Autor: bedeteca_sslidk

Tinham razão em revoltar-se

De 1968 a 1978, uma década quente em França
Dominique Grange, com desenho de Tardi, traça retrato autobiográfico de militantismo político

Não acredito em ‘leituras de Verão’ nem em ‘aproveitar as férias’ para ler. Quem lê, lê o ano todo; quem não lê, aproveita o tempo livre para descansar e se divertir. Por isso e porque o meu tempo da sua leitura foi agora, trago hoje “Elise e os novos partisans”, uma banda desenhada que é tudo menos ‘leitura de Verão’ na comum acepção facilitista desta designação.
Obra auto-biográfica, mesmo que não intensiva mas militante, este álbum, com a assinatura gráfica do grande Jacques Tardi, companheiro de Dominique Grange, narra uma década da vida desta cantautora e activista política. Mas não uma década qualquer, antes a que mediou entre os anos de 1968 e 1978, dos mais quentes que a França viveu socialmente no pós-II Guerra Mundial.
A Elise do relato é, assim, o alter-ego de Dominique Grange e com ela vamos acompanhar a doutrinação política feita por voluntários por toda a França, os desafiadores debates entre camaradas, os sucessivos levantamentos populares, das lutas pela auto-determinação da Argélia às revoltas estudantis, dos combates por melhores condições de trabalho nas fábricas, nas minas e um pouco por toda a parte à explosão de inúmeos movimentos políticos, à esquerda e à direita. Movimentos, greves, manifestações, ocupações, que valeram resposta violenta e brutal por parte das forças policiais, prisões arbitrárias, maus tratos, bastonadas, pontapés, insultos, gestos racistas letais em contraste com o peso e valor da solidariedade pura e genuína.
Em quase duzentas páginas de banda desenhada, em que a acção e as reacções se sucedem a um ritmo frenético, sem tempo para parar, meditar ou reflectir, Grange expõe a sua experiência, partilhando o que sucedeu um pouco por todo o hexágono e as notícias, animadoras ou frustrantes, que chegavam do Vietname, da Argélia, do Chile ou até de Portugal, com a queda de algumas ditaduras ou a instituição de outras, num relato intenso que soa estranho e, por vezes, até surreal, enquanto retrato de um tempo que já não vivemos e que nos parece quase pouco credível.
…quando afinal hoje, se bem que por motivos diferentes, aqui e ali e de forma tão evidente em França, a brutalidade policial, a repressão, o racismo e a xenofobia continuam e estes ecos de há meio século continuam a ressoar.

Elise e os novos partisans
Dominique Grange e Jacques Tardi
Ala dos Livros
176 p., 29,90 €


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F. Cleto e Pina

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Um invulgar quarteto de heróis nacionais

Homenagem aos filmes, séries, BD e jogos de vídeo dos anos 1980/90
Todas as aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy num único volume com conto inédito

Em 2010, a banda desenhada portuguesa era surpreendida com o lançamento de “As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy”, que viriam a demonstrar – mais três livros e quatro anos depois – que os quadradinhos nacionais eram capazes de chegar a leitores fora do habitual nicho e podiam ter como protagonistas heróis recorrentes e marcantes. No caso, um detective do paranormal capaz de se transformar em lobisomem, um entregador de pizzas, um demónio de seis mil anos preso num corpo de criança e a cabeça de uma gárgula. Juntos, foram capazes de salvar o mundo por diversas vezes, enfrentando um exército de nazis no subsolo de Lisboa, evitando o Apocalipse à justa com uma ajuda da Senhora de Fátima, sobrevivendo ao fisco, vencendo uma ameaça vinda do espaço e demonstrando que o último capítulo de uma trilogia nem sempre é o pior.
O desejo confessado pelos autores de reunir todas as aventuras, os relatos longos e as narrativas curtas, num único tomo, concretizou-se há um par de meses com “As Aventuras Completas de Dog Mendonça e Pizzaboy”. O percurso não foi fácil nem pacífico, mas a verdade é que olhando hoje para trás e relendo estas histórias, mesmo sabendo que entretanto a dupla de autores já nos proporcionou obras de um outro calibre como “Os Vampiros” e “Balada para Sophie”, é notória a evolução e encontramos nelas tudo aquilo que as tornaram distintas e apelativas: um ritmo vivo, um humor inteligente e desafiador, uma montagem cinematográfica das pranchas, um desenho dinâmico e, em jeito de homenagem, a multiplicação de referências aos filmes, séries, bandas desenhadas e jogos de vídeo que marcaram a geração dos anos 1980/90.
Como atractivo, para além dos prefácios originais de John Landis, Lloyd Kaufman, George A. Romero e Tobe Hooper, o primeiro ‘integral’ da banda desenhada portuguesa inclui um texto de João M. Lameiras sobre o percurso dos criadores e das criaturas, sustentado por uma série de extras dos vários volumes, e um conto ilustrado inédito sobre as origens da Madame Chen, mais próximo do actual registo mais intimista e sério dos autores, que de alguma forma reflecte o que Filipe Melo escreve no prefácio, que estas histórias despretensiosas e muito divertidas são também “sobre a passagem do tempo e a transição para a idade adulta”.

