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Duas versões

A 28 de Abril de 1943, o actor Leslie Howard, intérprete de “Hamlet” e um dos protagonistas de “E tudo o vento levou”, chega a Lisboa, para falar da sua arte e, a coberto deste pretexto, para sensibilizar para a causa aliada. A 1 de Junho, o avião em que regressava a Inglaterra foi abatido por uma esquadrilha alemã e o actor morreu.

Este é o resumo simplista de “O 13º passageiro” (edição de O mundo em gavetas), uma investigação que explora a passagem de Howard pela Península Ibérica e acentua o mistério que envolve alguns aspectos da estadia e o seu fim trágico.

É uma obra mista de texto, a cargo de José António Barreiros, autor de vários livros sobre os serviços secretos da II Guerra Mundial, e banda desenhada, assinada por Carlos Barradas, que, embora algo preso ás fotografias no tratamento da figura humana, faz uma adequada reconstituição histórica e ambiental da época, presente também no argumento (de Barreiros) que assenta na investigação do acidente, alternada com sucessivos flash-backs (que repetem o que antes já foi descrito em prosa – dúvidas sobre a capacidade narrativa dos quadradinhos ou a mesma história em suportes diferentes?) que dão ritmo e ajudam a criar o clima de suspeição e mistério.

Como (bom) caminho a seguir pela BD portuguesa, fica a ancoragem – fiel mas livre – na nossa História recente, poucas vezes aproveitada pelos nossos autores.


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F. Cleto e Pina

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50 anos de confusões

Gaston Lagaffe, o herói mais trapalhão da BD, nasceu há meio século; Parcómetros de Bruxelas desactivados hoje em sua honra: Álbum com inéditos de Franquin assinala data

Há 50 anos, nas páginas da revista “Spirou” belga, aparecia pela primeira vez uma estranha personagem, então de casaco e lacinho, sem que ninguém – nem ele próprio – soubesse muito bem porquê. Poucas semanas depois, a sua indumentária mudava para uns jeans uma camisola de gola alta e umas alpercatas, que o acompanhariam toda a vida. Após algum tempo a vaguear (literalmente) pelas páginas da publicação, Gaston Lagaffe protagonizava os seus primeiros disparates, iniciando uma longa e (justamente) celebrada carreira assente numa preguiça sem igual, numa postura física reveladora da mais entranhada moleza e numa invulgar capacidade de se ocupar com tudo e nada para deixar de lado o realmente urgente. Assim, originou um sem número de inenarráveis acidentes, invenções estrambólicas e ideias disparatadas, que fizeram a vida negra aos seus colegas da redacção da revista – com Fantásio em particular destaque – cujo edifício destruiu várias vezes e tornando-o na personagem mais calamitosa e desajeitada da histórias da banda desenhada, que fez da vida monótona num escritório uma surpresa constante. E, claro, num dos (anti)-heróis mais amados da 9ª arte, a pé ou tripulando o seu Fiat 509, inventando o ininventável ou tocando o ensurdecedor broncofone. Através dele, Franquin, por natureza introvertido e depressivo, deu largas ao seu génio, através de um humor transbordante e contagiante e de um traço personalizado, vivo, dinâmico e extremamente expressivo, muitas vezes copiado mas nunca igualado.

Várias vezes reeditado (inclusivamente em Portugal, onde começou por se chamar Jeremias…!), imortalizado numa estátua em tamanho natural no centro da Bruxelas que ele atormentou, Gaston Lagaffe vê a sua cidade natal assinalar os seus 50 anos com um mural com mais de 3 metros de altura (inaugurado ontem) e um dia sem parcómetros (hoje), em homenagem à guerra que ele sempre lhes moveu nas suas aventuras, para desespero do abnegado (e infeliz) agente da lei Longtarin.

