Categoria: Recortes

Original do Lótus Azul vendido por 167 000 euros

Um desenho original de Hergé, a preto e branco, feito a guache, em 1935, para ilustrar uma capa do “Le petit Vingtième” alusiva a “Tintin e o Lotus Azul”, foi vendida este fim-de-semana por 167 292 euros, apesar de as estimativas apontarem apenas para 35 mil. Mesmo assim ficou longe do recorde estabelecido pela ilustração original da capa da versão a preto e branco de “Tintin na América”, vendida por 780 mil euros em Março último. O original, foi posto à venda por alguém que trabalhou no jornal “Le XXe Siécle”, nos anos 30, e que encontrou o desenho num monte destinado ao lixo após publicação, como era costume de então.
No mesmo leilão, promovido, pela conceituada Artcurial, onde também havia originais de Bilal, Franquin, Jacobs, Pratt, Tardi, Druillet ou Morris e edições raras de álbuns de BD, esboços a lápis de carvão das pranchas 45 e 46 de “Voo 714 para Sidney” atingiram 142 500 euros, um lote de mais de 300 documentos epistolares de Hergé foi vendido por 90 mil euros e os esboços de três tiras de “Carvão no Porão” foram licitadas por 68 mil euros, mostrando que não há crise que chegue ao mercado de originais de banda desenhada, considerados valores seguros por aqueles que neles investem.


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F. Cleto e Pina

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Morreu Guy Peellaert, o criador de imagens

Guy Peellaert faleceu em Paris, aos 74 anos. Cultor da Pop Art, revelou-se nos anos 60 com duas BD de estilo psicadélico, “Jodelle” e “Pravda, la surviveuse”, com as protagonistas, sexys, longilíneas e libertárias, inspiradas em Sylvie Vartan e Françoise Hardy.
Natural de Bruxelas, inovador e experimentalista, foi também fotógrafo, pintor e designer, tendo assinado cartazes de filmes (“Paris Texas”, “Taxi Driver” ou “As asas do desejo”), capas de discos (“It’s only Rock and roll”, dos Rolling Stones, ou “Diamond Dogs”, de David Bowie) ou “Rock Dreams” (1972), 25 quadros sobre sonhos imaginários de ídolos musicais.


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F. Cleto e Pina

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Retrospectiva de João Abel Manta

É inaugurada hoje, na galeria do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, a exposição “João Abel Manta – Caprichos & desastres”, comissariada por João Paulo Cotrim, que este ano editou um livro com o mesmo título, a propósito da consagração do autor com o prémio Stuart de Carvalhais.
Assim, no ano em que Manta completou 80 anos, esta selecção de quase uma centena de originais, dos muitos que o artista ofereceu à Câmara Municipal de Lisboa, em 1992, aquando da retrospectiva da sua obra gráfica, permite (re)descobrir um dos mais interessantes e estimulantes artistas plásticos que o século XX deu a Portugal.
Se os seus trabalhos mais conhecidos são as “Caricaturas Portuguesas dos anos de Salazar”, o célebre cartaz do MFA ou as capas que fez para o “JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias”, João Abel Manta foi um artista multifacetado, que experimentou os mais diversos géneros, estilos e técnicas, para traçar retratos corrosivos, por vezes até incómodos, de Portugal.
A mostra, de entrada gratuita, estará patente de terça a domingo, até 18 de Janeiro.


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F. Cleto e Pina

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Do mar profundo

Filme animado e livro ilustrado, De Profundis é uma história de paixão pelo mar

É no mar, desde sempre fonte de fascínio e terror, de calma e violência, de paixão e repulsa, de morte e de vida, que se centra De Profundis.

O filme, incluído no livro ilustrado (ou o inverso?), nasceu de pinturas a óleo animadas de forma tradicional e é como uma banda desenhada com movimento, pela qual a câmara navega, revelando pormenores, desvendando detalhes, guiando os nossos olhos fascinados. Porque nele, talvez como nunca, o desenho virtuoso de Prado brilha, reluz, cativa e atrai, realçado pela forma pausada como a acção decorre, qual passeio, melhor, qual mergulho extasiado, ao som da música original de Nani Garcia (indissociável da animação) interpretada pela Orquestra Sinfónica da Galiza.
Na origem desta história, simples e maravilhosa, combinação onírica de fantasia e lendas marítimas, está a paixão pelo mar (da Corunha, onde o autor vive). No seu centro, uma improvável mansão, assente num penedo no meio do imenso mar, que lambe a cada vaga a sua escadaria ao cimo da qual uma violoncelista toca belas e melancólicas melodias para si, para os cetáceos que cada fim de tarde passam (para a ouvir?), para o seu companheiro, pintor dos fascínios do mar.
Mas um dia, uma tempestade naufraga a traineira onde ele embarcou, mergulhando-o numa viagem iniciática pelo misterioso fundo do mar, onde redescobre tudo o que já pintou – memórias que desconhecia serem-no – de desfecho fantástico. Mais aberto no filme, que apela mais à descoberta, à capacidade de nos maravilharmos; mais directo no livro, de respostas mais concretas.