As Aventuras Completas de Dog Mendonça e Pizzaboy
Filipe Melo e Juan Cavia
Companhia das Letras
392 p., 48,45 €


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F. Cleto e Pina

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Criador de Michel Vaillant nasceu há 100 anos

Piloto automóvel passou três vezes por território português

Jean Graton nasceu há 100 anos, em Nantes da França. A criação do piloto automóvel Michel Vaillant, tornou-o famoso dentro e fora da banda desenhada.
Estreada em 1957, a série ambienta-se no mundo do desporto automóvel e, embora privilegie a Fórmula 1, o piloto com facilidade passeia o seu virtuosismo ao volante por quase todo o género de corridas: ralis, resistência, stock cars ou karting, sempre com o núcleo familiar em fundo, ou não fosse o seu pai o criador da marca Vaillant e o seu irmão, Jean Pierre, o responsável desportivo da marca.
Aliás, esta envolvente familiar será sempre determinante e implicará até um certo envelhecimento das personagens, já que o próprio Michel, de inicio adolescente, acabará por casar e ter mesmo um filho que, já jovem adulto, partilhará o protagonismo na ‘nova temporada’, a versão actual da série assinada por outros autores, em que as aventuras funcionam num formato próximo do das séries televisivas.
Em 1971, Michel fez a sua primeira visita ao nosso país, no álbum “5 filles dans la course!”, que em português ficou conhecido como “Rali em Portugal” (Bertrand, 1976). Essa participação no então Rali TAP será feita em equipas mistas, uma delas composta por Steve Warson e a portuguesa Cândida Maria de Jesus, surgindo também no álbum, naturalmente Alfredo César Torres, o director da prova. Depois de uma passagem por Macau, então ainda sob administração portuguesa, em “Encontro em Macau” (1983), Michel terminaria o seu périplo por terras lusas um ano mais tarde, em “O Homem de Lisboa”, em que o tom automobilístico geralmente determinante coexiste com uma intriga de espionagem industrial.
Se o realismo das suas histórias, o enorme conhecimento do meio automóvel onde se documentava cuidadosamente e as famosas onomatopeias que davam ‘som’ às corridas em papel são imagens de marca da obra maior de Jean Graton, há nelas uma outra peculariedade incontornável: a comunhão entre os heróis de papel e os grandes nomes do automoblismo mundial, uma vez que Jacky Ickx, muitas vezes em equipa com Michel, Niki Lauda, Ayrton Senna ou Michael Schumacher, bem como o português Pedro Lamy em “A febre de Bercy” (1998), foram muitas vezes participantes directos nas aventuras.
A estreia portuguesa do mais famoso piloto da BD deu-se no “Cavaleiro Andante” n.º 357, a 1 de Novembro de 1958, rebaptizado como Miguel Gusmão, como então era do agrado do Estado Novo. E se quase todas as suas aventuras foram publicadas entre nós, no “Zorro”, “Tintin”, “Mundo de Aventuras” ou “Jornal da BD”, ou em álbum pela Íbis, Bertrand, Meribérica, AutoSport ou ASA, há uma que alimenta os sonhos dos coleccionadores e fãs: “A Honra do samurai” (Íbis, 1969), nunca republicada, o que faz dela uma das mais raras edições nacionais de BD.
Jean Graton faleceu a 21 de Janeiro de 2021, com 97 anos.


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F. Cleto e Pina

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Homem-Aranha chora morte de John Romita Sr.

