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Homenagem a João Abel Manta no CNBDI

É inaugurada hoje, às 19 horas, e decorre até dia 28 deste mês, uma exposição de homenagem a João Abel Manta, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora.
A ideia desta manifestação de apreço pela vida e obra do cartoonista e pintor, partiu da Humorgrafe, de Osvaldo de Sousa, e do BDJornal, de Machado Dias, como forma de assinalar os 80 anos do seu nascimento, a 29 de Janeiro de 1928.
Para além de originais do autor, cedidos pelo Museu da Cidade de Lisboa, estarão também expostos os trabalhos dos autores que corresponderam ao apelo da organização para homenagearem graficamente o mestre, nomeadamente Alexandre Algarvio, Álvaro Santos, André Oliveira, António Amado, António José Lopes, António Santos (Santiagu), Brito, Carlos Amorim, Daniel Moreira, David Pintor, Eriço Junqueiro Ayres, Filipa Malaquias, Joaquim Aldeguer, João Mascarenhas, José Ruy, José Santos, Luís Afonso, Luís Veloso, Michel Casado, Nelson Santos, Nuno Pardal, Paulo Fernandes, Paulo Santos, Pedro Alves, Ricardo Galvão, Romeu Cruz, Vasco Gargalo e Zé Oliveira.
Arquitecto de formação, João Abel Manta praticou também a pintura, decoração, tapeçaria, cerâmica e cenografia, sendo ainda uma das figuras marcantes do design gráfico nacional. Como cartoonista político, publicou no “Diário de Lisboa”, “O Século Ilustrado”, “Seara Nova”, “Sempre Fixe”, Diário de Notícias” ou “Jornal de Artes e Letras”, tendo dois álbuns editados: “Cartoons” (1975) e o célebre “Caricaturas Portuguesas dos anos de Salazar” (1978).


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“Realizei o meu sonho de criança”

Diz Nuno ‘Plati’ Alves, desenhador de “Avengers Fairy Tales #2” posto hoje à venda nos EUA; Fábula de Pinóquio serve de base à história protagonizada por super-heróis Marvel

É distribuído hoje nos Estados Unidos “Avengers Fairy Tales #2”, projecto de C. B. Cebulsky, que faz de alguns super-heróis da Marvel protagonistas de contos infantis. Depois de Peter Pan, desenhado por João Lemos, agora foi Nuno ‘Plati’ Alves, nascido em 1975, a dar nova vida a Pinóquio.
Ilustrador, com experiência em BD limitada a “8 páginas publicadas pela Image Comics”, cita influências “como Toth, Moebius, Mignola, Jacobs ou Franquin” e revela o desejo “de desenhar, numa onda retro, uma mini-série de Thor ou do Silver Surfer, clássicos com universos muito ricos, da mitologia à ficção-científica”.
De “Created Equal”, diz ser “a história de um inventor caído em desgraça “, o gigante Hank Pym, “que deixou de acreditar em finais felizes”, lê-se logo na primeira prancha de uma versão mais negra do que a original. E “que cria um filho de metal, no qual descobre rapidamente uma forte rebeldia”. Este, o Visão, não quer ser humano mas é empurrado pelo pai/inventor para “aceitar o mundo em que vive e tentar ser aceite por ele”, envolvendo-se assim “em acontecimentos extraordinários”, que demoraram “dois meses e pouco” a colocar no papel.
Começou por “receber a sinopse e criar as personagens. Após aprovação, chegou o guião e desenhei as 22 páginas de layouts, que, novamente aprovados, foram desenhadas de seguida e pintadas”, adaptando-se “à ideia que o produto final nunca fica como idealizamos. Mas para todos os efeitos estava a realizar o meu sonho de criança!”. Talvez por isso, “não alterava nada no livro; devemos conviver com os erros e fazer melhor na próxima vez”.
E conclui, “o projecto é um híbrido, inspirado em Pinóquio, com os heróis Marvel, que, encarado de forma leve e divertida, poderá agradar a gregos e troianos” (os fãs de Collodi e os da Marvel). “Espero que seja bem recebida pelos leitores e que divirtam”.
Agora está “a preparar algum material para apresentar aos editores na New York Comic Con”, de 18 a 20 de Abril, porque deseja “fazer mais comics”.
Em Junho, o quarto “Avengers Fairy Tales” é de novo “desenhado em português”, por Ricardo Tércio.


