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Nova BD traz Hellboy a Tavira

Chega hoje às lojas especializadas norte-americanas (e daqui a uns dias às portuguesas) a nova aventura aos quadradinhos de Hellboy intitulada “In The Chapel of Moloch”. História completa com 32 páginas, tem como principal atractivo o facto de o seu criador, Mike Mignola, assinar, para além do argumento, também os desenhos, o que não acontecia desde 2005 devido a algumas dificuldades pessoais e também por causa ao seu envolvimento nas adaptações cinematográficas do herói, que já deram origem a dois filmes realizados por Guillermo Del Toro.
Para os leitores portugueses, a obra tem um atractivo extra, pois logo na primeira das três pranchas já divulgadas, um balão de texto situa a acção em 1992, em Tavira, no sul de Portugal. Isto apesar de o resumo na página da editora Dark Horse, assegurar que nesta história “Hellboy investiga uma antiga capela na Europa oriental”, o que não abona muito a favor dos conhecimentos geográficos do autor do texto de apresentação …
Na continuação da BD, após uma caminhada por ruas estreitas, Hellboy e o seu acompanhante chegam a uma capela – que parece inspirada na Capela de S. Sebastião – onde este o informa que ela foi alugada por um pintor para terminar obras para uma exposição numa galeria inglesa. Só que a atmosfera da capela – utilizada como estúdio, iluminada apenas por velas – ou algo mais, transformou o pintor num autêntico farrapo humano o que tornou necessária a intervenção de Hellboy.
Criado por Mignola em 1993, Hellboy é um demónio invocado por elementos do Terceiro Reich numa tentativa de virar a história da Segunda Guerra Mundial, mas que acaba por se tornar um inimigo feroz das forças do mal, assumam elas o visual de vampiros, fantasmas, monstros, deuses ou os próprios nazis. Cinco das compilações com as suas aventuras em BD já foram publicadas em Portugal pela Devir e a GFloy Studio, não havendo ainda previsão de quando chegará ao nosso país esta nova aventura.


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F. Cleto e Pina

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O futuro aos quadradinhos no Festival de BD da Amadora

Certame abre com Tecnologia e Ficção-científica como tema; pela primeira vez originais de Tex são expostos fora de Itália; Liberatore, Pat Mills, Kevin O’Neill, Dave McKean entre os convidados deste fim-de-semana

Começa hoje o 19º Festival Internacional de banda desenhada da Amadora, que vai decorrer até 9 de Novembro, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.
É lá que está patente o núcleo principal do festival, “Tecnologia e Ficção-científica”, que apresenta a evolução gráfica e temática da própria BD através da forma como tem abordado este tema, revisitando visões clássicas e modernas de desenhadores, argumentistas e revistas, através da obra de Alex Raymond, Christin e Meziéres, Esteban Maroto, Leo, Oesterheld, Breccia, Jodorowsky, Juan Gimenez, Janjetov, Moebius, Druillet, Pat Mills ou Kevin O’Neil. Uma panorâmica do tema na BD portuguesa (de Jayme Cortez, Fernando Bento e Vitor Péon, a Fernando Relvas, Vitor Mesquita e Luís Louro), uma colecção de objectos relacionados com a saga Star Wars e uma mostra colectiva de BD chinesa, são outras faces da forma como a 9ª arte tem mostrado o futuro (nalguns casos já presente ou mesmo passado) aos quadradinhos.
Fora desta temática, a par das exposições dedicadas aos Prémios Nacionais de BD 2007 (entre as quais “Tratado de Umbografia”, de Luís Henriques e José Carlos Fernandes, “Alguns meses em Amélie”, de Jean-Claude Denis, “Merci Patron”, de Rui Lacas, e “A trágica comédia ou cómica tragédia de Mr. Punch”, de Neil Gaiman e Dave McKean), destaque para duas exposições: “60 anos de Tex”, que apresenta pela primeira vez fora de Itália pranchas originais do famoso ranger dos fumetti (BD italiana), assinadas por Fabio Civitelli, autor da história colorida que assinalou a efeméride, Giovanni Ticci, Alfonso Font, Ernesto Garcia Seijas ou Marco Bianchini, e a retrospectiva de Liberatore, que visita o FIBDA este fim-de-semana, que ilustra o seu percurso do punk-futurista Ranxerox, a Lucy, uma mulher pré-histórica tratada com um soberbo desenho ultra-realista.
Para sessões de autógrafos e conversas, sábado e domingo o FIBDA acolherá igualmente Pat Mills, Kevin O’Neill, Dave McKean, Esteban Maroto, Li Hong, João Mascarenhas, José Carlos Fernandes ou Luís Henriques, merecendo destaque o lançamento de“Histórias do Lápis Mágico” (Viarco), de Rui Sousa, e “Camões, De vós não conhecido nem sonhado” (Plátano), de Jorge Miguel, bem como os workshops com Tara McPherson (autora de capas para Depeche Mode e Duran Duran) e de Construções em Papel Star Wars.