Artista norte-americano desenhou o super-herói da Marvel durante décadas

Natural de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde nasceu a 24 de Janeiro de 1930, John V. Romita Senior faleceu na passada madrugada, durante o sono, contava 93 anos. Tem reservado um lugar no paraíso dos autores de banda desenhada, graças especialmente ao seu trabalho no Homem-Aranha, que desenhou durante mais de 30 anos.
Formado na School of Industrial Art, de Manhattan, em 1947, foi influenciado por artistas como Noel Sickles, Roy Crane, Milton Caniff ou Carmine Infantino. Cinco anos depois casou com Virginia Hopkins, com quem teve dois filhos, Victor Romita e John Romita Jr., este último também autor de BD, tendo desenhado muitos dos grandes super-heróis da Marvel, incluindo o Homem-Aranha, e também a série “Kick Ass”.
John Romita entrou na banda desenhada em 1949, através da editora Atlas, para quem desenhou histórias de terror, românticas e westerns, bem como algumas aventuras do Capitão América, a partir de 1954.
Quando a Atlas cessou a actividade, em 1957, Romita mudou-se para a DC Comics, a casa do Batman e Super-Homem, onde durante oito anos ilustrou relatos românticos.
Em 1965 entrou para a Marvel, desenhando histórias dos Vingadores e do Demolidor. A sua prestação num episódio deste último, em que o super-herói cego contracenava com o Homem-Aranha levou-o a ser convidado para se ocupar da revista deste último, começando aí um percurso notável, que se estenderia por cerca de três décadas e que levaria o aracnídeo a tornar-se na personagem mais popular da Casa das Ideias.
Foi durante o seu consulado como desenhador de “The Amazing Spider-Man” que durgiram personagens marcantes como Mary Jane Watson, o Rino ou o Rei do Crime e que nasceu e morreu Gwen Stacy, a primeira grande paixão de Peter Parker, num relato que chocou os leitores da época por descobrirem que as personagens de primeiro plano também eram humanas e podiam morrer.
Com um grafismo aparentemente simples, mas sólido e elegante, dinâmico, tecnicamente perfeito e de grande eficácia narrativa, John Romita Sr. conseguiu tornar o ‘seu’ Homem-Aranha mais conhecido e celebrado do que o do seu criador, Steve Ditko, fazendo dele o campeão de vendas da Marvel, superando o Quarteto Fantástico e transformando-a na imagem de marca da editora.
Romita foi co-criador de diversas outras personagens como Wolverine, Justiceiro ou Mercenário e, em paralelo, foi também director artístico da Marvel e responsável pela criação dos “Romita’s Raiders”, uma equipa responsável pelos retoques gráficos de última hora nas pranchas, antes delas seguirem para impressão.
Em 1996, entrou num regime de semi-aposentação, embora tenha continuado a trabalhar pontualmente com a Marvel e por vezes também com a rival DC.
Muitas das suas obras foram publicadas em português ao longo dos anos, incluindo as suas primeiras prestações nas páginas do Capitão América, Demolidor e Homem-Aranha.


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F. Cleto e Pina

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Ricardo Leite em Coimbra e no Porto

Autor de BD apresenta “Em busca do Tintin perdido”

As livrarias Dr. Kartoon, em Coimbra, hoje às 18 horas, e Mundo Fantasma, no Porto, amanhã, às 16 horas, vão acolher o autor brasileiro de banda desenhada Ricardo Leite.
Estes dois encontros com os leitores, para conversa e autógrafos, encerram uma mini-tournée iniciada no Festival Internacional de BD de Beja, onde foi um dos cabeças de cartaz, e que também passou pela livraria lisboeta Kingpinbooks e pela Feira do Livro da capital.
Ricardo Leite é autor de “Em busca do Tintin perdido”, uma obra autobiográfica que é também um passeio pela banda desenhada do último meio século. Partindo de um encontro falhado com Hergé, quando ainda era adolescente, Leite convida o leitor a refelectir sobre a banda desenhada, as técnicas e o acto de criação artística, apresentando as suas influências através de encontros oníricos fictícios com nomes como Hugo Pratt, Milo Manara, Will Eisner ou tantos outros.
Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu a 3 de Março de 1957, Ricardo Leite foi desviado da banda desenhada com que sonhava e que chegou a praticar nas décdasa de 1970 e 1980, para uma actividade profissional de ilustrador de capas de discos de música brasileira e designer na área da publicidade, pelas necessidades da vida. No início do corrente ano, finalmente viu os seus sonhos ganharem existência física através do livro “Em busca do Tintin perdido”, escrito e desenhado ao longo dos últimos anos, que teve edição simultânea no Brasil e em França.
Ilustrado num estilo realista, assente em fortes contrastes de branco e negro, “Em busca do Tintin” perdido tem mais de 200 páginas e acaba de ter edição portuguesa da cooperativa A Seita, que o autor já considerou ser a melhor das três.
Nas sessões de autógrafos que vão decorrer hoje e amanhã, Ricardo Leite, em companhia de João Miguel Lameiras, editor de A Seita, irá apresentar e autografar a sua obra.