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50 anos de Festa

“Festa” é uma das palavras mais adequadas para classificar o espírito de Gaston e é, por isso, o tema do álbum “Gaston 50” (Marsu Productions), coordenado por Yvan Delporte e Frédéric Jannin, que recupera histórias antigas para enumerar os diversos aspectos de uma celebração (convites, presentes, balões, flores, comida, velas, música, etc.) não sendo difícil imaginar como cada um deles se pode revelar caótico, catastrófico, inesperado ou apenas irresistivelmente divertido quando considerado sob o signo de Gaston Lagaffe.

E como cereja no topo do bolo (da festa!) o álbum inclui cerca de meia centena de tiras e ilustrações inéditas de Franquin.


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Gaston Lagaffe

“Sou um autor de BD que também faz cinema”

“O público de cinema não tem memória”

Palavras de Miguelanxo Prado que esteve no Porto para falar de “De Profundis”, a primeira longa-metragem de animação feita a partir de pintura a óleo

Chama-se Miguelanxo Prado, nasceu na Corunha em 1958 e é um dos mais aclamados e premiados autores de banda desenhada da sua geração. Esteve no Fantasporto para falar de “De Profundis”, um filme de animação, mas assume-se “como um autor de BD que faz cinema”. Até porque “continuo a pensar que a banda desenhada é o código mais potente dos que controlo. A capacidade que tem uma imagem fixa, de criar na mente do leitor a noção de movimento, de passagem do tempo, etc., é uma potencialidade que não vejo noutros meios”. Por isso, enquanto autor empenhado em transmitir uma mensagem crítica, embora reconhecendo que com o cinema chega a um público mais vasto, prefere a BD, porque “um leitor fica com o livro para toda a vida; um espectador esquece o filme. O público de cinema não tem memória”.

Quanto a “De Profundis”, apresentado como “uma proposta de pesquisa artística para relacionar a pintura, a música e as novas tecnologias da imagem”, é antes de tudo “um projecto extremamente pessoal, nascido no final dos anos 90” e no qual se empenhou “durante quatro anos: os dois primeiros na pré-produção, e os dois seguintes de dedicação total e exclusiva “. Isto porque Prado fez “todos os desenhos – em pintura a óleo – necessários para obter a animação”. Por isso, classifica “De Profundis” como “uma animação de autor; melhor, de autores, porque é um projecto meu e do Nani Garcia, um amigo, músico de Jazz, com larga experiência de escrita de música para cinema e televisão” e cujas composições são os únicos sons audíveis nos 75 minutos de filme.

“Um projecto assim só podia ser desenvolvido com alguém que eu respeitasse muito ou com quem tivesse uma relação pessoal muito forte para poder suportar quatro anos de processo criativo conjunto”.

“De Profundis”, que só deve ser visto por quem é capaz “de estar 15 minutos sentado a ver um pôr-do-sol no mar”, conta a história de uma violoncelista que vive numa casa no meio do oceano, onde aguarda o seu amado, um pintor que sempre quis ser marinheiro, e que, após um naufrágio, efectua uma viagem maravilhosa ao fundo do mar, fonte inesgotável de beleza e mistérios. Por isso Prado acredita que “os habitantes dos países que têm uma cultura marítima e uma relação próxima com o mar, terão uma sensibilidade especial para apreciarem a obra”. Como “os portuenses, que vivem com o mesmo Atlântico que me inspirou, o que poderá criar uma cumplicidade maior, para entender a história, o seu lado onírico, as mitologias relacionadas com o mar, as sereias, os monstros marinhos, os sonhos e terrores que o mar inspira”.

E embora a gestação de “De Profundis” tenha coincidido no tempo com a catástrofe do petroleiro “Prestige”, Prado nega “a ideia de denúncia. O filme tem sim uma clara vocação de redenção, uma espécie de ritual propiciatório, um pedido de perdão. Pretende recuperar o oceano na sua concepção mais limpa, mais brilhante, mais tradicional. É um conto, com muita poesia. Estou consciente que a metáfora pode ser vista como uma denúncia; eu vejo-o mais como uma oferenda”.