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Feliz schtroumpf!

Os anõezinhos azuis de Peyo nasceram há 50 anos; Novos álbuns, selos, uma moeda e exposição assinalam a data

Comemora-se hoje meio século da criação dos Schtroumpfs, os pequenos anõezinhos azuis que schtroumpfam schtroumpf, ou seja, falam schtroumpf.
O seu criador foi o belga Peyo (1928-1992), que os estreou a 23 de Outubro de 1958, na revista “Spirou” #1071, como coadjuvantes anónimos num episódio de Johan et Pirlouit, mas só no ano seguinte seriam protagonistas de uma BD.
Existem mais de cem schtroumpfs (estrumpfes em Portugal, estrunfes no Brasil, pitufos em espanhol ou smurfs em língua inglesa), do Grande Schtroumpf à bela Schtroumpfette (a única representante do sexo feminino), passando pelo músico, o carteiro ou o inventor, o vaidoso ou o resmungão, todos representando actividades ou emoções bem humanas, que despoletam aventuras em que enfrentam o feiticeiro Gasganete e o seu gato Azrael.
As comemorações começaram logo em Janeiro, quando deixaram a sua pequena aldeia com casas em forma de cogumelo, para invadirem Angoulême que acordou com 5000 schtroumpfs brancos de tamanho real (a altura de três maçãs!) nos lugares mais improváveis, não à procura de salsaparrilha, o seu alimento favorito, mas para serem descobertos e decorados. A invasão repetiu-se em mais 15 cidades europeias, onde uma personalidade local, como a família Beneton ou Uderzo, pintou um schtroumpf gigante, que será hoje leiloado a favor da UNICEF.
Adaptados em desenho animado logo em 1959, os Schtroumpfs conheceram o sucesso mundial com a versão televisiva da Hanna-Barbera, nos anos 80, estando em preparação uma trilogia cinematográfica com actores e animação 3D.
Na Bélgica a efeméride é assinalada com a edição pela Lombard de dois álbuns originais e uma colecção de pequeno formato, por uma moeda de 5 euros e duas emissões filatélicas, e o Centro Belga de BD, em Bruxelas, tem patente até 16 de Novembro uma exposição sobre Peyo e a sua obra.


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Actor de Star Wars no Festival de BD da Amadora

Richard LeParmentier, que desempenhou o papel de “Admiral Motti”, o único personagem da Trilogia Original a afrontar Darth Vader, no filme “Episódio IV – Uma Nova Esperança”, estará no Festival de BD da Amadora, nos dias 1 e 2 de Novembro. O programa, subordinado ao tema “Tecnologia e Ficção-científica”, inclui uma mostra de objectos da saga Star Wars, complementada com palestras, workshops e filmes.


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F. Cleto e Pina

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“É visível o prazer que tive em desenhá-lo”

Afirma Colin Wilson, desenhador de Major Alvega, que hoje regressa às livrarias portuguesas, e também de Blueberry e Tex; “É mais fácil desenhar aviões do que cavalos”, revela o autor; História comemorativa dos 50 anos do herói chega com dois anos de atraso