Da BD à animação
De Profundis (edição com DVD)
Miguelanxo Prado
Edições ASA

Nascido em 1958, Miguelanxo Prado, estudou arquitectura, dedicando-se à banda desenhada desde 1980. Uma das grandes referências da 9ª arte espanhola das últimas duas décadas, foi premiado em Angoulême, Barcelona, Amadora ou Roma, estando quase todas as suas obras editadas em Portugal.
Após trabalhar na versão animada de “Men in Black” (1997), produzida por Steven Spielberg, tem em “De Profundis” um projecto extremamente pessoal ao qual dedicou quatro anos de trabalho.


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“Foi aliciante desenvolver um novo design para as personagens”

Afirma Ricardo Tércio desenhador do quarto e último tomo de Avengers Fairy Tales

É hoje editado nos Estados Unidos o quarto e último “Avengers Fairy Tales”, sendo Ricardo Tércio o responsável pela criação gráfica da versão de “O Feiticeiro de Oz” escrita por C. B. Cebulski. O JN conversou com ele.

Nascido a “12 de Maio de 1976, ilustrador auto-didacta”, Ricardo Tércio cresceu “rodeado pelos filmes da Disney e os clássicos europeus de BD que cá chegavam, tendo começado a desenhar cedo, influenciado por eles”.
Depois dos “Spiderman Fairy Tales”, esta foi a segunda vez que trabalhou com Cebulski “que nos dá grande liberdade para sugerir o que melhor se adequa aos nossos estilos”. Com “um resumo da história”, o primeiro passo “foi desenvolver graficamente as personagens”. Uma vez recebido o argumento completo, “planifiquei a BD, foram inseridas legendas provisórias e o conjunto rodou pelos editores. Depois de tudo aprovado, desenhei a lápis, limpei o que estava a mais, colori em computador e foi inserida a legendagem”. Tal como na BD anterior, “pude manter a minha imagética das personagens: comecei por fazê-las num estilo menos “desenho animado”, mas as suas necessidades de movimentação acabaram por me levar de volta ao meu estilo”.
Foram “60 dias de trabalho”, com o aliciante de “poder desenvolver um novo design para as personagens”: She-Hulk (como Dorothy Gale), Thor (Espantalho) que “ficou muito engraçado e representa mais o meu estilo e a minha ‘freakalhice’”, Iron-man (Homem de Lata, claro), “que me deu especial prazer porque gosto muito de desenhar seres mecânicos”, a Feiticeira Escarlate (Bruxa Má do Oeste) e Magneto (Feiticeiro de Oz).
Considera difícil “inserir o romance numa BD de 23 páginas” e pensa que o “produto final é mais para os fãs da Marvel do que para os apreciadores do Oz original”. Até porque, acrescenta, “não sou apreciador da visão tradicional dos universos de magia e fantasia, pelo que tentei afastar-me o mais que pude de estereótipos como bruxas com vassouras e nariz grande”.

[Caixa]

Avengers Fairy Tales

Lançados em Março, os “Avengers Fairy Tales” são um projecto de C. B. Cebulski, argumentista e editor da Marvel, que nele revisita clássicos infantis, dando o protagonismo a super-heróis. Assim, o Capitão América foi Peter Pan, o Visão fez de Pinóquio, a Stature (re)interpretou Alice no País das Maravilhas e, agora, em O Feiticeiro de Oz, encontramos a She-Hulk como Dorothy Gale, a personagem que coube a Judy Garland no filme de 1938.
Os portugueses João Lemos, Nuno ‘Plati’ Alves e Ricardo Tércio foram escolhidos para desenhar três das histórias graças a portfolios entregue a Cebulski durante o festival de Angoulême, em 2005, tendo o tomo #3 sido desenhado pelo canadiano Takeshi Miyazawa.