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Manga europeu

A par do combate aos mangas, há cada vez mais exemplos do cultivo deste género por autores ocidentais, sendo a revista “Shonen mag”, dos Humanoides Associés, o melhor exemplo. Dirigida por Guillaume Dorison, que define “manga” não como “BD japonesa” mas “como um género que pode ser criado por qualquer autor, em qualquer país”, tem cerca de 300 páginas de BD por número, custa (apenas!) 4,95 € e tem como principais características, à imagem das revistas japonesas, histórias em continuação com 30 ou 40 páginas por número, géneros variados (ficção-científica, heroic-fantasy, música, histórias românticas de adolescentes, etc.), e a possibilidade de os leitores votarem as suas séries preferidas e também aquelas que querem ver publicadas.

A intenção é que todas as séries sejam posteriormente editadas em livro (com extras como pranchas coloridas, making-off, entrevistas, etc.), o que já aconteceu com “Sanctuaire Reminded”, de Stéphane Betbeder e Ricardo Crosa, que tem a particularidade de ser um remake de uma BD franco-belga  – “Sanctuaire”, de Xavier Dorison e Christophe Bec -, que, na nova versão poderá ter algumas dezenas de tomos em torno deste thriller de suspense, que combina delírios, pesadelos e fantástico, e cuja acção decorre num submarino, embora com constantes flash-backs que dão a conhecer os protagonistas e ajudam a diversificar e a imprimir o ritmo mais adequado.


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Vêm aí The Simpsons em formato manga

Maurício de Sousa anunciou que a Turma da Mónica também terá versão manga ainda este ano

Se de repente começar a ouvir falar da família Simpsonzu e achar nela estranhas semelhanças com uma família que conhece bem, não estranhe. Serão os protagonistas de uma nova banda desenhada em estilo manga (bd japonesa), baseada em “The Simpsons”, a célebre família amarela do pequeno ecrã, a lançar possivelmente ainda durante este ano.

E, curiosamente, tudo começou com uma brincadeira, quando Space Coyote, uma artista obscura, decidiu afixar no seu site, “só por brincadeira, para os amigos”, uma “foto de família” com duas dúzias dos mais conhecidos intérpretes de “The Simpsons”, com a particularidade de estarem desenhados com características manga: seja olhos grandes, bocas escancaradas e um aspecto assumidamente asiático. Incentivada pelas reacções recebidas, Space Coyote fez o mesmo exercício com os heróis de “Futurama”, outra série de Matt Groening, actualmente em exibição na 2:. As imagens começaram a circular na net, chegaram até à Bongo Comics, responsável pela versão em BD dos Simpsons, que, em lugar de processar a artista, decidiu convidá-la para desenhar uma banda desenhada, com a estética própria dos quadradinhos japoneses. Mas este autêntico conto de fadas não se fica por aqui, pois a ilustradora também foi contactada pela 20th Century Fox, que exibe os desenhos animados originais, para colaborar na nova temporada de “Futurama”.

Entretanto, no Brasil, em entrevista recente, Maurício de Sousa, o criador de Mônica, Cebolinha, Cascão e companhia – cujas novas revistas deverão ser distribuídas em Portugal nas próximas semanas – entre outros projectos anunciou “que também vamos ter a Turma da Mônica desenhada no estilo dos quadradinhos japoneses; vamos brincar um pouquinho com o estilo “semi-manga”, ainda este ano”.

Estes são mais dois exemplos da importância crescente deste género de BD no Ocidente, onde já representa 40 % ou mais dos mercados alemão, espanhol e franco-belga. Isto tem levado muitos autores europeus e norte-americanos, nomeadamente das novas gerações, a optarem por este género narrativo, preferido pelos leitores mais jovens, sendo exemplos recentes adaptações de Shakespeare na Inglaterra e nos EUA, ou edições aos quadradinhos apadrinhadas e protagonizadas por Courtney Love ou Avril Lavigne, como o JN oportunamente noticiou.