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Super-heróis invadem contos infantis

Personagens Marvel protagonizam histórias clássicas para crianças; Segundo número de “Avengers Fairy Tales” posto à venda esta semana nos EUA; João Lemos, Nuno ‘Plati’ Alves e Ricardo Tércio desenharam três dos quatro volumes da série

Com o primeiro número recém-chegado às livrarias portuguesas especializadas em banda desenhada, é distribuído na próxima quarta-feira no mercado norte-americano o segundo dos quatro fascículos previstos para “Avengers Fairy Tales”.
Projecto do conceituado argumentista e editor da Marvel, Chester B. Cebulski, tem como ponto de partida conhecidos contos infantis – Peter Pan, Pinóquio, Alice no País das Maravilhas, O feiticeiro de Oz – recontados com os protagonistas substituídos por alguns super-heróis da Marvel. Foi assim que, no primeiro tomo, o Capitão América assumiu o papel de Peter Pan, Thor e o Homem de Ferro foram dois dos Meninos Perdidos e a Vespa fez de fada Sininho. Agora, no segundo, Gepeto e o seu boneco de madeira darão lugar ao gigante inventor Hank Pym e ao Visão, um robot por ele construído que quer ser como os outros meninos, o que se torna possível graças à Fada Azul, agora colorida de (Feiticeira) Escarlate! Nos dois volumes finais, previstos para Maio e Junho, Cassie Lang (Stature), a filha do segundo Homem-Formiga, que pode encolher e aumentar de tamanho e tem poderes telepáticos, dará corpo à curiosa Alice e Mercúrio ao Coelho Branco, enquanto que na versão de O Feiticeiro de Oz o papel que Judy Garland interpretou no cinema é agora da Mulher Hulk, acompanhada por um Homem (de Lata) de Ferro!
Uma das particularidades do projecto é que três dos números são desenhados por autores portugueses – João Lemos (#1), Nuno ‘Plati’ Alves (#2) e Ricardo Tércio (#4) – tendo o restante sido entregue ao canadiano Takeshi Miyazawa. Tércio participara já, no ano passado, num outro projecto similar de Cebulski, os “Spider-Man Fairy Tales, no qual o Homem-Aranha encarnava o Capuchinho Vermelho.
Curiosamente, os desenhadores lusos foram escolhidos por um daqueles acasos que normalmente só acontecem… nos contos de fadas ou nas histórias de super-heróis! João Lemos, contou ao JN como tudo se passou: “Encontrei, por acaso, o Joe Quesada, director da Marvel Comics, no festival de BD de Angoulême, em 2005, e dei-lhe uma cópia do meu portfolio, esperando vir a ter umas dicas dele enquanto desenhador. Meses depois, num suspeito 1 de Abril, recebo um mail do C.B. Cebulski a perguntar-me se estaria interessado em desenhar para a Marvel. Mais tarde, com o aparecimento dos Fairy Tales o convite foi concretizado”.
E com bons resultados, pois Cebulski referiu-se a “Avengers Fairy Tales #1”, desenhado por João Lemos, como “um livro único, dos mais belos que a Marvel tem lançado”, e, nalguns sites especializados, críticas bastante entusiastas classificavam-no entre 7 e 9 numa escala de 10.

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Marvel Comics

Também conhecida como “Casa das Ideias”, a Marvel Comics é uma das duas grandes editoras de BD nos Estados Unidos (a outra é a DC Comics, de Batman e Superman).
Fundada nos anos 30, por Martin Goodman, sob a designação Timely Comics, editou a primeira revista de super-heróis, exactamente “Marvel Comics”, em 1939, lançando o Tocha Humana e Namor e, na década seguinte, o Capitão América.
Seria, no entanto, só nos anos 60, que Stan Lee, um dos grandes génios dos quadradinhos, daria o impulso que a viria a transformar no colosso que é hoje, ao criar super-heróis com problemas bem humanos, como o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men e muitos outros, que saltaram, com igual sucesso, do papel para outras realidades, como a TV e o cinema.

