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25 anos sem Hergé

Mais de 30 anos depois da sua última aventura, Tintin continua a marcar a actualidade; Original de “Tintin na América” vai a leilão por 300 000 euros; Abertura do Museu Hergé e filme com actores de carne e osso assinalarão os 80 anos do repórter em 2009

Na capa do jornal “Libération” de 4 de Março de 1983, inspirada na capa de “Coke en stock” (“Carvão no Porão”, na tradução portuguesa) era anunciada “A última aventura de Tintin”, e, na metade inferior, a vinheta circular, aberta no fundo negro, mostrava Tintin caído na neve do Tibete e Milu a uivar, anunciando: “Tintin morreu”. No interior, todas as notícias eram ilustradas com vinhetas da obra máxima de Hergé – aparecida pela primeira vez a 10 de Janeiro de 1929, nas páginas do “Le Petit Vingtième” -, mas era o seu falecimento, na véspera, que dominava a actualidade. A leucemia, na época apontada como sua causa, encobriu o vírus da SIDA, contraído numa das muitas transfusões sanguíneas que fez, a crer na explicação adiantada por Philippe Goddin, um dos maiores especialistas no autor, na biografia que lançou no final de 2007, ano em que se comemorou o centenário do seu nascimento.
Agora, 25 anos após a sua morte e mais de três décadas depois da última aventura do seu herói – “Tintin e os Pícaros” (1976) – Hergé e a sua obra continuam a marcar regularmente a actualidade, mostrando a importância assumida por uma das obras-primas do século XX. Uma das manchetes recentes, anunciava o leilão, a 5 de Abril, da pintura a gouache utilizada na capa original de “Tintin na América” (1931), com o incrível preço base de 300 000 euros!
Os 25 anos da morte do autor ficam indirectamente marcados pelo lançamento de “Tintin à la découverte des grandes civilisations” (edição “Fígaro” e “Beaux-Arts Magazine”), e também de “Tintin transports”, uma nova colecção de modelos à escala, na senda do êxito de “Os Carros de Tintin” (lançada em Portugal, pela Planeta DeAgostini), que reproduz momentos dos álbuns, como Tintin na lancha, rumo à “Ilha Negra” ou na jangada de “Carvão no porão”, com tiragem de apenas 10 000 exemplares, a preços (módicos…) entre os 40 e os 50 euros.
Para 2008, quando Tintin fará 80 anos, há já dois momentos marcantes: a inauguração do Museu Hergé, em Louvain-la-Neuve, e a estreia do primeiro de três filmes com actores de carne e osso sobre o herói de poupa, produzidos pela dupla Steven Spielberg/Peter Jackson. As filmagens começaram dia 27, mas pouco se sabe dele, para além de ser dirigido por James Cameron, basear-se no díptico “O Segredo do Licorne”/”O Tesouro de Rackham o terrível” e contar com Andy Serkis no papel de Capitão Haddock. Alguns sites especializados apontam o nome de Kirsten Myburgh para intérprete de Tintin.


