, Aerosmith) ou pelo cinema (Elizabeth Taylor, Woody Allen), também tem continuidade no filme, com os Green Day, logo no genérico (vaiados quando tentam um discurso em prol da natureza), Tom Hawks, Hillary Clinton, como vice do presidente Itchy, ou Schwarzenegger (“já” – sic) como Presidente, embora só os dois primeiros dêem as suas vozes aos bonecos.

Finalmente, há o reencontro com situações recorrentes – o egoísmo e gulodice de Homer, o activismo ambiental de Lisa – com outras mais surpreendentes como a aproximação de Bart e Ned Flanders, a paixão de Lisa por um miúdo irlandês ou o novo animal de estimação de Homer (um porco), a par das intervenções da vasta e rica galeria de personagens secundárias, alegremente mergulhadas numa existência vazia e auto-destrutiva. A grande novidade é a existência de um verdadeiro “mau” na história, o politicamente correcto (?) Russ Cargill, responsável da EPA, o que ajuda a perceber porque afirmou Matt Groening “que muita gente se vai sentir ofendida com o filme”, numa clara alusão aos ambientalistas e aos fanáticos religiosos, que surgem como alvos preferenciais da película.

E embora o filme seja “apenas” um (bom) episódio longo, tem tudo para conquistar novos fãs para a série, ajudado pelo mediatismo gerado à sua volta e pela actual moda que leva os adultos a verem filmes de animação, o que o deverá transformar num dos êxitos de bilheteira deste Verão.

O que resulta num desafio extra para a versão dobrada em português que conta, nos principais papéis, com as vozes de José Jorge Duarte (como Homer), Cláudia Cadima (Marge), Carla de Sá (Bart, que volta a ter uma voz “feminina” tal como na versão americana), Manuela Couto (Lisa), Pepê Rapazote (Russ Cargill), Cucha Carvalheiro (curandeira) e Filipe Duarte (Ned Flanders). Com o risco acrescido de, em Portugal, a série televisiva ter sido sempre legendada.

E a aposta da distribuidora nela é grande pois, das 75 salas de cinema em que vai estrear, apenas 28 têm cópias da versão original (cinco digitais), havendo 47 cópias da versão dobrada, numa clara tentativa de o transformar num “filme de família”, coisa que os Simpsons, apesar de serem uma animação, sempre estiveram longe de ser, pelo seu carácter crítico e mordaz e pelo estatuto adulto de muitos dos seus temas e abordagens.

[Caixa 1]

Saber mais

TV/DVD

Criados, diz a anedota, num quarto de hora, enquanto Matt Groening aguardava por uma reunião com a Fox, os Simpsons estrearam-se em 1987, em episódios de 30 segundos no The Tracey Ulman Show. A popularidade alcançada levou-os a um especial de Natal, em 1989, e à estreia como série regular a 14 de Janeiro de 1990. Eleitos pela Times, em 1998, como a melhor série televisiva do século XX, conta 400 episódios, vai na 18ª temporada nos EUA e na 15ª em Portugal (RTP 2) onde já estão disponíveis as primeiras 9 em DVD.

BD

O sucesso televisivo levou ao lançamento, em Novembro de 1993, de “Simpsons Comics”, com as mesmas personagens, em histórias novas. A sua equipa criativa, onde se destacou Bill Morrison, foi capaz de transpor para uma nova linguagem o espírito e a dinâmica do original, o que permitiu ao comic manter-se até à actualidade. Outros títulos têm sido lançados paralelamente, como “Bartman”, “Bart Simpson’s Treehouse of Horror” ou “Itchy and Scratchy”.

Merchandising

Membros activos e empenhados de uma sociedade hiper-consumista, os Simpsons têm contribuído para ela com a sua quota-parte, surgindo em bonés, t-shirts, roupa interior, lápis e canetas, relógios, copos e canecas, velas, purificadores de ar, decorações de Natal, puzzles, jogos, pins, bolachas, gomas e um sem número de bonecos 3D, onde se destacam criações recentes como as cenas famosas de episódios da TV ou a colecção do filme com cada membro da família numa poltrona de cinema.

[Caixa 2]

Perfil de uma família disfuncional

Família disfuncional, dependente da televisão, retrato cáustico da família típica americana, os Simpsons, ao longo de 20 anos, não ganharam uma única ruga, mas os acontecimentos marcantes, como as mortes da esposa do beato Flanders ou do seu gato de estimação, acompanham-nos ao longo dos episódios.