[Caixa 2]

Desenhar para fora

Durante décadas, a BD nacional acomodou-se ao facto de Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), primeiro em França, depois em Itália, ser o único autor português a trabalhar – e com justo reconhecimento – no estrangeiro. Em 1995, a ascensão de Joe Madureira, um luso-americano de segunda geração, a desenhador principal dos X-Men, foi outra excepção.
Nos últimos anos, com os avanços possibilitados pelas novas tecnologias, especialmente ao nível da comunicação e do envio de imagens, tornou-se mais fácil trabalhar “lá para fora, cá de dentro”. Actualmente, no mercado norte-americano, para além de Lemos, Alves e Tércio, podemos encontrar Eliseu ‘Zeu’ Gouveia, Miguel Montenegro ou Ricardo Venâncio.
E, Rui Lacas, após uma visita a Angoulême, conseguiu um contrato para editar “Obrigada, patrão” na suiça Pacquet, antes da versão nacional da ASA.

[Caixa 3]

Outras versões aos quadradinhos

Se os contos infantis clássicos, foram inúmeras vezes revisitados em versões aos quadradinhos, mais ou menos conseguidas, mais ou menos fiéis aos originais, há a destacar dois casos, ambos editados em português, pela forma original e diversa como os abordaram.
O primeiro é “Pinóquia” (Meribérica/Líber, 1997), de Gibrat e Leroi, uma versão erotizada do clássico de Carlo Collodi. O segundo, é o “Peter Pan” (dois tomos Livraria Bertrand, 1993-94; dois tomos Booktree, 2002), que Régis Loisel recriou magistralmente como um menino de rua da época vitoriana, combinando o lado onírico da narrativa de J. M. Barrie, com uma violência cruel incontida, que o torna incontornável.


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Humpá-Pá completa meio século

Criação de Goscinny e Uderzo é anterior a Astérix; Reedição portuguesa prossegue em Maio

Completam-se hoje 50 anos sobre a estreia de Humpá-Pá, o pele-vermelha, na revista “Tintin” belga, possivelmente a mais bem sucedida criação conjunta de René Goscinny e Albert Uderzo, a seguir a Astérix, claro está.
Mas poderiam ser 57 anos, pois os primeiros esboços do herói datam de 1951. Com Goscinny recém-chegado dos Estados Unidos, o fascínio pelo velho oeste era evidente, mas a abordagem humorística, no formato tiras de imprensa, não surtiu os efeitos desejados e Oumpah-pah (no original) teve que passar mais alguns anos na gaveta das (geniais) ideias de Goscinny.
Quando renasceu, tinha sofrido alterações de monta. Primeiro, adoptava o formato tradicional da BD franco-belga, depois, o grafismo de Uderzo tinha-se depurado e era mais solto, de traço arredondado, bem dotado de sentido de movimento, legível, expressivo… Finalmente, Goscinny, já espraiava a sua ironia fina e o seu sentido de humor apurado, revelado quer graficamente, quer nos jogos de linguagem, que viria a mostrar-se em todo o esplendor em Astérix.
Humpá-Pá, nesta nova existência, recuava para o século XVIII, em pleno conflito entre (índios,) britânicos e franceses pela posse do território dos futuros Estados Unidos da América. O astuto membro da tribo dos Savanas estava ao lado destes últimos e juntamente com o voluntarioso mas desajeitado cavaleiro Humberto-da-Massa-Folhada, viveria uma mão-cheia de aventuras, parodiando hábitos e costumes e os estereótipos sobre os “selvagens”.
Apenas uma mão-cheia porque, entretanto, Astérix tinha nascido, em 1959, juntamente com a revista “Pilote”, e o grande sucesso de ambos – bem como o muito trabalho que davam – levou ao abandono da série, depois adaptada em versão áudio e em desenhos animados, que tem sido alvo de sucessivas reedições ao longo destes 50 anos.
Em Portugal, Humpá-Pá estreou-se no “Zorro” (1963), tendo passado também pela versão nacional da revista “Tintin”, e foi sucessivamente editado em álbum pela Íbis, Bertrand e Meribérica/Líber. A ASA tem em curso mais uma reedição integral, cujo primeiro volume, “Humpá-Pá, o pele-vermelha” (2005), inclui as tiras originais de 1951, devendo o segundo (dos três previstos) ser lançado em Maio próximo.