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Disney aposta no manga

Adaptação do jogo Kingdom Hearts é a obra lançada neste estilo

A Disney Itália vai lançar este mês o primeiro volume de uma aventura protagonizada por Mickey Mouse aos quadradinhos em estilo manga (banda desenhada japonesa, caracterizada pelos olhos grandes e expressivos das personagens, predomínio da acção sobre o texto e utilização em grande escala de linhas indicadoras de movimento). É a primeira vez que um herói da Disney terá esta experiência, mas esta é uma iniciativa que está longe de ser original, o que mostra a cada vez maior importância deste género de BD no mundo ocidental. Na verdade, grandes editoras de quadradainhos já deram o mesmo passo: a DC Comics, editora de Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman, anunciou o lançamento, em Abril próximo, de uma aventura estilo manga deste último, desenhada pelo japonês Yoshinori Natsume, e a Marvel concedeu uma licença à Del Rey Manga para o lançamento de séries autónomas dos X-Men e de Wolverine, assinadas por autores norte-americanos, no início de 2009.
A colecção Disney Manga terá periodicidade mensal e vai recontar histórias marcantes do universo Disney, pelas mãos de artistas japoneses formadas na sua própria Academia.
A primeira obra, lançada já este mês, é a adaptação do jogo “Kingdom Hearts” cuja história narra o desapareciemnto do rei Mickey e a sua busca pelo mago Donald e o capitão Pateta, acompanhados de Sora, um menino de 14 anos que encontram pelo caminho. Na origem, este é um jogo de acção, de 2002, já com diversas sequelas, que cruza personagens da série Final Fantasy, da produtora de jogos Square, com alguns dos mundos Disney e os seus protagonistas (o País das Maravilhas e Alice, a Terra do Nunca e Peter Pan, a selva de Tarzan, etc.). A actual versão manga tem a assinatura de Shiro Amano, mas nela os heróis Disney mantêm praticamente o seu aspecto tradicional.
Depois dos quatro volumes de “Kingdom Hearts”, a colecção Disney Manga acolherá nos próximos meses adaptações de “Witch”, “Procurando Nemo”, “Monstros e Companhia” e “Lilo e Stitch”.


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Tex Avery nasceu há 100 anos

Génio da animação realizou quase centena e meia de filmes; deu vida a Bugs Bunny, Daffy Duck, Droopy e muitas outras personagens

A 26 de Fevereiro de 1908, a pequena cidade de Taylor, no centro do Texas, nos Estados Unidos, assistia ao nascimento de Fredrick Bean “Tex” Avery, um dos maiores génios que o cinema de animação teve. Depois de uma infância e adolescência sem história, formou-se na North Dallas High School, que tinha como um dos lemas a frase “What’s up, doc”, que Bugs Bunny celebrizaria anos mais tarde. Goradas diversas tentativas de vender bandas desenhadas da sua autoria, decidiu virar-se para a animação, tendo passado um Verão a estudar essa arte no Chicago Art Institute, começando depois a sua carreira de animador, como pintor de cenários, no início da década de 1930, no estúdio de Walter Lantz, o criador de Woody Woodpecker.
A meio dessa década, mudou-se para a Warner Bros, onde trabalhou com Bob Clampett e Chuck Jones, e nesse mesmo ano dirigiu o seu primeiro desenho animado, “Gold Diggers of ’49”, segunda aventura do gago Porky Pig. Dois anos depois apresentava ao mundo o pato mais emotivo e exasperante do cinema, Daffy Duck. Quando deixou a Warner, em 1941, após uma discussão com Leon Schlesinger, levava também no seu currículo a realização de mais de seis dezenas de filmes e o desenvolvimento da personalidade do temperamental Bugs Bunny e de muitos outros Looney Tunes.
De imediato entrou para a MGM, de Fred Quimby, que então acolhia também William Hanna e Joseph Barbera, onde teve total liberdade criativa que utilizou para criar algumas das melhores animações de sempre, marcadas por uma violência (inócua) irresistivelmente divertida, pelo humor assente na combinação da loucura absoluta com uma certa dose de realidade, na repetição de gag e situações e pela subversão das regras do meio em que trabalhava, numa época em que cada filme era uma (pequena) obra(-prima) única. E em que as produções animadas, se bem que divertidas para os mais novos, só podiam ser fruídas plenamente por adultos. Foi nessa época que imaginou o pacato Droopy ou o histérico Screwy Squirrell e as suas (pre)versões dos contos clássicos infantis. Destas, a mais famosa é, possivelmente, “Red Hot Riding Hood” (1943), protagonizada por uma capuchinho vermelho adulta, ruiva e com todas as curvas no sítio, um lobo playboy e uma avozinha ninfomaníaca.
Quase 20 anos depois, em 1954, deixou a MGM, voltando a trabalhar com Walter Lantz o tempo de dirigir quatro filmes e tornar popular o simpático Chilly Willy.
Depois disso, apesar dos muitos convites, Avery, manteve-se afastado do mundo da animação, tendo trabalhado em publicidade, destacando-se a criação do insecto do Raid e de The Frito Bandito, desenvolvido para promover uma marca de milho frito. Em 1979, aceitou um convite para ser argumentista e escritor de gags da Hanna-Barbera, mas esta ligação foi de curta duração, pois viria a falecer a 26 de Agosto de 1980, vítima de cancro.