Começa hoje a ser distribuído nas livrarias portuguesas o livro “Battler Britton /Major Alvega” (BDMania), que há dois anos assinalou os 50 anos da criação daquele que foi, possivelmente, o mais popular herói dos quadradinhos da Segunda Grande Guerra em Portugal, apesar da sua origem inglesa (ver caixa).
Esta nova aventura, decorre em Outubro de 1942, numa altura em que os alemães pareciam imparáveis nos seus avanços. Neste contexto, o ás da aviação da RAF (Royal Air Force, a Força Aérea britânica), é enviado para uma base americana no Norte de África, para preparar um ataque conjunto às forças de Hitler, tendo que enfrentar, para além dos perigos habituais, a zombaria dos pilotos americanos.
Originalmente editada pela Wildstorm, um dos selos da DC Comics, como uma mini-série de cinco números, tem capas de Garry Leach e a assinatura do britânico Garth Ennis, reputado argumentista de “Preacher”, “Hitman” ou “Judge Dread”, e do neo-zelandês Colin Wilson, que os portugueses conhecem como desenhador de “A Juventude de Blueberry” e de “O último rebelde”, um Tex gigante da Mythos.
Sobre este trabalho o artista, de 58 anos, afirmou ao JN ser “muito diferente dos meus westerns”, esperando que “tal como Blueberry e Tex, seja uma boa aventura, que por acaso decorre durante a Segunda Guerra Mundial”. Tendo dificuldades em comparar “o trabalho envolvido nestes dois géneros”, reconhece que continua a “achar muito mais fácil desenhar aviões do que cavalos”!
O trabalho nesta mini-série permitiu-lhe o reencontro com um dos heróis da sua juventude, já que era “um grande fã dos pequenos formatos sobre a Segunda Guerra Mundial, publicados na Grã-Bretanha pela Fleetway, em especial das histórias com aviões, muitas delas de Battler Britton”. Entre elas destaca as “desenhadas pelo britânico Ian Kennedy”, por isso, “imediatamente aceitei desenhar a história e senti-me honrado por seguir as pisadas deste grande artista” que, soube mais tarde, “tinha sido a primeira escolha para desenhar o regresso de Battler, tendo recusado por estar retirado“. E revela “quando o Garth Ennis e eu discutimos o projecto, concordámos logo em torná-lo uma homenagem à sua maravilhosa arte”.
Não se reconhecendo no herói – “Battler é íntegro, indomável e invencível, portanto impossível de tomar como modelo” – afirma que “o maior desafio desta BD foi representar os aspectos técnicos de uma forma visualmente convincente e correcta. Especialmente os voos dos aviões, algo que eu já desejava há anos. Felizmente o Garth é especialista na matéria e ajudou-me muito nos detalhes de uniformes, equipamentos e aviões. Acho que é visível no resultado final o prazer que tive no seu desenho”.
Em relação ao original, criado há mais de meio século, Wilson acredita que “a grande diferença é que o Garth e eu pudemos trabalhá-lo juntos. Nos anos 50 e 60, na Fleetway, em que os autores nem sequer eram creditados, duvido que alguns autores sequer se conhecessem. Eu e o Garth pudemos sentar-nos e conversar demoradamente sobre a aproximação que queríamos fazer ao herói. Acho que essa consistência se nota na história”.
História que foi “bastante bem recebida pelos leitores; fiquei surpreendido como tantos ainda recordavam e gostavam das histórias originais”.

[Caixa]

Inglês ou português?

Criado em 1956, na revista Sun, por Mike Butterworth (argumento) e Geoff Campion (desenho), como “Battler Britton – England’s Fighting Ace of Land, Sea and Air”, o ás da aviação inglesa, que foi também desenhado por Pratt, Ortiz, Battaglia ou Gino D’Antonnio, para a Fleetway, chegaria a Portugal no início dos anos 60, nas minúsculas páginas de “O Falcão”. Por “indicação da censura”, foi rebaptizado por Mário do Rosário, director da revista, e por Anthímio de Azevedo, o tradutor, passando a chamar-se Jaime Eduardo de Cook e Alvega, com pai ribatejano, mãe inglesa, estudos em Coimbra e patente de major em vez do original tenente-coronel!
Era a forma do Estado Novo criar bons exemplos “bem portugueses”, que também mudou o nome a outros heróis dos quadradinhos: Rip Kirby foi Rúben Quirino, Flash Gordon, Capitão Raio ou Relâmpago, o pugilista Big Ben Bolt tornou-se o campeão luso Luís Euripo e o ás do volante Michel Vaillant chamou-se Miguel Gusmão. E que também retocou decotes e saias curtas – ou simplesmente os escondeu com borrões de tinta – e apagou muitas armas, deixando heróis e bandidos a disparar com os dedos!