Homer Jay Simpson

Quase quarentão, calvo, com barriga de cerveja (Duff), egoísta e glutão (adora donuts e tudo o que tenha gordura e calorias), Homer trabalha na Central Nuclear local e é o chefe (mas pouco) da família, que, bem lá no fundo, adora. Eterno indeciso, é perito em tomar sempre a pior decisão. Quando não está a causar desastres, está em frente à televisão ou no bar do Moe.

Marge Bouvier Simpson

Dois anos mais nova que Homer, destaca-se pelo seu alto penteado e pelo enorme poder de encaixe que lhe permite manter a família unida. Dona de casa exemplar, divide o seu tempo entre a obsessão compulsiva pela limpeza, o cuidado dos filhos e evitar que Homer provoque (mais) danos. Quando algum tema a motiva, leva tudo à sua frente e, uma vez por outra, encontra tempo para mostrar que poderia ter sido uma grande mulher.

Bart Simpson

É o filho mais velho, tem 10 anos, anda no 4º ano e, apesar de inteligente, é cábula, traquina, irrequieto e, por vezes, mesmo mau. Adora aborrecer Lisa, enfurecer Homer e, devido às suas partidas, passa a maior parte do tempo escolar no gabinete do director Skinner, um dos seus ódios de estimação. A sua frase favorita é: “Não fui eu quem fez isso!”.

Lisa Simpson

Com 8 anos, é o génio da família. Anda no 2º ano, é sensível, inteligente, empenhada e inamovível nas causas que abraça (defesa dos animais, do ambiente…), toca saxofone e tem interesses culturais. É a “filha perfeita”, mas parece deslocada no seio da sua disfuncional família, o que muitas vezes lhe causa profundas depressões.

Maggie (Margaret) Simpson

Malabarista da chupeta, que raramente tira, a mais nova da família tem um ano, não fala, gatinha mais do que anda e passa a maior parte do tempo a ver televisão. Aparentemente alheia ao que acontece à sua volta, quando passa à acção, pode correr a tiro um bando de mafiosos, chefiar uma revolta na creche ou ter um papel preponderante, como no filme.

[Caixa 3]

Matt Groening, o autor

Matt (Matthew Abram) Groening, o criador dos Simpsons, nasceu a 15 de Fevereiro de 1954, em Portland, Oregon, EUA. Mau estudante, dedicava mais tempo à BD e ao cartoon do que aos estudos, tendo criado “Life in Hell” (“O amor é um inferno”, na edição portuguesa da Gradiva), uma tira que começou por policopiar e que acabou em dezenas de jornais. Deste sucesso de Binky e Sheba, dois coelhos antropomórficos através dos quais transmite uma imagem distorcida e caricatural da sua vida em Los Angeles, aos feios bonecos amarelos, de olhos salientes, foi um passinho que o elevou à categoria de celebridade.

Numa e noutra série, Groening retrata a vida dos comuns mortais – sexo, trabalho, férias, crianças, morte – como que através de uma lente deformadora que apenas faz sobressair o pior do ser humano, com um humor corrosivo, iconoclasta e irreverente, que, se não convida ao riso desbocado, obriga a sorrir, ainda que de forma incómoda, quando, uma ou outra vez, nos reconhecemos na pele de Homer, Bart Lisa ou dos restantes Simpsons.

Groening é também o criador de Futurama, outra série televisva, que transporta o mesmo olhar cáustico para a sociedade do ano 3000.

[Caixa 4]

Curiosidades

Os Simpsons e Portugal I

Em 1995 a sala de estar da família Simpson foi construída em tamanho real no VIII Salão Internacional de BD do Porto e decorada com originais de banda desenhada de Bill Morrison, que esteve presente no evento, contribuindo decisivamente para o seu sucesso.

Os Simpsons e Portugal II

A única referência a Portugal nos 400 episódios televisivos acontece quando Homer e a sua família vão assistir ao vivo a um México-Portugal, em futebol, “para decidir qual o melhor país do mundo”. Homer afirma que se matará se Portugal não vencer, mas o jogo não chega a acabar, pois os espectadores, cansados da “monotonia” daquele desporto, acabam à pancada nas bancadas.

Os Simpsons em versão manga

Um desenho de uma obscura ilustradora, Space Coyote, divulgado na net no início deste ano, que mostrava os “Simpsonzu”, uma versão estilo manga (bd japonesa) da célebre família americana, valeu-lhe contratos para fazer um comic nesse estilo e também para colaborar em “Futurama”, a outra série televisiva de Matt Groening.