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Banda Desenhada portuguesa editada em França

Pedro Brito e João Fazenda são os autores de “Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos”; Obra foi escolhida como o Melhor Álbum Português de 2001, no Festival de BD da Amadora

“Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos”, Melhor Álbum Português de 2001, no Festival de BD da Amadora, foi esta semana editada em França, sob o título “Celle de ma vie, celle de mes rêves”, pela 6 Pieds Sur Terre, uma pequena “editora que lança uma vintena de livros por ano”, explica o seu responsável, Jean-Philippe Garçon.
Um dos best-sellers da Polvo, com 3000 exemplares vendidos – “um caso raríssimo para uma BD independente”, acentua Rui Brito, o editor, que revela que actualmente há “interesse de uma editora polaca neste título” – tem assinatura de Pedro Brito (argumento) e João Fazenda (desenho).
Minúscula gota de água “num universo editorial com excesso de produção”, diz Garçon, que registou em 2007 mais de 4000 títulos de BD, o livro, com “uma tiragem de 1400 exemplares”, foi escolhido “pelo notável trabalho gráfico de Fazenda e pelo humor frio com que Brito aborda as relações muitas vezes duvidosas entre o meio artístico e o seu lado comercial”.
Brito, nascido em 1975, licenciado em Design de comunicação pelo I.A.D.E., “há 12 anos a fazer cinema de animação, com quatro filmes realizados”, recorda a génese da obra: “foi a conjugação de várias ideias soltas que, se desenvolveram e formaram uma história só. Contei-a ao João Fazenda, ele gostou e convidei-o para a desenhar. Ainda bem que o fiz, a história ganhou imenso com isso”. Esse é, aliás, o ponto forte que todas as críticas apontam: o original grafismo, bicromático, “com a cor vermelha que se ajusta ao preto e branco, como um complemento indissociável (…) nalgumas vinhetas decompondo o movimento de uma forma muito original (…) O resultado é genial!”, pode ler-se num site especializado francês.
Brito, também desenhador, relembra que “o conceito e a planificação do livro foram feitos em conjunto; o João vinha sempre com ideias novas, a discussão e partilha de tudo foi bastante importante. Trabalhar com o João foi extremamente gratificante, adorava que voltasse a acontecer”.
Desse trabalho conjunto nasceu “um livro que sabíamos que era arrojado, mas era O Livro que realmente queríamos fazer, sem barreiras nem limitações de qualquer espécie”. Receosos da reacção do público – “pensámos que haveria bastante gente que não gostasse, ou porque o traço era quase esboço ou porque o argumento era quase banal, de situações quotidianas” – ficaram surpresos como “tanta gente se identificou com a história e o trabalho do João”.
Agora, oito anos depois, sente “um certo distanciamento em relação ao livro” que, apesar de tudo, “não mudou nada na minha vida”. Mas, vendo a edição francesa como “um acontecimento um tanto ou quanto distante”, não deixa de referir que ela “foi bem recebida em Angoulême”, e confessa que “pode dar um empurrãozinho, porque o bichinho da BD ainda anda por cá e pode ser que haja uma surpresa a médio prazo”.

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O livro

“Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos” para além de ter um belo título, é um relato com uma expressividade e um realismo poucas vezes vistos entre nós. Como pretexto, a história de um casal de artistas: ela, pintora em busca de mecenas; ele, (candidato a) escritor, em busca de editor para o seu romance, e de inspiração para uma banda desenhada. Inspiração que acaba por encontrar na sua própria vivência. O motivo real desta intensa história de Pedro Brito, simultaneamente sensível e violenta, é uma reflexão sobre a convivência dos casais e a falibilidade das relações, quando a felicidade existente é superada pelos conflitos, criados pela incapacidade de aceitação das diferenças, e trocada pelo desejo de incertas carreiras e pela perseguição de sonhos que, normalmente, não passam disso, embora o autor sugira (sonhando?) o contrário.
Fazenda, complementa o todo, com um traço fino, quase só esboço, com elegantes pinceladas de vermelho que dão cor, volume e substância ao desenho.. O seu traço “inacabado” retrata na perfeição a busca, a insegurança e a incerteza dos protagonistas que perpassa por toda a narrativa, bem como o lado onírico de algumas sequências.