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Marijac nasceu há 100 anos

Injustamente pouco lembrado nos dias que correm, Marijac, um dos grandes nomes da BD francesa, à qual dedicou quase 70 anos de vida como argumentista, desenhador e editor, nasceu há 100 anos.
Foi em Paris, contava o século XX apenas oito anos. Baptizado Jacques, recebeu o apelido de Dumas, como o grande romancista, e, como ele, criou uma obra vasta e multifacetada, na qual, como argumentista, desenhador, autor completo, chefe de redacção ou até editor, abordou todos os géneros e estilos, do western de “Jim Boum”, um dos primeiros criados na Europa, à ficção-científica de “Guerre à la Terre”, das narrativas de piratas de “Captain Fantôme”, ao humor de “Line et Zoum”.
Publicou as primeiras ilustrações em 1926, colaborou depois na revista “Coeurs Vaillants” e, tendo sido incorporado durante a Segunda Guerra Mundial, criou os jornais “La Vie est Belle” e “Le Chéval Mécanique”. Como os seus heróis, viveu aventuras: foi feito prisioneiro pelos alemães, mas fugiu; acolheu Hergé, o criador de Tintin, em sua casa durante a ocupação da Bélgica e uniu-se à resistência, para quem criou “Le Corbeau déchaîné” onde publicaria aquela que é possivelmente a sua obra-prima, “Les trois mousquetaires du maquis”, no qual satirizava os nazis, feitos eternos perdedores.
Após a guerra, criou e dirigiu durante quase 20 anos “Le Coq Hardi”, onde continuou a dar largas ao seu talento, a solo ou em colaboração com os grandes autores do seu tempo: Le Rallic, Cazanave, Poivet, Mathelot, Dut…, tocando sucessivas gerações de leitores de quadradinhos. Foi justamente consagrado com o Grande Prémio de Angoulême, em 1979.
Em Portugal, estreou-se nas páginas do mítico “O Mosquito”, podendo também ser encontradas diversas bandas desenhadas suas no “Cavaleiro Andante”.
Faleceu em Lyons-la-Forêt, França, a 21 de Julho de 1994.


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Civitelli: “Para Tex a vida começa aos sessenta anos”

Chamam-se Fabio Civitelli e Marco Bianchini, têm em comum serem italianos e desenhadores de Tex. Antes de virem comemorar os 60 anos do ranger este fim-de-semana no Festival de BD da Amadora, o Jornal de Notícias disparou-lhes algumas perguntas.
A exposição de Tex, a primeira fora de Itália com pranchas originais, promete ser um dos pólos de atracção do último fim-de-semana do 19º FIBDA, que está a decorrer no Fórum Luís de Camões, subordinado ao tema “Tecnologia e Ficção-cientifica”, o que origina a primeira questão: “Tex ainda faz sentido no mundo actual?” Civitelli, 53 anos, há 24 a desenhar o ranger, acha que sim porque “encarna valores que não têm época: o desejo de justiça, a consciência da igualdade entre os homens e a capacidade de os julgar apenas pelo seu comportamento”. A isto, Bianchini, 3 anos mais novo, recém-estreado como desenhador de Tex, acrescenta o “facto de o Oeste ainda hoje representar a aventura e uma fuga da rotina quotidiana”, afirmando que “a firmeza de Tex nos transmite sensações positivas”.
Civitelli considera que Tex, 60 anos depois da sua estreia, perdeu “a musicalidade da linguagem bonelliana”, defendendo o regresso “ao Tex duro e puro de G. L. Bonelli”, pois “hoje ele é menos impetuoso, mais reflectido, às vezes até menos protagonista; ”. Bianchini, por seu lado, contrapõe que “gostaria muito de encontrar personagens femininas nas suas aventuras, porque isso traria novos cenários e adversários difíceis de prever; seria interessante ver como Tex enfrentaria uma mulher, ele que está acostumado a resolver tudo com os punhos!”. Civitelli discorda pois “os nossos leitores dificilmente aceitariam modificações radicais. Na edição dos 60 anos, a cena do beijo entre Tex e Lilyth, por alguns foi vista como uma heresia, uma traição ao Tex dos velhos tempos!”
Considerando “um sonho” desenhar Tex após 20 anos na casa Bonelli, Bianchini, também professor na Escola Internacional de Comics de Florença, revela que o seu Tex se inspirou em desenhadores como “Ticci, Villa, Venturi ou Civitelli”, classificando-o como “tradicional, na melhor tradição da BD realista mundial que se formou entre os anos 70 e 90.”, contrapondo-o ao Tex “moderno, de leitura agradável e feito com extremo apuro” de Fábio Civitelli.
Este último, que já propôs “alguns argumentos, que Claudio Nizzi transformou em guiões”, admite que gostaria de desenhar uma história totalmente escrita por si. O seu traço foi “fortemente inspirado no Tex inovador de Ticci, por sermos ambos admiradores de desenhadores clássicos americanos como Alex Raymond e Milton Caniff. Mas depois de tantos anos o meu estilo suavizou-se; tento desenhar Tex da forma que o vejo: bem constituído mas não gigante, ágil mas forte, com uma expressão dura mas com um lampejo de ironia nos olhos e um meio sorriso de quem está seguro de si e das suas razões”. Do Tex desenhado por Bianchini, realça a renovação de “certas temáticas mágicas e misteriosas, com belas cenas de acção, mas sobretudo sugestivas atmosferas misteriosas e inquietantes”.
Autor escolhido para desenhar “Sul sentiero dei ricordi”, a BD a cores que assinalou os 60 anos do herói, considera-a “um momento muito marcante na minha carreira e uma etapa importante para Tex. Podemos dizer que para Tex a vida começa aos sessenta anos!”