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F. Cleto e Pina

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Piratas urbanos

Série do autor brasileiro Laerte nasceu na revista “Chiclete com banana”

1985, um Brasil recém-saído da ditadura, descobria nas bancas a Chiclete com Banana, uma revista de BD “underground” a resvalar para o anarquismo.
Nela, Angeli, o seu criador, depois com Laerte, Glauco ou Luís Gê, traçava um retrato cínico e mordaz das misérias do país, visto através das suas franjas mais marginais. A publicação tornou-se um marco, vendeu três milhões de exemplares numa década, teve até uma versão para Portugal (onde agora há nas livrarias pacotes com a “Edição definitiva para coleccionadores”) e lá nasceram anti-heróis como Rê Bordosa, os Skrotinhos, Bob Cuspe ou os invulgares Piratas do Tietê.
As aventuras destes últimos, traçadas por Laerte com detalhe e pormenores deliciosos, num preto e branco contrastante muito bem trabalhado, e dotadas de uma planificação multifacetada que lhes transmite uma grande dinâmica e ritmo, desenvolvem-se ao longo do rio Tietê, que atravessa a cidade de São Paulo. Recheadas de acção e nonsense, partem dele para as mais diversas paródias ou para libelos anti-economistas, anti-ecologistas ou anti-outra-coisa-qualquer, com base na estranha combinação dos estereótipos das narrativas de corsários com uma crítica exacerbada da actualidade brasileira, utilizando com frequência citações da literatura (Pessoa é protagonista involuntário de uma BD), cinema, pintura ou mesmo banda desenhada.
Agora, foram compiladas numa edição de luxo em três volumes, que incluem notas biográficas e comentários do autor, que enquadram melhor e possibilitam um outro nível de leitura de cada narrativa.

[Caixa]




Bisneto de português


Piratas do Tietê – A saga completa – Livro 1
Laerte
Devir Livraria

Nascido a 10 de Junho de 1951, foi registado como Laerte Coutinho, tendo, como tantos brasileiros, raízes portuguesas, no caso um bisavô de Ponte de Lima.
Estudou comunicação, jornalismo, arte e música, sem concluir nenhum curso. Publicou os primeiros cartoons em 1972, passou por títulos como Chiclete com Banana, Circo, Veja ou Folha de São Paulo (onde trabalha actualmente), criando os Piratas do Tietê, Gato e Gata, Fagundes, Condomínio, Overman ou Los Tres Amigos, e juntando à sua faceta gráfica também argumentos para televisão e teatro.


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Banda Desenhada evoca Jacques Brel

Para assinalar os 30 anos do desaparecimento de Jacques Brel, no próximo dia 9 de Outubro, a editora belga Petit à Petit acaba de editar “Chansons de Jacques Brel en BD”, “uma homenagem a um artista incontornável”. Nele, jovens argumentistas e desenhadores da banda desenhada francófona – David Signoret, Antoine Ronzon, Kevin Henry, Julien Lamanda, Olivier Martin, Benoît Frébourg, Heidi Jacquemoud, Marie Terray, Kevin Henry, Christine Circosta, Nathalie Bodin e Olivier Desvaux – evocam, aos quadradinhos, onze dos temas que o cantor belga imortalizou, entre os quais “Ne me quitte pas”, “Les Bourgeois”, “Au suivant” ou “Mathilde”. Com diferentes estilos e abordagens estas (re)leituras das canções, que mantêm o texto integral dos temas, totalizam 96 páginas, a cores, de pequeno formato (15 x 21 cm).
As canções de Jacques Brel (1929-1978), que deixou 16 álbuns gravados, já tinham sido alvo de outras adaptações semelhantes, a primeira das quais quatro álbuns da Brain Factory, nascidos de uma homenagem organizada por uma galeria de Bruxelas, em 1987, que incluíam ilustrações de alguns dos maiores nomes da banda desenhada, como Rosinski, Tibet, Peyo ou Will. Em 1997 a editora Vents d’Ouest editou também um álbum colectivo e em 2003 foi o Centro Belga de BD que organizou uma exposição dedicada ao cantor.
No entanto, a sua relação com a BD começara antes, em 1969, quando dois temas inéditos da sua autoria – La Chanson de Zorino e Ode à la nuit – foram incluídos na banda sonora da versão animada de “Tintin e o Templo do Sol”.