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F. Cleto e Pina

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Preferir não fazer nada

O direito à individualidade em oposição à ditadura da(s) maioria(s)
José-Luís Munuera adapta conto clássico de Herman Melville

Todos fazemos opções no dia-a-dia, mesmo que a opção seja não optar. Obriga-nos a isso a nossa vida, a nossa sobrevivência, a nossa família, as nossas obrigações profissionais… em suma, a nossa responsabilidade social.
Bartleby, um simples escriturário de Wall Street, é o protagonista de um conto com a assinatura de Herman Melville, publicado pela primeira vez em 1853. Contratado para copiar documentos, distingue-se pela forma metódica e diligente como trabalha. Demais, dirão alguns pois, consagrado à sua responsabilidade, passando os dias – e depois as noites – sentado à sua secretária, em frente a uma janela que dá para a parede de tijolos do edifício contíguo, quando lhe é proposto realizar outras actividades, sejam elas tarefas profissionais básicas como ir aos correios ou comparar cópias em conjunto ou até convites para ir beber um copo com o patrão, reusa liminarmente. Ou melhor, nega-se dizendo: “Preferiria não o fazer”. E responde de forma tão liminar quanto educada, desarmando qualquer reacção do seu patrão, dividido entre a vontade de o despedir e a inação devido à incompreensão pelo sucedido.
A versão em banda desenhada, que assume o título original, “Bartleby, o escriturário – Uma história de Wall Street”, chega por estes dias às livrarias nacionais numa edição da Arte de Autor e tem a assinatura do espanhol José-Luís Munuera, que alguns, muito bem, associarão a uma fase não muito antiga de “Spirou”. Trata-se da sua segunda investida na adaptação de um clássico da literatura, depois da sua visão provocadora de “Um conto de Natal”, de Dickens, em que entrega, de forma bastante conseguida, o protagonismo a uma mulher.
Em “Bartleby”, Munuera utiliza o mesmo traço semi-caricatural, que acentua o ridículo e o inesperado da situação, recorrendo a uma traço mais realista, esbatido, para recriar os fundos e os cenários em que a acção decorre, realçando, assim, duplamente, os protagonistas e os respectivos diálogos.
História mordaz sobre o direito à individualidade em oposição à ditadura da(s) maioria(s), mesmo que esta seja a sociedade em que vivemos e para com a qual temos obrigações e responsabilidades, “Bartleby” apenas não se transforma num total absurdo devido ao seu final trágico que leva o leitor a questionar quem realmente sai vencedor no final…

Bartleby, o escriturário
José-Luís Munuera
Arte de Autor
72 p., 18,50 €


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F. Cleto e Pina

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Beja: a cidade de toda a banda desenhada

Festival Internacional de BD abre amanhã, com 17 exposições e 40 autores convidados

É já amanhã que arranca o XVIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, com a inauguração agendada para as 21 horas, na Casa da Cultura local, seguindo-se, até às 2h30 deste sábado, os primeiros concertos desenhados, com Selecta Gungunhana e Nuno Thrasher.
Anual desde a sua criação, com exceção dos anos da pandemia, no ano em que atinge a maioridade cronológica, uma vez que a maturidade criativa há muito existe, o FIBDB anuncia-se mais uma vez como plural e diversificado e aberto a todas as bandas desenhadas.
Por isso, entre as 17 exposições propostas, podemos encontrar “Os 60 anos da Mônica”, “Duke”, um western do veterano Hermann, as “Lendas Japonesas” de José Ruy, falecido no ano passado, o “Corto Maltese” de Rúben Pellejero, “Em busca do Tintin perdido” de Ricardo Leite ou “Pele de Homem” de Zanzim, a par de propostas mais independentes, experimentais ou formativas como as dedicadas a Anabel Colazo ou aos colectivos Tentáculo e Toupeira.
E, depois, como sempre, o festival organizado pela edilidade local e encabeçado por Paulo Monteiro, mantém a grande aposta nos criadores portugueses, numa saudável mescla de novos, consagrados e veteranos: André Pereira, Carlos Páscoa, Joana Estrela, Patrícia Costa, Pedro Massano, Pedro Moura e João Sequeira ou Ricardo Baptista.
Com Ricardo Leite, Zanzim e Ruben Pellejero como cabeças de cartaz e incluindo quase todos os autores citados – Hermann e Maurício de Sousa são as excepções devido à idade avançada – para além de outros mais que os visitantes poderão descobrir, o Festival de Beja anuncia a presença de quatro dezenas de criadores, que estarão disponíveis para conversas, lançamentos, apresentações de projectos, sessões de autógrafos e, acima de tudo, para um grande convívio entre autores e leitores, outra das características distintivas do festival alentejano.
Entretanto, este sábado, às 21h30, Ricardo Baptista vai receber o Prémio Geraldes Lino que, desde 2013, distingue um jovem autor. O prémio é multifacetado e inclui uma exposição individual no Festival de Beja, a publicação de uma obra pela Bedeteca local, uma estatueta e uma quantia em dinheiro.
Embora decorra até 18 de Junho, os convidados estão todos concentrados neste primeiro fim-de-semana, bem como a vasta programação que também inclui revisão de portefólios, oficinas, concertos desenhados e um grande Mercado do Livro, com mais de 70 editoras e lojas representadas, onde é possível comprar livros, serigrafias e até originais. A exceção é Maratona – 12 Horas a desenhar, que terá lugar dia 10 de Junho.
Durante os 15 dias de duração, o festival estará aberto diariamente para visitas guiadas, individuais ou de escolas, mediante marcação.