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Original de Hergé rende 764 mil euros

Um desenho a gouache, feito por Hergé em 1932, foi vendido por 762 400 euros num leilão realizado no passado fim-de-semana.
Com um preço base de 280 000 euros, o desenho que serviu de capa á primeira dição em álbum de “Tintin na América” e que representa o herói, vestido de cowboy, sentado numa pedra, a comer de uma frigideira, com Milu ao seu lado a roer um osso, espreitado por índios, tornou-se o mais caro original de banda desenhada de sempre. Até agora, este recorde pertencia a uma prancha de Enki Bilal, pertencente ao álbum “Bleu sang”, vendida há sensivelmente um ano por uns modestos 177 mil euros.
Nesta mesma venda, uma outra prancha de Bilal, da “Tetralogia do Monstro”, alcançou os 145 mil euros e um retrato de Corto Maltese, feito por Hugo Pratt, rendeu 250 mil. A Artcurial, promotora do leilão, informou ainda que no total foram vendidas 650 obras, que totalizaram cerca de 3,4 milhões de euros.
Segundo a empresa, “o mercado de originais de banda desenhada é hoje um negócio em ascensão, com compradores por toda a Europa”. No entanto, a sua maior limitação é a “dificuldade em encontrar peças interessantes”, pois os autores europeus têm muita renitência em separar-se dos seus originais.


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Direitos do Super-Homem também pertencem aos herdeiros dos autores

Decisão de juiz norte-americano é mais simbólica do que prática

Um juiz federal dos Estados Unidos deu razão às herdeiras de Jerry Siegel, co-criador do Super-Homem, decidindo que têm direito a parte dos direitos de autor referentes à revista “Action Comics” #1, onde o herói apareceu pela primeira vez.
Siegel e Shuster – falecidos em 1996 e 1992, respectivamente – criaram o Super-Homem (como vilão!!) em “The Reign of Superman”, e, em 1937, apresentaram a diversas editoras uma nova versão, já com o protagonista do lado do bem, com a capa, o logótipo com o “S” no peito e a identidade secreta de Clark Kent. A National Comics, futura DC Comics, mostrou-se interessada na BD, com algumas modificações, resultando daí a história de 13 páginas inserida no primeiro número de “Action Comics”, publicado a 18 de Abril de 1938, que lhes valeu 130 dólares contra a assinatura de um documento garantindo à editora os direitos perpétuos do herói.
Em 1947 os autores moveram um processo, reclamando uma contrapartida dos lucros, que lhes valeu, através de um acordo extra-judicial, 94 mil dólares, e à National Comics os direitos de Superboy, um outro projecto a dupla, recusado em 1938, mas retomado em 1944 sem a sua autorização. Em 1975 a DC Comics passou a pagar-lhes 20 mil dólares (mais tarde 30 mil) por ano, mas uma alteração da lei sobre os direitos de autor nos EUA, em 1976, originou o actual processo, datado de 1997.
Apesar de saudada pelas famílias e por autores e especialistas em quadradinhos, esta decisão é apenas um primeiro passo, quase simbólico, que não afecta os direitos internacionais da personagem, nem especifica se outras companhias, como a Warner, produtora do filme “Superman Returns”, que rendeu 200 milhões de dólares nas bilheteiras norte-americanas, têm também que prestar contas aos herdeiros de Siegel.
Agora, numa primeira fase, há que calcular quanto a DC Comics deve à família de Siegel (esta decisão tem efeitos retroactivos desde 1999), mas é de esperar um apelo da editora.
Entretanto, os herdeiros de Shuster poderão avançar com igual requerimento em 2013 que, a ser vitorioso, faria depender deles a publicação de novas histórias do herói.
O mais certo é que tudo se venha a resolver de novo extra-judicialmente.