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Leonardo DiCaprio vai produzir Akira

Manga de Katsuhiro Otomo abriu portas do Ocidente à BD japonesa; Primeiro de dois filmes deverá estrear já em 2009

A Warner Bros. vai produzir uma versão em imagem real de “Akira” (1986), de Katsuhiro Otomo, numa parceria com a Appian Way, do actor Leonardo DiCaprio. A obra – uma combinação entre “Blade Runner” e “Cidade de Deus”, lê-se no anúncio oficial – será dividida em dois filmes, devendo o primeiro estrear já em 2009.
A realização foi entregue a Ruairi Robinson, um irlandês, de 29 anos, indicado para o Óscar para Melhor Curta-Metragem por “The Silent City” e o argumento adaptado será da autoria de Gary Whitta, restando saber se o filme vai estar mais próximo do manga ou da versão animé (cinema de animação japonesa), também da autoria de Otomo, pois entre as duas há diferenças significativas. De qualquer forma, uma e outra são consideradas obras-primas.
“Akira”, o manga, demorou 11 anos a ser concluído e, ao longo de quase 2000 pranchas (integralmente editadas em português, em 19 volumes, entre 1988 e 2004, pela Meribérica/Líber), é uma fantástica saga, narrada a um ritmo vertiginoso de cortar a respiração, ambientada num futuro próximo, numa Tóquio devastada por uma explosão nuclear, onde o exército, a resistência, um bando de marginais de rua e uma seita semi-espiritual lutam pelo controlo de Akira, uma criança com imensos poderes mentais provocados por experiências não autorizadas. Este foi o primeiro manga a ter sucesso no Ocidente, tendo aberto a porta à invasão que hoje se verifica, traduzida em quotas na ordem dos 40 % em mercados fortes como o norte-americano ou o francófono.
A versão animé, também disponível em português, foi feita dois anos depois – ainda a BD estava longe de ser concluída – e revolucionou o mundo da animação, graças aos progressos técnicos apresentados, destacando-se a sincronização do movimento dos lábios, a altíssima definição das imagens e a naturalidade dos movimentos.


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BD sobre a PIDE editada em Itália

Sonno elefante é “uma metáfora sobre a perda da memória de um lugar”, disse ao JN o autor, Giorgio Fratini

