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Emigração

Um homem despede-se – de forma pungente. Um homem parte. Só, com uma mala de mão. Com poucos pertences e uma fotografia. Talvez o mais valioso de todos. Uma fotografia de uma família, a sua. Ele, a mulher e uma filha pequena. O homem parte para longe. Para o outro lado de um vasto oceano. Para um admirável – mas assustador – mundo novo. De linguagem incompreensível. De escrita indecifrável. Com novos animais, novas plantas, novos alimentos. Lá chegado, só, tem que arranjar alojamento, um emprego.

Esta é a história de muitos (de quase todos?) os emigrantes: abandonar os entes queridos para procurar melhores condições de vida (sonhos?). E é também a história do notável “Là où vont nos pères” (Dargaud). Notável porque é um enorme romance mudo, feito de imagens aparentemente soltas, trabalhadas a lápis, em incómodos tons de cinzento e sépia, por Shaun Tan. Notável pela forma como explode em imagens de página inteira ou as monta até 30 por página, como forma de apressar ou retardar o ritmo da narrativa, de revelar mudanças de espírito, de nos surpreender numa paisagem, de nos reter num pormenor, de nos emocionar numa descoberta ou com um revés. Notável na forma como retrata o desconhecido, como transmite emoções e sentimentos, como ilustra o passar do tempo.

Notável, ainda, porque diz, porque faz acreditar que a integração é possível, que os sonhos se concretizam.


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300: A História segundo Frank Miller

Embora (re)conte a célebre batalha das Termópilas, na qual 300 espartanos resistiram até à morte a milhares de persas, “300” (edição em português da Norma) está longe de uma abordagem histórica rigorosa, preferindo Frank Miller (um génio dos quadradinhos responsável por obras incontornáveis como “Batman: O regresso do Cavaleiro das Trevas”, “Daredevil: Born Again” ou “Sin City”), ao bom estilo americano (não é difícil ver aqui os espartanos quase como super-heróis, em defesa de valores como a honra, o orgulho e o dever), transformar este combate num confronto entre a democracia (musculada de Esparta) e a tirania (escravizadora da monarquia persa), fazendo dela, assim, um grandioso épico.
E para lhe dar também graficamente essa dimensão, Miller optou pelo formato italiano (deitado), com muitas das pranchas duplas a funcionarem como uma só, proporcionando uma visão panorâmica (com muito de cinematográfico, evocadora dos filmes em 70 mm), integrante de uma planificação arrojada e hiper-dinâmica, com utilização alternada de picados, contra-picados, grandes planos e visões de conjunto, muitas vezes parecendo ter uma câmara a voltear loucamente pelo cenário, que conferem à narrativa um rimo alucinante, que só o texto faz pausar, quando necessário, num todo acentuado pelas cores de Lynn Varley, colorista e mulher de Miller, tão importantes na obra que a levam a ser creditada na capa com o mesmo destaque que ele.


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Alentejanos

Espanhóis, africanos, louras. E alentejanos. Todos eles (e outros mais), por uma razão ou por outra, foram/são alvos do anedotário nacional, muitas vezes por simples transposição das situações alterando os protagonistas, outras criando novas histórias ou modernizando-as numa adaptação aos tempos correntes ou às novas realidades.

Sergei, em “Os compadres” (edição da Polvo), nascidos no seu site, começou por adoptar algumas das anedotas correntes, explorando também os estereótipos comummente associados aos alentejanos (com a preguiça à cabeça), para progressivamente se libertar um pouco, dando vida própria às personagens e tornando-as mais ricas e divertidas.

A crítica do quotidiano, natural numa tira publicada semanalmente num jornal, no caso o “Diário do Alentejo”, desde 2003, é a principal característica dos intervenientes em “Ribanho” (Prime Books), no qual dois alentejanos de gema, Luís Afonso (o argumentista) e Carlos Rico (desenhador e tradutor dos diálogos para o sotaque “alentejanês”) mostram como os tais alentejanos, tantas vezes satirizados e mesmo ridicularizados, são capazes de um olhar crítico, sagaz e cáustico sobre o resto do país (em especial sobre os governantes, comodamente instalados na “longínqua” capital) fazendo-nos, por uma vez (ou muitas, tantas quantas as tiras recolhidas no álbum) rir (não dos mas) com os alentejanos.


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O adeus a Marshall Rogers, desenhador de Batman

Aconteceu no domingo, mas só ontem foi tornada pública, a morte de Marshall Rogers, um dos mais proeminentes desenhadores do Batman, na década de 70.