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Faleceu Raymond Leblanc, fundador da revista Tintin

Raymond Leblanc faleceu sexta-feira, aos 92 anos. Foi o fundador da revista “Tintin”, a 26 de Setembro de 1946, e, em simultâneo, das Éditions du Lombard, uma das principais editoras francófonas de banda desenhada, responsável pela introdução no mercado de álbuns de BD, como hoje os conhecemos, no início da década de 50. Foi também o primeiro a perceber a importância do marketing e do merchandising relacionados com a 9ª arte.
Nascido a 22 de Maio de 1915, no lançamento daquela revista, que se tornaria um marco na história da BD, reuniria nomes como Hergé, criador de Tintin e seu director artístico, Paul Cuvelier (Corentin) e Edgar P. Jacobs (Blake e Mortimer), e por lá passariam também Greg, Franquin, Jijé e muitos outros . Atingindo tiragens na ordem do meio milhão de exemplares, a revista “dos jovens dos 7 aos 77 anos”, teria versões em várias línguas, nomeadamente a francesa, a partir de 1948 e também uma portuguesa, entre 1968 e 1982. Leblanc, membro da resistência durante a Segunda Guerra Mundial, foi fundamental para que Hergé pudesse continuar a trabalhar no seu Tintin, ao conseguir anular as acusações de colaboracionismo que lhe foram feitas por ter publicado no jornal “Le Soir”, sob o controlo do ocupante nazi.
Leblanc esteve também ligado à criação dos estúdios Belvision, em 1954, onde foram feitas as versões animadas de “Astérix e Cleópatra” ou de “Tintin e o Templo do Sol”. Em 2003, o Festival de BD de Angoulême distinguiu-o com o primeiro “Alph-Art” de Honra, concedido a um editor e, em 2006, criou uma Fundação com o seu noem para distinguir novos autores de BD e conservar os seus arquivos.


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Novo álbum de Blake e Mortimer tem estreia mundial em Portugal

Começada nos anos 70, é agora editada em versão aumentada no mercado francês; “Maus” valeu ao autor o único Prémio Pulitzer concedido a uma obra em quadradinhos

Foi lançado ontem, dia 19, em França o livro “Breakdowns, Portrait de l’artiste en jeune !@#S%*!” (Casterman), a autobiografia de Art Spiegelman, o autor do célebre romance aos quadradinhos “Maus” (edição portuguesa da Difel, em dois volumes), que lhe valeu o Prémio Pulitzer, em 1992, na única vez em que ele foi atribuído a uma obra em banda desenhada.
O álbum encontra-se dividido em três partes. A primeira, a mais recente, foi realizada nos últimos dois anos e é nela que Spiegelman mergulha mais profundamente no seu passado. A segunda, é a reprodução fac-similada de “Breakdowns”, o seu primeiro álbum profissional editado em 1978, nos EUA, com uma tiragem bastante reduzida, no qual, em quinze relatos curtos, lançava as bases do seu percurso inovador e experimentalista, que viria a transformar o conceito de romance gráfico. Finalmente, a terceira parte é um curto ensaio ilustrado no qual apresenta as razões que o levaram a conceber esta obra.
A edição francesa surge seis meses antes do seu lançamento nos Estados Unidos, e Spiegelman fez questão de acompanhar ao pormenor toda a produção, desde a legendagem (totalmente manual!) até à cuidada execução gráfica. O seu lançamento é um dos momentos altos do Salão do Livro de Paris.
Para além de “Maus”, que o ocupou durante 13 anos, uma biografia ficcionada da experiência vivida pelo seu pai nos campos de concentração nazis e da forma como ela afectou profundamente a relação entre os dois, Spiegelman, nascido a 15 de Fevereiro de 1948, um dos mais influentes criadores de BD da actualidade, é autor também de “In the Shadow of No Tower”, no qual narra como viveu o 11 de Setembro de 2001, a poucas centanas de metros das Torres Gémeas, em que crítica a política dos EUA e pisca o olho aos pioneiros norte-americanos de BD, para além de ter dirigido a revista experimental “Raw” e de ter sido ilustrador do “The New Yorker” entre 1993 e 2002.