Acaba de ser editada em Itália, pela editora BeccoGiallo, uma banda desenhada cuja história “roda à volta de um lugar tristemente famoso de Lisboa, a ex-sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso”, revelou ao JN o seu autor, o italiano Giorgio Fratini.
Nascido a 23 de Novembro de 1976, é “arquitecto, licenciado pela Faculdade de Arquitectura de Florença” e esteve em Portugal “pela primeira vez em 2000, para estudar arquitectura ao abrigo do programa Erasmus”.
A Lisboa, voltou “várias vezes” e dessas estadias nasceu “Sonno Elefante – I muri hano orecchie”, cujo título, diz, “é uma metáfora sobre a perda da memória de um lugar, de um pedaço da história”. Algo como “o sono da memória”, acrescenta Fratini, cujo traço a preto e branco, matizado de cinzentos, em que se destaca o tratamento realista dado aos edifícios, que contrasta com o tom semi-caricatural das personagens, e a agradável e multifacetada composição das páginas, não deixam adivinhar tratar-se da sua primeira obra.
O ponto de partida para a história foi a descoberta de que a antiga sede da PIDE, iria ser “remodelada, dando lugar a um conjunto de apartamentos de luxo e lojas”. Nada de especial, a acreditar nas palavras de uma personagem, logo nas primeiras páginas do livro: “E então? Um dia há uma coisa, depois outra; é normal, não é?”.
A história, resume o autor, está “ambientada poucos anos antes da Revolução dos Cravos e segue os destinos de Zé, Marisa, Leon, Maria e Afonso”, ligados àquele “palácio nefasto, como aconteceu a milhares de cidadãos portugueses comuns”. Entre eles “há quem se oponha, quem traia, quem colabore, quem se anule e quem morra. E um deles, muitos anos depois, volta àquele lugar trazendo consigo o que considera impossível cancelar: a própria história”. E recorda “o terrível passado do edifício, as crueldades que tiveram lugar dentro daquelas paredes, os gritos e lágrimas sufocados naqueles quartos, lutando, à sua maneira, contra a destruição da memória de todas as vidas ali perdidas na luta pela liberdade”, conclui o editor, Federico Zaghis.
Uma história narrada ao longo de pouco mais de uma centena de pranchas, “inspirada parcialmente em factos reais, trabalhados pela minha imaginação”, para a qual Giorgio Fratini, “para além da Internet”, teve que “fazer pesquisas no Arquivo da PIDE, na Torre do Tombo, e no Centro de Documentação 25 Abril da Universidade de Coimbra, bem como no arquivo fotográfico em linha da Câmara Municipal de Lisboa, fundamental para a iconografia dos anos 70” em que decorre boa parte de “Sonno Elefante”, para já sem edição prevista no nosso país, embora “haja alguns contactos com editoras portuguesas”, revela o autor.


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Turma da Mônica chega à China

Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e todos os outros componentes da Turma da Mônica, acabam de acrescentar mais uma língua ao seu já longo currículo verbal, desta vez aquela que mais pessoas utilizam no mundo: o mandarim.
Na verdade, cinco revistas da série “Saiba Mais!” foram lançadas na China pela OEC – Online Eucation China, no seguimento de uma parceria estabelecida por aquela editora e pelo Consulado do Brasil de Xangai. O projecto estava em estudo há mais de um ano, tendo agora sido concretizado.
Os cinco títulos, protagonizados pelas principais criações de Maurício de Sousa, têm uma vocação didáctica e abordam os seguintes temas de forma leve e divertida: “Descobrimento do Brasil”, “Fenómenos da Natureza” (que chegará às bancas portuguesas em Março, uma vez que esta colecção está a ser distribuída bimestralmente entre nós desde o mês passado), “Futebol”, “Meio Ambiente” e “Imigração”. Para além das histórias aos quadradinhos as revistas incluem também passatempos educativos.
A China junta-se assim à meia centena de países que lê regularmente as histórias da Turma da Mônica, entre os quais, Espanha, Indonésia, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em entrevista ao Jornal de Notícias, em Novembro de 2006, aquando da sua passagem pelo Festival de BD da Amadora, Maurício de Sousa, que nasceu em 1935, revelou que a “internacionalização” das suas criações implica alguns cuidados, para que não sejam feridas susceptibilidades em cada um dos mercados, confessando que os Estados Unidos são um dos mais susceptíveis.
Principal embaixadora dos quadradinhos brasileiros, com vendas mensais no Brasil na ordem dos dois a três milhões de exemplares, a Turma da Mônica viu nascer as suas primeiras personagens, Bidú e Franjinha, em 1959, então no formato de tiras de imprensa que Maurício de Sousa vendia directamente aos jornais. O mais recente menino da Turma é português, tem o nome de António Alfacinha e fez a sua estreia na revista “Cebolinha #7”, ainda nas bancas portuguesas.