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Autor de BD Baptista Mendes homenageado em Moura

Exposição e lançamento na Feira do Livro local

Dando seguimento a uma tradição já com alguns anos, a Câmara Municiapl de Moura vai homenagear mais um autor português de banda desenhada, durante a Feira do Livro local, cuja 42.ª edição decorre de 31 de Maio a 11 de Junho.
Este ano será distinguido Carlos Baptista Mendes, com uma exposição intitulada “A História em Quadrinhos”, que estará patente no Castelo de Moura. Esta mostra revisita alguns dos trabalhos que o autor publicou, durante mais de duas décadas, no “Jornal do Exército”, geralmente histórias de duas páginas sobre acontecimentos ou biografias de personagens famosos da História de Portugal.
Baptista Mendes, natural de Luanda, em Angola, onde nasceu em 1937, veio para Portugal com apenas 11 anos, tendo estudado no Liceu Gil Vicente, onde publicou no jornal estudantil. Depois de anedotas ilustradas na “Flama”, em 1959, na 2.ª série do “Camarada” publicava a sua primeira banda desenhada, “Fernão Magalhães”, m que unia as suas duas paixões: a História e a narrativa gráfica. Era o início de uma longa carreira em que publicou, entre outros, no “Cavaleiro Andante”, “Jornal do Exército”, “O Falcão”, “Revista da Armada”, “O Século”, “Diário de Notícias” ou “Mundo de Aventuras”.
Em álbum, para além da compilação de algumas destas publicações em “Por mares nunca dantes navegados…” (Futura, 1983) destacam-se ainda “Infante D. Henrique” (ASA, 1989), com argumento de Margarida Brandão, obra distinguida com o Prémio de BD do Centro Nacional de Cultura, “História de Penamacor” (Âncora, 2001), “História de Trancoso” (Âncora, 2006) ou “Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)” (Arcádia, 2014).
No dia 10 de Junho, às 17h30, com a presença do autor, será lançado o 12.º número dos “Cadernos Moura BD”, com a história “A Vida de Luís Vaz de Camões”. Anteriormente publicada, em continuação e a preto e branco, no “Jornal do Exército”, foi agora totalmente remontada e colorida por Baptista Mendes e legendada por Catherine Labey.
A exposição apresentada em Moura, é uma produção conjunta entre a câmara local, o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (GICAV) e o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), e poderá ser vista posteriormente na Amadora (na sede do CPBD) e em Viseu (na Feira de São Mateus), estando prevista igualmente a sua digressão por diversas escolas e bibliotecas do país.