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Precursor da BD e génio da ilustração nasceu há 150 anos

Ao ouvir o termo Caran d’Ache, a maioria certamente associa-o aos vulgares lápis de cor suíços, ignorando que a designação se deve ao pseudónimo de Emmanuel Poiré, génio da ilustração nascido há 150 anos.
Foi em Moscovo, onde o seu avô ficou após a retirada das tropas napoleónicas, a 6 de Novembro de 1858, que nasceu Emmanuel Poiré, que viria a tornar-se famoso sob o pseudónimo de Caran d’Ache, criado a partir da palavra russa “karadash” (lápis) proveniente no termo turca “kara dash” (pedra negra). Foi com ele que, a partir de 1880, assinou em diversos jornais (alguns editados por si), com traço expressivo e pormenorizado, inúmeros desenhos humorísticos e caricaturas que o tornaram um dos mais apreciados artistas gráficos do seu tempo. Entre eles é especialmente famoso o seu “Diner de famille” (1898), que ilustrava a profunda divisão que o Caso Dreyfus provocou na sociedade francesa, bem como a série dedicada ao tema militar que ele bem conhecia, por ter ingressado no exército francês para adquirir esta nacionalidade.
Poiré foi também um dos precursores da banda desenhada, tendo publicado a sua primeira sequência gráfica narrativa (“Histoire de Marlborough“) em 1885. Nove anos depois, propunha ao jornal “Le Fígaro” a realização de um “romance desenhado”, mudo, “para ser acessível a todos” intitulado “Maestro”. A sua carta ficaria sem resposta, o que o impediu de concretizar, quase um século antes, um dos géneros aos quadradinhos mais em voga nos nossos dias. Até nós chegaram 120 páginas dessa obra, impressas em 1999, pelo Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem, de Angoulême, tendo sido descobertos, dois anos depois, quatro cadernos com desenhos preparatórios, planificações das pranchas e a sinopse da história, que permitiram conhecer a técnica que o autor utilizava.
Caran D’Ache faleceu em Paris, a 26 de Fevereiro de 1909.


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F. Cleto e Pina

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“O mais importante da Turma da Mônica são os valores que transmite”