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José Luís Salinas nasceu há 100 anos

Autor argentino foi o desenhador de “Cisco Kid”, o cowboy romântico; “Dick o Goleador”, outra das suas criações, foi publicado nas páginas do JN

José Luís Salinas nasceu há 100 anos, em Buenos Aires, no bairro Flores. Se o seu nome pouco dirá à maioria das pessoas, com certeza despertará outras recordações se for associado a duas das suas mais famosas criações. Aos leitores do JN, serve a informação de que o criador gráfico de “Dick, o goleador” (ver caixa). E, nas páginas da revista “Mundo de Aventuras”, cavalgou durante muitos anos a maior criação de Salinas, “Cisco Kid”, o cowboy que se distinguia por ser mexicano, um galã e por primar no bem vestir, sempre acompanhado pelo também mexicano Pancho, cujo aspecto rechonchudo e carácter implicativo constrastam com o porte atlético e os modos gentis de Cisco.
Esta obra, nascida em 1951, marcou também uma mudança profunda na carreira do desenhador, que deixara o seu país natal dois anos antes para ir para os Estados Unidos, onde se tornou o primeiro argentino a trabalhar para o poderoso Kyng Features Syndicate. Os argumentos de “Cisco Kid” eram de Rod Reed e tinham como ponto de partida um conto de O. Henry intitulado “The Caballero’s Way”, levado ao cinema, em 1929, com tal sucesso, que deu origem a um sem número de aventuras. Sucesso que se estendeu à BD, tendo a série sido publicada simultaneamente em cerca de 400 jornais de todo o mundo. Salinas, que entretanto regressara à Argentina, assinou este western até 1968, na fase final com o auxílio do seu filho Alberto Salinas, também autor de BD.
Da sua bibliografia merecem também destaque “Hernán, el corsário” (1936), a sua primeira história aos quadradinhos, ou as adaptações que fez nas décadas de 30 e 40 de clássicos de Alexandre Dumas, Ridder Hagard ou Emilio Salgari.
José Luís Salinas, distinguido em 1976 com o Yellow Kid do Festival de Lucca, Itália, pelo conjunto da sua obra, viria a falecer a 10 de Janeiro de 1985, um ano depois de ter sido declarado “Cidadão Ilustre” pela cidade de Buenos Aires.

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Dick, o goleador

“Dick, o goleador” (“Gunner”, no original), desenhado por José Luís Salinas em 1971, a partir de guiões do também argentino Alfredo Grassi, foi presença diária nas páginas do JN, durante alguns anos, no final da década de 70. Apesar de só o ter assinado durante pouco mais de um ano – Dick foi depois entregue a Lucho Oliveira, Tobias e Andrew Klacik – Salinas deixou como marcas o seu traço auto-didacta, pormenorizado, expressivo e dinâmico, que serviu às mil maravilhas esta tira diária sobre um craque de futebol sul-americano que, com os seus dois amigos Jeff e Poli, também jogadores, experimentou grandes sucessos dentro das quatro linhas e viveu movimentadas aventuras de cariz policial fora delas.
Em Portugal, ainda, a revista “Mundo de Aventuras”, rebaptizou-o “Dick, o avançado-centro” e publicou várias das suas histórias na sua 5ª série, na mesma altura em mais tarde, em 1986, a Editorial Futura lançaria, uma recolha, desta vez intitulando-o “Dick, o campeão”, na sua colecção “Aventuras”.


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Casamento de Sarkozy satirizado em cartoon

“Conte de fées à l’élysée”, do cartoonista Jul, tem tiragem de 40 mil exemplares e foi fabricado em apenas três semanas