Nascido a 21 de Janeiro de 1950 – contava apenas 57 anos – Rogers trabalhou durante algum tempo como ilustrador, até entrar para a DC Comics em meados dos anos 70, onde o seus primeiros trabalhos aos quadradinhos, baseados em fortes contrastes de branco e negro deram nas vistas, tendo-se tornado em poucos meses o desenhador regular das séries “Mr. Miracle” e “Detective Comics”, esta um dos principais títulos com as aventuras de Batman. As histórias que desenhou ali, escritas por Steve Englehart, nas quais o lado cerebral predominava sobre a acção, são consideradas uma interpretação definitiva do lado negro do Cavaleiro das Trevas, destacando-se no seu traço o aspecto proporcionado do herói, longe das versões irrealistas e hiper-musculadas, e o detalhe com que trabalhava os edifícios, fruto, talvez, da sua formação em arquitectura.

Rogers desenharia igualmente Superman e Lanterna Verde, entre outros, tendo depois trabalhado para a Eclipse Comics e para a rival Marvel, na década seguinte, onde deu vida no papel ao Homem-Aranha, Surfista Prateado e Doutor Estranho. No início dos anos 90, abandonaria os quadradinhos para se dedicar à indústria de videojogos, mas retornaria à BD em 2005, sempre em parceria com Englehart, na mini-série “Batman: Dark Detective”. estando ambos actualmente a trabalhar noutro projecto que fica, para já, inacabado.


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Exemplo

“Prédicition” (Delcourt) exemplifica bem o modelo tradicional de edição de banda desenhada franco-belga: álbum cartonado, com 48 páginas a cores, com uma história a ser desenvolvida em vários tomos.

E como quase sempre acontece, este volume inicial – “Fatale Mélodie”- desperta e capta a atenção do leitor, enredando-o numa série de premissas, todas deixadas em aberto no seu final, como forma de o fazer ansiar pela continuação da série. Para lá da questão base da narrativa – “O que fazer quando se tem 39 dias de vida?” – outras são abordadas: a rejeição da religião (e também da arte do equilibrismo) pelo protagonista, devido a um acidente na adolescência que matou parte da sua família; a utilização da arte – escultura, no caso – como forma de libertação interior; a sua complicada relação com a esposa, Carole, internada num asilo psiquiátrico, e, de certa forma, com as mulheres em geral; as estranhas capacidades de Mélodie, igualmente internada e a autora da previsão (só ou algo mais?) da data da morte do protagonista, entre outros …

Para que “Prédiction”, que assenta no traço realista, expressivo e competente de Rotundo, não seja mais uma série de início prometedor que depois rapidamente se esvazia, Pierre Makyo, veterano com provas dadas, terá que ligar capazmente todas estas pontas soltas, como já fez, por exemplo na excelente “Balade au bout du monde”.


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“A liberdade de expressão está posta em causa em França”

Afirma Joann Sfar, devido ao processo contra a revista “Charlie Hebdo” por ter publicado as caricaturas dinamarquesas de Maomé, cuja sentença é conhecida hoje; Autor transcreveu em BD tudo o que se passou em tribunal; Livro chegou ontem às livrarias francesas

A 7 de Fevereiro de 2006, a revista satírica “Charlie-Hebdo” publicava três das polémicas caricaturas dinamarquesas de Maomé, tendo, na capa, um desenho de Cabu, no qual o profeta, com as mãos na cabeça, afirmava “Só sou amado por idiotas”. A revista seria processada pela Grande Mesquita de Paris e pela União das Organizações Islâmicas de França, cujos autos decorreram a 7 e 8 de Fevereiro. A eles assistiu Joann Sfar, autor de BD com 35 anos e quase uma centena de álbuns, que anotou tudo o que se passou no tribunal, saindo de lá “com a mão desfeita”, para o relatar num álbum de BD, intitulado “Greffier” (que tanto pode significar “escrivão” como “gato”), editado pela Delcourt.

Isto porque “este não é um processo qualquer; é um processo feito a desenhadores que admiro e com os quais trabalhei”, justificou Sfar em declarações ao Jornal de Notícias. “Defendo-os com os meus meios: o desenho. Mas, mais do que fazer desenhos militantes, prefiro contar os debates do tribunal, para que o livro tenha um efeito pedagógico. Não pretendo afrontar ninguém, só explicar o que está em jogo”.

A leitura da sentença está marcada para hoje, mas a obra, o sexto caderno autobiográfico de Sfar, com 240 páginas, criadas ao correr da pena, com um traço espontâneo, muitas vezes próximo do simples esboço, outras mais trabalhado, numa diversidade de estilos que, não retiram ritmo, vivacidade nem legibilidade ao conjunto, que revela uma excepcional capacidade comunicativa, chegou ontem às livrarias francesas porque “queria fazer compreender que, quando assistimos a este género de processos, não conhecemos a sentença de imediato. Por outro lado, o livro é eminentemente político e eu quero que ele alimente o debate público que neste momento tem lugar em França”.