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Nicholas Cage estreia-se na BD

História escrita com o filho lançada este mês nos EUA; John Woo e Guy Ritchie também envolvidos no projecto da Virgin Comics

Se o grande número de filmes inspirados na banda desenhada que nos anos mais recentes têm chegado aos cinemas, representam apenas um pico de uma relação já com muitos anos, e se já vêm de há muito as adaptações, transposições e desenvolvimentos dos grandes êxitos do cinema (e da televisão…) para os quadradinhos, a novidade mais recente desta relação entre 7ª e 9ª artes, é o facto de nomes grandes do cinema terem sido convidados a escreverem banda desenhada pela Virgin Comics, uma editora baseada na Índia, onde foi criada pelo escritor Deepak Chopra, o cineasta Shekhar Kapur e o empresário Richard Branson (o milionário fundador da Virgin Records).

Esta colecção, intitulada “Directors Cut”, ganha agora nova projecção mediática com a chegada este mês às lojas de comics norte-americanas do primeiro dos seis números previstos de “Voodoo Child”, uma mini-série aos quadradinhos escrita por Nicholas Cage e pelo seu filho Weston Cage, de 16 anos. A acção desta BD de terror decorre no Louisiana, após a passagem do furacão Katrina, onde um detective investiga o desaparecimento de diversas crianças. O título da obra refere-se a Gabriel Moore, um menino escravo morto durante a guerra de Secessão, entretanto ressuscitado por um feiticeiro vudu. Pai e filho tiveram a colaboração de Mark Carey (argumentista dos X-Men) no desenvolvimento do guião, estando o desenho entregue ao indiano Dean Ruben Hyrapiet, comprovando a aposta da Virgin Comics no mercado asiático, para não entrar em confronto directo com as grandes editoras norte-americanas Marvel e DC Comics.

Nicholas Cage, assumidamente fã de comics – o seu verdadeiro apelido é Coppola, mas, quando começou a trabalhar em cinema, mudou de apelido em homenagem ao herói da Marvel Luke Cage – tem sido várias vezes tema de notícias relacionadas com quadradinhos, seja pela venda da sua colecção de revistas de BD (avaliadas em mais de 2 milhões de dólares), em 2002, seja pelas diversas tentativas que fez de protagonizar um dos muitos filmes de super-heróis estreados nos últimos anos, o que acabou por acontecer no recente “Motoqueiro Fantasma”.

A colecção “Directors Cut” publicou já dois volumes de “Snake Woman”, uma super-heroína imaginada pelo realizador indiano Shekhar Kapur, desenvolvida em parceria com Zeb Wells e Michael Gaydos, e “Game Keeper”, do realizador Guy Ritchie, escrita por Andy Giggle e desenhada por Mukkesh Singh. Na calha estão “7 Brothers”, do também realizador John Woo, feita em parceria com Garth Ennis, e “Walk in”, de Dave Stewart, músico fundador dos Eurythmics.


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Da tumultuosa imobilidade dos adolescentes

Zits #12 – Autoimóvel
Jerry Scott (argumento) e Jim Borgman (desenhos)
Gradiva
13,00 €

Subgénero dentro do universo da banda desenhada, sem grande expressão entre nós (são escassos e inconsequentes os exemplos), as tiras diárias de imprensa são um mercado frutífero nos EUA, graças aos muitos jornais em circulação, e estão profundamente arraigadas nos hábitos dos leitores de periódicos norte-americanos. Só assim se compreende que as que têm mais sucesso – “Peanuts”, “Garfield”, “Calvin & Hobbes”, etc. – possam ser publicadas simultaneamente em centenas ou milhares de jornais, exportação incluída. Como é o caso de “Zits”, que surge diariamente nas páginas do Jornal de Notícias e de mais de 1500 outros jornais!

“Zits” (literalmente “borbulhas”, as borbulhas de acne que infernizam a vida aos adolescentes) narra o quotidiano de Jeremy Duncan, de 15 anos, mostrando um conhecimento profundo e ao mesmo tempo divertidamente crítico sobre o “duro” dia a dia da adolescência, pejado de problemas transcendentes como o levantar cedo, os primeiros pêlos, as namoradas, a roupa, as aulas, as bandas de garagem, o controlo dos pais aos amigos e horários, como primeiros sintomas do inevitável confronto geracional, porque (aos seus olhos) a mãe insiste em tratá-lo como uma criança e o pai ficou irremediavelmente preso no tempo, há 30 ou 40 anos atrás… Aliás, “Zits” satiriza a tal ponto as diferenças entre duas gerações consecutivas que, mais do que um choque pode falar-se de um completo desencontro de gerações, como reflexo da forma acelerada como o tempo passa hoje em dia.