Em Portugal, se as anteriores tentativas de editar manga têm sido um fracasso, há alguma expectativa em relação à entrada das Edições ASA neste segmento, nos finais de 2007, e quem costuma acompanhar concursos e fanzines, nota o número cada vez maior de obras influenciadas pelo estilo narrativo nipónico. A um outro nível, o bimestral “BDJornal”, que acompanha a actualidade dos quadradinhos, tem publicado “Os Monótonos Monólogos de um Vagabundo”, de Hugo Teixeira, e as Produções Fictícias procuram uma parceria para lançarem aquela que classificam como “o primeiro manga português”, “Meia-Noite e Três”, de Nuno Duarte e Ana Freitas.


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De pequenino

A implantação crescente do género manga no mercado francófono (cerca de 45 % das edições de 2006) e, em especial junto das novas gerações, tem obrigado as editoras a desdobrarem-se em novas estratégias para combaterem uma realidade que há muito deixou de ser apenas um fenómeno de moda.

Neste espírito, a Dupuis acaba de lançar duas novas colecções: a Puceron, para crianças a partir dos 3 (três!) anos, e a Punaise, a partir dos 6 anos. O princípio comum às duas é que o seu público-alvo seja capaz de ler sozinho as BDs propostas.

Por isso, “Méchant Benjamim #1 – Ah non!”, de Carine De Brab, BD praticamente não tem textos, mas não é muda, porque o seu protagonista, de 3 ou 4 anos, para que os leitores se possam com ele identificar, se farta de berrar, sempre que é contrariado.

Tudo começa quando a sua mãe tem que se ausentar por alguns dias, deixando-o com a baby-siter, com quem ele desenvolve uma relação de quase amor-ódio (passe o peso exagerado desta expressão) extensível também ao seu gato o que, a par do facto de Benjamim ser um especialista em guerrilha caseira, e ter uma imaginação grande como o (seu) mundo, gera situações francamente divertidas.

De todo o modo recomenda-se que a leitura do livro seja acompanhada por um adulto, não vão os nossos filhos seguir os maus exemplos do “malvado” Benjamim, cujo maior defeito é não ser capaz de passar sem a mãe e/ou a baby-sitter!


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Compartilhar a paixão por uma obra sublime

Foster e Val – Os trabalhos e os dias do criador de ‘Prince Valiant’
Manuel Caldas
Livros de Papel
25,00€

Príncipe Valente 1941-42
Harold R. Foster
Livros de Papel
25,00€

Na próxima terça-feira, dia 13, passam exactamente 70 anos sobre o início da publicação nos jornais norte-americanos de “Prince Valiant, In the Days of King Arthur”, rebaptizado em Portugal “Príncipe Valente”. Um acaso, daqueles em que a vida é fértil –  causado por problemas de distribuição – levou a que a chegada às livrarias de “Foster e Val –  Os trabalhos e os dias do criador de ‘Prince Valiant'”, quase coincidisse com aquela data, como que antecipando uma comemoração a todos os títulos justa daquela que é, seguramente, “uma da mais maravilhosas e monumentais bandas desenhadas de sempre”.

Versão “profissional” (revista, aumentada e melhorada) da obra com o mesmo título, que Manuel Caldas auto-editou em 1989, revela o profundo conhecimento que ele tem da obra – quase dando a sensação de que conhece de cor, vinheta a vinheta, as 2244 pranchas que Foster escreveu e desenhou, tal a minúcia da sua análise. Mas não se pense que, por isso, esta monografia – de que a banda desenhada em Portugal tem sido, infelizmente, parca – é um livro maçudo ou maçador e escrito apenas para os (que já são) admiradores da obra. Não, Caldas, escrevendo com pormenor, fá-lo de uma forma acessível e de leitura agradável, não como quem sente necessidade de justificar a excelência da arte de Foster e a sua (enorme) paixão por ela (“nascida de forma fulminante aos 11 anos”), antes mostrando-a ao leitor, com evidente prazer. Caldas mostra o que sabe, mas para compartilhar esse saber com os outros, no intuito de os levar a amar a obra que ele ama.