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Morreu Dave Stevens, o criador de Rocketeer

Dave Stevens, ilustrador e autor de banda desenhada, criador de “The Rocketeer”, faleceu aos 52 anos de idade, vítima de leucemia.
Nascido a 29 de Julho de 1955, em Lynwood, na Califórnia, teve alguma formação artística e iniciou-se nos quadradinhos em 1975, fazendo a arte-final das tiras diárias de Tarzan, desenhadas por Russ Manning.
Após diversos trabalhos, em BD e cinema de animação, em 1982 criava “The Rocketeer”, que lhe valeu a conquista do primeiro “Russ Manning Award”. Aventura em estado puro, narrada em ritmo acelerado, conta a história de Cliff Secord (a quem deu o seu rosto), um piloto de provas que, tendo encontrado, um foguete experimental roubado, previsto para utilização individual quando acoplado às costas, o utiliza para salvar o piloto de um avião descontrolado e para prender os ladrões do engenho. Ambientada nos anos 50, assente num traço hiper-realista, quase fotográfico, minuciosamente documentado – é proverbial o muito tempo que Stevens gastava em cada vinheta, o que explica os longos intervalos entre os seus poucos capítulos – a série destaca-se também pela bela e sensual co-protagonista, inspirada na pin-up Betty Page, e por algumas cenas ousadas para o “moralista” mercado norte-americano. Stevens dedicar-se-ia depois à ilustração, especialmente ao desenho de belas mulheres e de capas para revistas de BD.
Rocketeer chegou ao cinema, numa produção Disney de 1991, dirigida Joe Johnston e protagonizada por Bill Campbell, Jennifer Connelly, Alan Arkin e Timothy Dalton, e de que Stevens foi um dos argumentistas.


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Hitler desenhou personagens Disney

Aguarelas de anões da Branca de Neve e Pinóquio encontrados escondidos num quadro de sua autoria

Segundo William Halkvaag, director de um museu norueguês dedicado à Segunda Guerra Mundial, situado nas ilhas Lofoten, Hitler terá desenhado algumas personagens Disney. Segundo o semanário alemão Der Spiegel on-line, Halkvaag terá encontrado quatro desenhos escondidos dentro de um quadro, representando uma paisagem da Baviera, atribuído a Hitler, que adquiriu num leilão na Alemanha no ano passado. Ao abri-lo, encontrou quatro aguarelas, com cerca de 35 cm de altura, representando Pinóquio e três dos anões da Branca de Neve (Mestre, Dunga e Dengoso), estes últimos assinados A.H.. O especialista norueguês, de 59 anos, está convencido que os quatro desenhos, possivelmente de 1940, são da autoria do ditador alemão, que tentou fazer carreira como pintor antes de ascender ao poder, já que as iniciais assinadas assemelham-se bastante a outros exemplares da sua caligrafia.
É de há muito conhecida a admiração que Adolf Hitler nutria pelos desenhos animados Disney e, em especial, por “Branca de Neve e os Sete Anões”, baseado num conto tradicional germânico, de que possuía uma cópia. Essa admiração nasceu na sequência da oferta, por Joseph Gobbels, de diversos filmes protagonizados por Mickey Mouse, em 1937, o que levou Hitler a promover a criação de uma produtora de desenhos animados na Alemanha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos dos países envolvidos no conflito utilizaram o cinema, a animação ou a banda desenhada e os seus principais heróis para difundirem os seus ideais e apelarem à participação das populações no esforço da guerra. E são bem conhecidos “O Grande Ditador” (1940), de Chaplin, “A face do Fuhrer” (1943), protagonizada pelo Pato Donald, galardoada com um Óscar, ou a participação do Super-Homem e do Capitão América nos combates contra as tropas do eixo, chegando este último a esmurrar directamente o ditador alemão. Menos divulgado, naturalmente, é “Nimbus Libéré” (1943), uma produção alemã a preto a branco, com cerca de minuto e meio, que mostra Pateta, Mickey, Popeye, Donald ou Felix the Cat, envolvidos num bombardeamento indiscriminado na França, causador de vítimas civis, para supostamente a “libertarem”.


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