Assumindo que, ao contrário de um escrivão, tem “uma visão obviamente subjectiva”, Sfar declara-se “abertamente um defensor da liberdade de expressão e um inimigo irredutível dos que gritam: blasfémia!”. No entanto, “esforcei-me por contar integralmente os debates”.

Não conseguindo sequer imaginar “que a Charlie-Hebdo perca, porque isso colocaria em causa os ideais de liberdade que a França sempre defendeu”, conclui: “actualmente pede-se aos jornalistas e à imprensa para serem comedidos, para se controlarem; é terrível. É a liberdade de expressão que é posta em causa. É preciso batermo-nos contra isso”.


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Com D grande

Está nas livrarias o segundo álbum de Astérix em mirandês, “L Galaton” (“O Grande Fosso”), a história de uma aldeia dividida ao meio por uma querela. Se a notícia para a maior parte dos leitores de BD, vale só pela curiosidade, merecerá mais atenção se acrescentar que a edição inclui um segundo caderno que reproduz a mesma história (em francês, vá-se lá compreender porquê…), a preto e branco, no formato italiano, a meia prancha por página, 35% maior que a versão colorida, o que permite admirar pormenorizadamente o excelente trabalho de Uderzo.

Se em “Astérix, o gaulês”, estreado em Outubro de 1959 na “Pilote”, o traço era algo agreste, de contornos rígidos e, por vezes, mostrava algumas dificuldades em representar movimento, uma análise mais cuidada revelava, ainda “em bruto”, alguns dos principais méritos do desenhador que tanto contribuíram para o êxito da série: bom domínio da planificação, do ritmo e do sentido de leitura. E se ao longo do álbum era notória já uma evolução assinalável, seria preciso esperar até “Astérix e os Normandos” (1967) para que as suas potencialidades se revelassem em todo o esplendor, confirmando Uderzo como um grande desenhador, muitas vezes imitado mas nunca igualado, no seu traço suave, vivo e dinâmico, nos seus heróis de formas arredondadas e grandes narizes e pela sublimação das outras qualidades já referidas.


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Lendas urbanas

O homem desde sempre teve medo. Medo do que o rodeia. Medo do desconhecido. Medo do que o ultrapassava. Medo dos poderosos. Medo da religião – dos religiosos…

Desses (muitos) medos nasceram histórias e lendas que se perpetuaram de geração em geração e passaram a fazer parte do imaginário de cada região, de cada país. Assim nasceram (?) os vampiros, os lobisomens, as bruxas e tantas outras fontes de medo.

Esses medos, evoluem com o tempo, com o próprio homem, assumindo novas formas adaptadas às novas realidades.

“Les véritables Légends Urbaines” (Dargaud), de que acaba de ser editado o primeiro tomo, escrito por Corbeyran e Guérin, explora histórias do nosso imaginário, num registo de terror, algumas das quais, provavellmente, já ouvimos contar como tendo acontecido “a alguém conhecido de fulano” ou algo assim. Histórias, com base verídica ou não, nascidas em rumores ou na (fértil) imaginação humana (a quem o medo dá asas…), que estas BDs exploram pelo seu lado mais negro, seja o gang que circula de luzes apagadas e abalroa todos os que lhes fazem sinais de luzes, sejam várias versões de assassinos dentro de casa, ilustradas por Guérineau (que com uma planificação diversificada, com múltiplas vinhetas, consegue imprimir um ritmo e um clima de tensão em crescendo à narrativa), Damour, Henriet e Formosa (cujo traço violentamente caricatural acentua o lado negro da história).


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A Bíblia em versão manga

Edição com o Novo Testamento lançada na Inglaterra; Versão integral deverá sair em Julho

A editora inglesa Hodder and Stoughton acaba de lançar no mercado britânico uma nova adaptação da Bíblia em banda desenhada, que tem, no entanto, a particularidade de ser em estilo manga (BD japonesa).

A obra está disponível em duas versões, “The Manga Bible: New Testament – Raw” e “The Manga Bible: New Testament – Extreme”. Em ambos os casos trata-se apenas da adaptação condensada do Novo Testamento, incluindo ambas as edições uma entrevista com o autor e esboços das diversas fases preparatórias da obra. A diferença entre ambas é que “The Manga Bible: New Testament – Extreme” é mais luxuosa, tem formato maior e inclui o texto integral do Novo Testamento, na sua nova versão internacional.