Após um primeiro capítulo em que traça uma longa biografia de Foster, na qual destaca a sua paixão pela natureza (bem expressa depois em “Príncipe Valente”) e o facto de inicialmente a banda desenhada ter sido encarada por ele como uma arte menor – assim era vista na época – Caldas mergulha a fundo na obra em si, citando-a profusamente – quase como que deixando-a falar por si – destacando as qualidades “de uma obra de proporções épicas” – excelência do desenho, qualidade literária das histórias, conjugação de factos históricos com pura ficção, alternância de episódios violentas com cenas familiares, combinação de “vivências, com sensibilidade e poesia, com grande sentido dramático e de humor” que tornam “a narrativa dos grandes momentos da vida de Val a experiência emocionalmente mais intensa que uma banda desenhada pode proporcionar”, “a autenticidade e profundidade” das personagens, etc. – mas mostrando também os seus aspectos menos conseguidos. Tudo profusa e adequadamente ilustrado, com as imagens muitas vezes reproduzidas dos originais de Foster, em tamanho real, com uma qualidade raramente (ou nunca) vista até hoje.

A forma de trabalhar de Foster, as suas outras histórias aos quadradinhos, as homenagens e/ou plágios ao “Príncipe Valente”, a análise das reedições deste e o seu percurso bibliográfico em Portugal, são os temas dos restantes capítulos de “Foster e Val” que “pretende convencer definitivamente da grandeza do artista e da sua obra” e cuja leitura só pode ter um resultado: criar no leitor o desejo de apreciar com os seus olhos a obra de Hal Foster. Que se aconselha seja feita na edição original portuguesa, igualmente da responsabilidade de Manuel Caldas, que lhe faz inteira justiça, estando disponíveis já os cinco primeiros tomos (dos vinte e dois previstos), correspondentes aos dez primeiros anos das aventuras do Príncipe Valente, nos quais Hal Foster explanou o melhor da sua sublime arte, algo “simplesmente sobre-humano”.


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Mais clássicos

Integrada nas comemorações dos 60 anos das Éditions du Lombard – nascidas a 16 de Setembro de 1946 com o nº1 da revista “Tintin” – a colecção “Milésimes” recuperou alguns dos heróis que fizeram a história da editora ou, melhor, com os quais ela fez história no seio da banda desenhada franco-belga.

Foram doze volumes, em edição fac-simile, nos quais (re)encontramos Blake e Mortimer (de Jacobs), Corentin (Cuvelier), Chick Bill (Tibet), Chlorophylle (Macherot), Pom & Teddy (Craenhals), Le Chevalier Blanc (L. e F. Funcken), Monsieur Barelli (De Moor), Dan Cooper (Weinberg), Modeste e Pompon (Franquin), Michel Vaillant (Graton), Clifton (Macherot) e Bruno Brazil (Greg e Vance).

Raymond Macherot, o único autor “repetido”, para além de “Chlorophylle”, a sua grande criação, uma BD animalista que reflecte sobre os comportamentos humanos, assina também “Clifton”. Este último é um fleumático detective britânico, “o mais dotado e perspicaz desde Sherlock Holmes” (!) que apoia as suas descobertas na sua capacidade dedutiva, mas não se esquivando a uma luta, uma movimentada perseguição ou até a utilizar o seu guarda-chuva/carabina. Histórias policiais em registo de humor, ligeiro e descontraído, de que emana o melhor da BD enquanto divertimento puro, os inquéritos do Coronel Clifton são mais um exemplo do talento multifacetado de Macherot, um autor injustamente pouco lembrado.


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Avril Lavigne protagoniza manga

Primeiro de dois volumes será lançado em Abril

A Del Rey Manga, uma subsidiária da Random House Inc., acaba de anunciar a publicação de um manga (termo que originalmente designa a banda desenhada japonesa, hoje em dia já utilizado para classificar qualquer obra com as características do género: personagens de olhos grandes, uso abundante de linhas de movimento e de onomatopeias, histórias de ritmo intenso em que a acção predomina) escrito e protagonizado pela cantora pop canadiana Avril Lavigne.

Intitulado “Make 5 Wishes”, será o primeiro manga americano do catálogo da editora e os seus dois volumes, com cerca de 160 páginas a cores cada um, serão lançados em Abril e Julho, estando já disponíveis para pré-encomenda nos catálogos especializados norte-americanos.