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Clássicos intemporais em destaque no Amadora BD

34.ª edição do festival decorre de 19 a 29 de Outubro

A cerca de cinco meses da sua realização, de 19 a 29 de Outubro, o Amadora BD apresentou as linhas gerais da sua programação.
Com o núcleo central mais uma vez situado no antigo Ski Skate Amadora Park, a 34.ª edição do evento terá como tema central os “Clássicos Intemporais”, que servirão de inspiração à cenografia geral do evento, que irá reunir mais de uma dezena de ícones da banda desenhada nacional e internacional. Ao apostar de novo em conteúdos generalistas que vão ao encontro de um público mais vasto e alargado, o festival pretende voltar a ser para todos, promovendo desta forma a sua missão de criar e educar novos leitores de banda desenhada.
O núcleo central ocupará uma área total de 2100 m2, dos quais 950 m2 ocupados por 10 exposições e outros tantos pela zona comercial, que contará com a presença de 13 editoras. A área restante, coberta, será dedicada ao gaming e nela terão lugar iniciativas interligadas com o universo da banda-desenhada: cosplay, jogos “arcade”, realidade virtual, videojogos, consolas, campeonatos e apresentações, entre outros.
Como é habitual, o Amadora BD ocupará outros espaços da cidade, nomeadamente a Galeria Municipal Artur Bual, que vai receber duas exposições individuais, e a Bedeteca da Amadora – Biblioteca Fernando Piteira Santos, que acolherá uma mostra dedicada a uma das mais emblemáticas personagens dos westerns aos quadradinhos.
Sobre as exposições, para já apenas se sabe que haverá uma dedicada a Bernardo Majer, vencedor do prémio para Melhor Obra de BD de Autor Português em 2022, por “Estes Dias” (edição da Polvo), sendo ele o autor da ilustração original da 34.ª edição do Festival.
A par dos habituais lançamentos, sessões de autógrafos, apresentações e palestras, o evento, criado em 1990 pela Câmara Municipal da Amadora, com o objetivo de promover a BD, culminará com a habitual cerimónia de entrega dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora (PBDA), que mais uma vez atribuirá um prémio pecuniário no valor de 5000 €, Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português.
À margem do festival, os nomes de Émile Bravo (autor de “Spirou: Diário de um ingénuo”, editado pela ASA) e Mayte Alvarado (“”A Ilha”, a lançar na altura pela Levoir) já foram adiantados pelas respectivas editoras nacionais, como presenças confirmadas no Amadora BD.


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Longa se tornou a espera

Adolescente, com o irmão raptado e a mãe deprimida
Quinto volume de “O Árabe do Futuro”, a auto-biografia de Riad Sattouf, já editado em português

Cerca de três anos depois do lançamento do volume #4, numa espera que se tornou longa, finalmente a Teorema fez chegar às livrarias nacionais “O Árabe do Futuro #5 – Ser Jovem no Médio-Oriente (1992-1994)”, penúltimo tomo da auto-biografia de Riad Sattouf, filho de mãe francesa e pai líbio.
O livro arranca onde o anterior terminou, logo após o rapto de Fadi, irmão mais novo de Riad, levado pelo pai para a Síria, na sequência dos desentendimentos crescentes entre os progenitores. Este acontecimento marca toda a narrativa com um tom depressivo e um sentimento de perda, com a mãe completamente siderada por ele, a viver apenas em função das recordações e das tentativas desesperadas para reaver o filho.
Evidentemente, este não é o melhor clima para se viver quando se tem 14 anos, a idade de Sattouf no início deste volume. Mais a mais, quando sempre se sentiu deslocado na Síria e em França, olhado de soslaio em ambos os países como estrangeiro, o que o levou a criar uma série de anti-corpos interiores, com o seu lado líbio a condenar as liberdades ocidentais e o seu lado francês a não perceber as limitações da vida dos muçulmanos, com Sattouf a representar muito bem graficamente esta duplicidade. Com as pulsões próprias da adolescência, a situação vai agravar-se com os primeiros amores e paixões platónicos, as descobertas revolucionárias na música e na banda desenhada e o surgimento de bandos de skinheads, com o consequente agravar do racismo, numa combinação explosiva na mente e no corpo de um adolescente tímido e introvertido.
O resultado, é um relato servido por um humor ingénuo e desarmante, a um tempo terno e sincero que o tornam cativante, mesmo que resultante do olhar retrospectivo sobre a sua vida adolescente, já condicionado pelas vivências que enquanto adulto experienciou.
Ao mesmo tempo, “O Árabe do Futuro” proporciona também uma visão desencantada, mesmo que parcial e subjectiva, sobre os problemas inerentes a uma sociedade francesa multi-cultural onde convivem – ou pelo menos co-existem – os nascidos no continente, os naturais das ex-colónias ou as segundas e terceiras gerações oriundas delas, numa mescla que nem sempre se revela saudável de religiões, crenças, hábitos, costumes e culturas.

O árabe do Futuro #5
Riad Sattouf
Teorema
176 p., 22,90 €


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F. Cleto e Pina

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