E se o primeiro objectivo destas tiras, às quais muitos leitores do JN possivelmente lançarão apenas um rápido olhar (ou nem isso…), é divertir de forma ligeira (no politicamente correcto mercado norte-americano, temas fracturantes raramente são focados), a verdade é que “Zits” pode bem ser considerado um retrato sociológico poderoso e incisivo de uma faixa etária importante nesta sociedade globalizada – os problemas de Jeremy nos EUA, são os mesmos dos adolescentes portugueses, brasileiros ou dinamarqueses (e a globalização contribui cada vez mais para o sucesso das tiras de imprensa) – que não consegue resolver os seus conflitos mais básicos, aqueles que nascem na estrutura familiar.

Se a escrita de Jerry Scott é fluida  e directa, atingindo mesmo o brilhantismo em alguns diálogos de antologia, a verdade é que um dos grandes trunfos de “Zits” é o traço de Jim Borgman, extremamente rico e diversificado para o género – lembremo-nos que os autores deste género de BD estão obrigados a um ritmo produtivo intenso (a publicação é diária, sem interrupções), pelo que não surpreende que a maioria das tiras de imprensa assente num traço simples, muitas vezes só esquemático. Em “Zits”, no entanto, destacam-se a grande expressividade dos rostos e corpos e a forma como Borgman hiperboliza graficamente as experiências sensitivas e emocionais dos protagonistas, por exemplo, tornando a mãe invisível ou colando-a (literalmente) no tecto, mostrando expressões incompreensíveis a jorrarem dos ouvidos de Jeremy, aumentando exageradamente os seus pés, pernas, braços, boca ou cabeça, etc. Isto é especialmente notório nas pranchas dominicais (que infelizmente o JN não publica…) onde Borgman joga magnificamente com o maior espaço disponível, podendo multiplicar as vinhetas e deixando o desfecho explodir com mais força no quadro final ou, pelo contrário, usar uma imagem única, rica em pormenores, referências ou citações.


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7

7 x 7 x 7. Esse é o conceito base desta colecção da Delcourt. 7 duplas de autores, contam 7 histórias, cada uma com 7 protagonistas. Que serão ladrões num ambiente de espada e fantasia, piratas, guerreiros do século VI, missionários (culpados dos… 7 pecados capitais), prisioneiros do futuro ou yakuzas. Ou os “Sept Psychopates” do álbum de estreia (os restante sairão até final de 2008), enviados em 1941, por um coronel britânico, em desespero de causa face ao desenrolar da II Guerra Mundial, para assassinar Hitler.

7 psicopatas, “loucos furiosos”, como são apelidados no subtítulo do álbum, ideais porque totalmente imprevisíveis, logo cujas acções seriam impossíveis de antecipar pelos nazis, retirados dos asilos em que estavam internados e lançados de pára-quedas sobre a Alemanha, para cumprirem a missão que poderia mudar o desfecho da guerra.

E se o traço sombrio de Sean Philips, algo rígido e preso de movimentos, mais à vontade no tratamento de cenários e veículos do que da figura humana, mesmo assim não deixa de ser eficaz, é o argumento de Fabien Vehlmann que faz a diferença. Ágil, credível, bem construído, foge à vulgaridade, e, embora se interesse mais pelos loucos – cada um dava uma boa história – do que pelo seu propósito, não o esquece, conseguindo um desfecho imprevisível, com um toque de humor negro, mas sem beliscar a “realidade histórica”.


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Banda desenhada de regresso às bancas

Edições brasileiras da Turma da Mónica, Batman, Homem-Aranha e X-Men animam segmento moribundo; Haverá também edições feitas especialmente para Portugal

Nascida nos jornais – em 1896, com “The Yellow Kid”, de Richard F. Outcault, decidiram especialistas em Luccana, com óbvias intenções mediáticas proporcionadas pelo então próximo centenário – a banda desenhada fez nas revistas grande parte do seu percurso e foi nelas que nasceram, por exemplo, Super-Homem, Batman, Homem-Aranha ou X- Men e também Spirou, Astérix ou Blueberry.