Chama-se Maurício de Sousa, nasceu há 73 anos no Brasil, completa 50 de carreira em 2009 e demonstra uma enorme vitalidade, notória nos muitos projectos que continua a desenvolver e a abraçar.
O principal, no momento, é a Campanha Educacional na China com a Turma da Mônica, “via Internet, desenvolvida a convite do governo chinês”, como faz questão de frisar. E entusiasma-se: “Imagine a oportunidade que temos de inculcar os nossos valores em 180 milhões de crianças daquela que vai ser em breve a nação mais poderosa do mundo!”.
Aliás, após meio século de “quadrinhos”, se mudaram “a linguagem e as ferramentas”, se há actualizações “devidas aos progressos tecnológicos”, se há “novas temáticas como a ecologia ou o respeito pela diferença”, algo permanece inalterado na Turma: “os valores que queremos transmitir: amizade, solidariedade, superação”.
Valores também presentes na Turma da Mónica Jovem, “o filho que de momento me exige mais cuidado, pois finalmente deixou o meu colo e está à vista de todos”, diz com um brilhozinho nos olhos que surge quando fala nos seus “rebentos”. Desenhado por si – “faço sempre o primeiro esboço de novas personagens” – com a ajuda “imprescindível da minha esposa, Alice Takeda, que faz rostos melhor do que eu e domina o que diz respeito a moda e vestuário”, é “uma versão adolescente em estilo manga dos heróis tradicionais”, com a narrativa dividida entre acção e fantasia, “de acordo com os gostos adolescentes” e o quotidiano dos protagonistas, o “que nos vai permitir abordar temas importantes para os jovens como acne, namoro, sexo seguro, gravidez indesejada ou incorporação no exército”, e que os portugueses conhecerão dentro de três meses. E se não vê problema “nas poses sensuais de Mônica e Magali ou em piadas com duplo sentido”, obrigou a “oito versões da capa do nº 4, em que a Mônica beija o Cebola” – e recusa mostrar “o Cascão na banheira, apesar de ele agora já tomar banho”. Porque a última palavra continua a ser sua, pelo que revê “1000 páginas de BD por mês” e todos os contratos passam por si.
Vocacionada para adolescentes, a “Turma da Mônica Jovem” é também lida “por adultos que querem ver como cresceram os heróis de infância e por crianças que querem saber como serão um dia”, o que fez dela um “sucesso, que nunca esperamos, embora sabendo que o trabalho bem feito geralmente gera bons resultados”, com a tiragem inicial de 50 mil exemplares quintuplicada após apenas 3 números, com o interesse da Cartoon Network na sua difusão mundial em desenhos animados e inúmeras solicitações para licenciamentos.
Afável, vibra com outros temas como a “nova série de animação computorizada”, o sucesso internacional da revista “Ronaldinho Gaúcho”, a possibilidade de concretizar “em breve dois parques temáticos em shoppings de Lisboa e Porto”, o desejo de ter ”dois dias de calma para criar as bases” duma versão do Homem-Aranha já anunciada ou a possibilidade do seu “Pelezinho se tornar na mascote da selecção brasileira de futebol”.
E, demonstrando uma enorme vitalidade, encontra tempo para “conversar regularmente com os fãs nos fóruns da internet”, de forma a “garantir a interacção com o leitor”, por isso os seus quadradinhos vendem 2 milhões de exemplares mensais no Brasil e são traduzidos em 30 línguas, contrariando os sinais de crise e de dificuldade de renovação de leitores da BD dita popular. Porque, conclui Maurício de Sousa”, “prefiro errar ao tentar fazer algo novo, do que acertar em algo já experimentado”.

António Alfacinha e o Acordo Ortográfico

Estreado em Julho de 2007, na revista “Cebolinha” #7, o “miúdo luso” da Turma da Mónica “tem andado algo fugido”, confessa o seu pai, apesar de aparições fugazes em duas histórias “que ainda não chegaram a Portugal”. Mas promete para breve ”uma história em quadrinhos protagonizada por ele”, bem como um papel fundamental na revista “Turma da Mónica – Saiba Mais #16 – Reforma ortográfica” (que deverá chegar às bancas portuguesas em Junho de 2009), no qual Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e o António Alfacinha dão a “conhecer as mudanças que aproximam todos os países que falam a língua portuguesa”.


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F. Cleto e Pina

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“Obrigada, patrão”, de Rui Lacas, Melhor Álbum Português de 2008

Foram divulgados ontem no 19º Festival Internacional de BD da Amadora, que decorre até ao próximo domingo, no Fórum Luís de Camões, os vencedores dos Prémios Nacionais de BD 2008.
O grande vencedor foi Rui Lacas que, com “Obrigada, patrão” (Edições ASA), conquistou os troféus para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento Português. O livro, lançado originalmente no mercado francófono pelas Éditions Pacquet, já havia sido distinguido em 2007 como Melhor Álbum Português em Língua Estrangeira.
O prémio para Melhor Desenho Português contemplou António Jorge Gonçalves, pelo seu trabalho em “Rei” (Edições ASA), enquanto “Madalena Matoso” era distinguida com o prémio Melhor Ilustração para Livro Infantil por “O meu vizinho é um cão” (Planeta Tangerina).
“Muchacho,Tomo 2”(Edições ASA), de Lepage, foi considerado o Melhor Álbum de Autor Estrangeiro, “Zits – Amuado, Aluado, Tatuado” (Gradiva), de Jerry Scott e Jim Borgman, recebeu a distinção para Melhor Álbum de Tiras Humorísticas, e o diptíco “Blueberry: A Mina do alemão perdido”/”O Espectro das balas de Ouro” (Edições ASA/Público), de Charlier e Giraud, foi escolhido como Clássico da 9ª Arte.
“Venham + 5 nº5” (Bedeteca de Beja) recebeu o prémio para Melhor Fanzine, o Prémio Juventude (atribuído por uma turma de Artes de uma escola da Amadora) distinguiu “Wanya, Escala em Orongo” (Gradiva), de Nelson Dias e Augusto Mota, e a Câmara Municipal da Amadora atribuiu o Troféu de Honra a Victor Mesquita.


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F. Cleto e Pina

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