A história imaginada por Lavigne e desenvolvida pelo argumentista Joshua Dysart, com larga experiência no universo dos comics, onde escreveu histórias de “Swamp Thing”, “Van Helsing” ou “Conan”, conta como Hana, uma adolescente introvertida, consegue, através de um site Internet, contactar um demónio que lhe concede cinco desejos cuja concretização, no entanto, se revela bem diferente do esperado. Entra então em cena Avril Lavigne que ajudará a jovem a derrotar os seus demónios interiores. O desenho foi entregue a Camilla d’Errico, que deverá ver outros três mangas de sua autoria editados durante 2007 nos EUA.

A cantora, modelo e compositora, que já dobrou personagens de desenhos animados e cujo novo álbum, “The Best Damn Thing”, deverá ser lançado a 17 de Abril, uma semana depois do manga, afirmou: “Eu sei que muitos dos meus fãs lêem mangas, e estou muito empolgada por estar envolvida na criação de histórias que sei que eles vão gostar”.

Esta não é a primeira vez que uma cantora cria e protagoniza um manga, pois Courtney Love, a viúva de Kurt Cobain já havia feito o mesmo em “Princess Ai”, um dos grandes sucessos da editora norte-americana TokyoPop. Isso justifica a actual aposta desta editora no lançamento de romances, livros de poesia e arte, tiras diárias para jornais, um disco e mesmo um filme (em 2009, combinando actores de carne e osso e animação), baseados na personagem de Courtney.


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StarTrek regressa em banda desenhada

Mini-série lançada agora nos Estados Unidos assinala os 40 anos da série e os 20 de Star Trek: Next Generation

Acaba de ser lançada nos Estados Unidos “Star Trek: The Next Generation: The Space Between”, que marca o regresso aos quadradinhos de uma das mais famosas séries de ficção-científica nascidas no pequeno ecrã.
Primeiro de uma série de lançamentos previstos pela IDW Publishing, editora que já tem no seu catálogo obras como “30 dias de noite”, uma obra que renovou o género de terror em BD, e versões e/ou extensões das séries “CSI” e “24”, tem como objectivo assinalar os 20 anos de “Star Trek: Nex Generation”, que se cumpriram este mês de Janeiro e também as quatro décadas da série-mãe, que estreou nas televisões norte-americanas em 1967.
Dado o êxito imediato alcançado, as aventuras do Capitão Kirk, de Mr. Spock e dos seus companheiros, que estiveram na origem de seis séries televisivas, dez filmes e dezenas de romances, seriam de imediato transpostas para as histórias em quadradinhos, adaptando as séries e filmes ou criando histórias originais, publicadas quer na forma de tiras diárias para os jornais, quer sob a forma de histórias completas em revistas próprias, primeiro pela Golden Key, e depois passando pelos dois gigantes norte-americanos da BD, a Marvel e a DC Comics, para, recentemente, as aventuras dos tripulantes da nave estelar U.S.S. Enterprise NCC-1701-D aparecerem na Tokyopop em registo manga (bd japonesa).
“Star Trek: The Next Generation: The Space Between”, é uma mini-série em seis números, cuja acção, escrita por David Tischman e desenhada por Casey Maloney, ambos fãs da série original, se passa no primeiro ano da nave Enterprise, comandada pelo Capitão Jean-Luc Picard, logo após receber a missão “de explorar novos mundos, procurar novas formas de vida e novas civilizações, indo onde ninguém ainda foi”. As capas são da autoria de Dennis Calero e Zach Howard e pintadas por Jeremy Geddes e Ken Kelly.
Este é apenas o primeiro de uma série de títulos que a IDW Publishing pensa produzir nos próximos meses, conforme revelou o seu editor-chefe, Chris Ryall, que afirmou “não poder estar mais contente do que estando à frente do regresso aos comics de Star Trek porque, apesar da abundância destes títulos no passado, conseguimos novas formas de transmitir vibração e criatividade à série”.


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