Em Portugal, este segmento de mercado, que ao longo de décadas contou títulos como “O Papagaio”, “O Mosquito”, “Cavaleiro Andante” ou “Mundo de Aventuras”, acompanhando o que acontece no resto da Europa, está em franco declínio e, no último ano e meio, devido ao aumento de títulos da chamada imprensa cor-de-rosa nas bancas e quiosques, que retiraram visibilidade às outras edições, e à crise financeira que fez com que as vendas das revistas de BD baixassem drasticamente, foram sucessivamente canceladas mais de duas dezenas de publicações de histórias aos quadradinhos da Disney, Marvel ou Bonelli, restando, praticamente, apenas os vários títulos de Tex, que a brasileira Mythos distribui em Portugal, e de Witch, as simpáticas bruxinhas da linha Disney para raparigas.

Mas esta situação pode vir a mudar pois, nos últimos dias chegaram aos quiosques portugueses cerca de uma dúzia de títulos da Turma da Mónica, bem como revistas dos heróis da Marvel e da DC Comics (ver caixa). Motivos de regozijo para os fãs do género, que têm inundado os fóruns da especialidade com perguntas, desde que a notícia começou a circular há quase um ano, e que desesperaram perante a passagem das sucessivas datas adiantadas. Para José Carlos Francisco, representante da Mythos em Portugal, esta invasão é benéfica pois “essas revistas vão injectar um novo fôlego no mercado de BD, o que será benéfico para as outras editoras e levará os proprietários dos pontos de venda a olhar para a BD com outros olhos”. Pedro Silva, da loja especializada BDMania e da editora homónima, acreditando “que a procura do material importado não sofrerá grandes alterações”, reconhece que “uma maior oferta e exposição poderão converter ou recuperar leitores”, mas não alimenta “grandes expectativas porque o desconhecimento do mercado português pode levar a que, tão rápida como a invasão, também a fuga se possa dar”.

Como principais vantagens desta “importação”, estão desde logo o preço, cerca de 50 % inferior ao que era praticado nas edições lusas, devido ao papel inferior e aos custos menores no Brasil e ao facto de se tratar de sobras da distribuição no mercado brasileiro, e também a variedade, caso o mercado português corresponda, isto porque todas as edições brasileiras da Panini deste mês (cerca de 20) – que poderão estar em Portugal daqui a 6 meses – vêm marcadas em reais e em euros. A par da questão da língua (ver caixa) o facto de se tratar de sobras aponta as principais desvantagens: estado dos exemplares e oscilação nas quantidades que chegam ao nosso mercado, dependentes que estão das vendas no Brasil.

[Caixa 1]

O que está nas bancas

Turma da Mônica

Revistas novas e almanaques de republicação dos principais heróis (Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento), bem como edições especiais e de jogos. A grande novidade é “Ronaldinho Gaúcho”, com histórias protagonizadas pelo craque do Barcelona em miúdo.

Marvel

As séries regulares de Homem-Aranha e X-Men (cuja distribuição em Portugal começa no #60 da edição brasileira) e dos Novos Vingadores (#35). “Civil War” chegará em Dezembro.

DC Comics

“Batman Ano 100”, uma história de Paul Pope em dois volumes, passada 100 anos após o nascimento do herói, e “Crise Infinita”, mini-série em 7 números, que revolucionou e transformou para sempre o universo onde actuam Batman e Super-Homem, cujas edições regulares estarão cá no final do ano.

[Caixa 2]

Português ou brasileiro?

Num tempo em que o mais importante são “as ideias” e não os erros ortográficos ou a construção frásica, o facto destas revistas virem em “brasileiro” não deverá levantar grande celeuma, mas a verdade é que não deixa de ser um retrocesso em relação ao passado recente, no que diz respeito às edições de super-heróis que a Devir publicou em português durante quase 7 anos, devendo agora “soar” estranho o Homem-Aranha, Wolverine ou Batman a falarem com sotaque de novela brasileira.

Relativamente à Turma da Mônica, o sotaque aceita-se com naturalidade, por ser a língua original das criações de Maurício de Sousa, que chegou a essa mesma conclusão através de uma mini-sondagem que fez aos seus leitores durante a sua passagem pelo Festival de BD da Amadora, em 2006.

No entanto, a chegada da Panini a Portugal, no que à BD diz respeito, ficará também marcada por algumas edições feitas especialmente para o nosso país. Traduzida e balonada aqui e impressa em Itália, a colecção “Marvel 100%” destina-se a livrarias, terá 144 páginas e custará 12,00 €. “Quarteto Fantástico: O Fim”, já no próximo mês, “Marvel Knights Homem-Aranha: No Reino dos Mortos” e “Eternals”, serão os primeiros volumes.


Escrito Por

F. Cleto e Pina

Publicação

Jornal de Notícias

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