O autor de “The Manga Bible” assina Siku, é natural de Leicester, Inglaterra, estudou arte conceptual, pintura e escultura na Nigéria, e desenhou BD para as editoras 2000AD e Marvel, para além de ter sido director visual de uma empresa de vídeo-jogos, tendo já anteriormente feito uma versão aos quadradinhos do drama bíblico de Caim e Abel. Cristão praticante, finalista da London School of Theology, esta é a sua primeira experiência em manga, tendo a opção por este estilo surgido naturalmente pois o público-alvo da edição “são os adolescentes e os adultos jovens”.

Para esta adaptação trabalhou com o seu irmão Akin, responsável pelo argumento, tendo sido “muito, muito difícil seleccionar o que devia ou não ser incluído. Isto forçou-nos a sermos disciplinados, a perguntarmos o que era realmente importante. Para mim houve uma coisa em particular – mostrar a humanidade de Cristo”.

A necessidade de extrema condensação dos episódios seleccionados, obrigou a uma planificação extremamente dinâmica – “montei as cenas como se estivesse a ver um filme” – acentuada pelo uso de linhas cinéticas indicadoras de movimento e grandes planos sucessivos, explorando as muitas potencialidades do estilo manga, bem reveladas nas páginas disponíveis na Internet que ilustram a tentação de Cristo, a sua crucificação ou o Livro do Apocalipse.

Em Julho deverão sair novas edições, contendo toda a Bíblia em manga.

Esta não é a primeira vez que o livro sagrado é adaptado em manga, pois o japonês Masakazu Higuchi já tinha feito uma “Manga Bible Story-japanese: Comic Book Style Bible”, sendo esta uma das muitas versões aos quadradinhos da Bíblia, destacando-se o trabalho de Siku por ser mais um exemplo da penetração crescente do estilo manga no Ocidente.

A outro nível, a Bíblia serviu de inspiração a autores famosos de BD como Charles Schulz o criador dos “Peanuts”, um luterano convicto, que muitas vezes utilizou versículos citados por Charlie Brown ou Snoopy (o que esteve na origem do livro “The Gospel According to Peanuts” (1965) do pastor presbiteriano Robert L. Short), ou Maurício de Sousa, que ilustrou mesmo um álbum intitulado “Passagens Bíblicas com a Turma da Mônica”.


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Yvan Delporte, a morte do argumentista modesto

Foi chefe de redacção da revista Spirou e escreveu argumentos de BD para Franquin e Peyo, entre muitos outros; Foi o inventor do nome de Gaston Lagaffe

Os leitores regulares de banda desenhada franco-belga, nos anos 60, 70 e 80, encontraram muitas vezes, em notas de rodapé ou nas páginas interiores dos álbuns, a referência: “segundo uma ideia de Delporte”. Esse Delporte, cujo nome poucas vezes apareceu na capa das muitas de dezenas de álbuns que escreveu ou cujas ideias base forneceu, faleceu ontem, dia 5, devido a doença, contava 79 anos.

Nascido em Bruxelas, a 24 de Junho de 1928, Yvan Delporte deu os primeiros passos no mundo da 9ª arte em 1945, nas edições Dupuis, como “retocador” das séries norte-americanas, julgadas “muito ousadas” para a época. Quatro anos mais tarde, assinava o seu primeiro argumento, uma história de “Jean Valhardi”, para Eddy Paape, a que se seguiriam muitos mais, para Hausman, Forton, Peyo (com quem desenvolveu muitas das aventuras dos “Schtroumpfs”), Jidéhem, Roba (“Boule et Bill)”, Will (“Isabelle”), Follet, 

Bretécher e, em especial, Franquin (sendo dele muitas das ideias dos gags de Gaston Lagaffe, que comemorou 50 anos a semana passada e cujo nome se deve a Delporte que coordenou o respectivo álbum comemorativo).

Mas apesar de ter colaborado com muitos dos grandes nomes do seu tempo, Delporte ficará na história da BD principalmente como chefe de redacção da revista Spirou, entre 1955 e 1968, onde “inventou” as histórias curtas, que serviram de porta de entrada a muitos autores. Em 1977, voltaria a inovar com o irreverente suplemento “Le Trombonne Illustré”, onde deu largas ao seu humor pouco convencional, negro e cáustico, que foi uma lufada de ar fresco para a BD humorista, encaminhando-a para temas mais adultos.

Uma monografia dedicada a Delporte estava em preparação. “Agora vai ser preciso terminar o livro com a ideia que ele não o vai ler”, foi a reacção dos seus autores, Christelle e Bertrand Pissavy-Yvernault.


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