Num país como a França, em que a banda desenhada tem uma importância indiscutível, do ponto de vista artístico e económico, a relação entre Nicolas Sarkozy, actual presidente da república francesa, e a ex-modelo e cantora Carla Bruni, não podia passar ao lado dos quadradinhos. Agora, o “par romântico”, para lá da presença constante nas revistas satíricas, é também protagonista (involuntário) de “Conte de fées à l’Élysée” (edição da Glénat), uma recolha de cartoons de Jul, lançada ontem, com uma tiragem de 40 mil exemplares, quase em simultâneo com a realização do enlace e com um tempo de fabrico recorde: apenas três semanas.
Mesmo sem ter sido convidado para o casamento em segredo que teve lugar na semana passada, Jul, ao longo das 64 páginas do livro, mostra estar por dentro de tudo o que diz respeito à tão badalada união, da lista de convidados (e dos interditos) à roupa dos nubentes, da decoração do local ao bolo do casamento (incluindo a adição à última da hora de uns tacões extra em nougat aos sapatos do noivo, para que a diferença de alturas não fosse tão evidente!), não se poupando sequer a retratá-los como Branca de Neve e um dos sete anões. Situações recriadas com o seu traço característico – próximo do de Wolinsky – simples, directo, expressivo, completamente despido de pormenores acessórios para que o humor tenha todo o destaque. Humor que assenta numa sátira feroz e determinada à sociedade e ao mundo, sem tabus nem concessões.
Nascido em Paris, em 1974, Jul, depois de uma experiência como professor de História da China na universidade, tornou-se cartoonista, publicando nas revistas humorísticas “Charlie Hebdo” e “Le canard Enchainé” (onde nasceram alguns dos actuais desenhos), entre outras publicações. A globalização foi o tema do seu primeiro grande sucesso, “Il faut tuer José Bové”, tendo igualmente utilizado a sua veia satírica para retratar o choque de civilizações através do diário íntimo do “casal” Bin Laden/Georges Bush. “Le Guide du motard pour survivre à 9 mois de grossesse” valeu-lhe o Prémio Goscinny em Dezembro último.
Esta não é a primeira vez que Nicolas Sarkozy é alvo do traço (e da troça) dos seus concidadãos, longe disso, já que antes da sua eleição foi herói de títulos como “La Face kärchée de Sarkozy”, que vendeu 200 000 exemplares, “Tout sur Sarko” ou “Le petit Nicolas à l’Elysée”.


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Batman em manga

Japonês Yoshinori Natsume é o autor de “Death mask”; Nova aventura do Homem-Morego disponível em Abril

A DC Comics anunciou que vai lançar no início de Abril o primeiro tomo de uma mini-série intitulada “Batman: Death mask”, que tem a particularidade de ser desenhada no estilo manga (BD japonesa). E ao contrário do que é quase norma nos últimos tempos, não serão autores ocidentais a “clonar” aquele estilo asiático, mas será o autor nipónico Yoshinori Natsume que assinará argumento e desenho da nova aventura do Homem-Morcego.
Na nova aventura Batman terá que defrontar um serial killer que assola Gotham e que parece ser um mestre de artes marciais que treinou Bruce Wayne na sua juventude, podendo assim conhecer a sua identidade secreta.
Natsume, nascido a 23 de Agosto de 1975 e autor profissional há uma dúzia de anos, é o criador de “Toguri”, um manga de sucesso em oito volumes, direccionado para leitores adolescentes, que narra a saga de Tobe, um assassino a quem, após 300 anos no inferno, é dada uma nova oportunidade: voltar ao mundo dos vivos para capturar os demónios que possuem os humanos e os levam a praticar o mal. Natsume não é o primeiro japonês responsável por uma aventura do Homem-Morcego, pois já em 2000, Kia Asamiya assinou “Batman: Child of dreams”.
“Batman: Death mask”, que terá quatro tomos de 48 páginas, a preto e branco, é mais um sinal da importância crescente dos manga (também) nos Estados Unidos, onde há poucas semanas a Marvel anunciou ter concedido uma licença à editora Del Rey Manga, para esta lançar novas colecções dos X-Men e de Wolverine, naquele estilo.
Entretanto, em Junho ficará disponível em DVD, nos EUA, “Batman – Gotham Knight”, um conjunto de seis curtas-metragens animadas em estilo japonês, escritas por nomes consagrados dos quadradinhos americanos, como Brian Azzarello ou Greg Rucka. A sua adaptação em BD, que está a ser feita pela veterana Louise Simonson, chegará às livrarias poucas semanas antes. Os acontecimenos desta série animada, situam-se cronologicamente entre os eventos narrados nos filmes “Batman Begins” (2005) e “The Dark Night”, que estreará a 18 de Julho próximo.


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