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19º Festival de BD da Amadora sob o signo da Ficção-científica e Tecnologia

Fórum Luís de Camões acolhe evento a partir de 24 de Outubro; Flash Gordon, Valérian, Blake e Mortimer, Tex e Star Wars no programa

O Fórum Luís de Camões, na Brandoa, vai receber pelo terceiro ano consecutivo o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), cuja 19ª edição terá lugar de 24 de Outubro a 9 de Novembro. É a continuidade num espaço amplo e dotado das infra-estruturas necessárias ao festival, aprovado por todos e que fez esquecer a Fábrica da Cultura onde o FIBDA conheceu os seus melhores momentos e se afirmou como um evento de referência.
Do programa, que será divulgado oficialmente hoje à tarde, o principal destaque vai para a exposição central subordinada ao tema “Ficção-científica e Tecnologia”, montada na óptica de mostrar a evolução gráfica e narrativa da própria BD através da forma como ela o tem abordado. Para isso, serão apresentados, de forma contrastante, exemplos clássicos e modernos do género. Em termos de personagens, este “confronto” far-se-á entre o tom aventuroso do Flash Gordon, de Alex Raymond, e os relatos iniciáticos de Valérian, de Christin e Mezières. No que respeita aos autores, a abordagem clássica está representada por Esteban Maroto e Hector Oesterheld (através das pranchas de Alberto Breccia, Oswal e Solano Lopez), cabendo a Leo e Alejandro Jodorowsky (argumentista de Juan Gimenez, Das Pastoras ou Janjetov) o olhar mais recente. Duas publicações de referência, a francesa “Metal Hurlant” e a britânica “2000 AD”, integrarão outro núcleo desta mostra, sendo o último dedicado à ficção-científica na BD portuguesa, em obras de Jayme Cortez, Vitor Péon, Fernando Relvas, Vítor Mesquita, Augusto Mota e Nelson Dias ou Luís Louro.
Após visitar a mostra sobre os Prémios Nacionais de BD 2007 (Luís Henriques e José Carlos Fernandes, Jean-Claude Denis, Nuno Markl, Rui Lacas, Neil Gaiman e Dave McKean) e os trabalhos concorrentes ao 19º Concurso de BD, igualmente no Piso 0 do Fórum Luís de Camões, adequadamente rebaptizado de Astroporto, os visitantes poderão descer até à Nave Cósmica (piso -1) para uma viagem por universos fantásticos – e em alguns casos menos conhecidos – da 9ª arte. Viagem que passa, entre outras propostas, pelas obras de Liberatore (de “Ranxerox” a “Lucy”), Cyril Pedrosa (“Três sombras”), Tara McPherson (ilustradora e designer da nova vaga nova-iorquina), pela BD que vem da China ou por mundos populares como o Oeste selvagem de Tex Willer, a distante galáxia de Star Wars ou a selecta sociedade britânica dos anos 50 onde evoluem Blake e Mortimer, revistos por Yves Sente e André Juillard.

[Caixas]

BD Chinesa

Parceria com o National Center for Developing Animation Cartoon and Game Industry, que levou obras nacionais a Xangai, em Junho, traz ao FIBDA a BD de ficção-científica de Yu Lu e Hong Lee.

60 anos de Tex

Originais do álbum comemorativo do aniversário, de Cláudio Nizzi e Fábio Civitelli, assinalam esta efeméride do mais duradouro western da BD.

Homenagens

A José Ruy (no CNBDI), José Garcês (Galeria Municipal Artur Bial) e de artistas gráficos portugueses a João Abel Manta (Fórum Luís de Camões).

Autores convidados

Yu Lu, Liberatore, Dave McKean, Pat Mills, Tara McPherson, Esteban Maroto (25 e 26/10), Maurício de Sousa, Janjetov, Ian Gibson, Carlos Portela (1 e 2/11), Cyril Pedrosa, Mathieu Sapin, J.-C. Denis

Lançamentos

Kingpin Comics: “A Fórmula da Felicidade #1 (de 2)”, de Nuno Duarte, Osvaldo Medina e Ana Freitas
Pedranocharco: “Bang Bang #2”, de Hugo Teixeira, “BDJornal” #23 e #24, “Moda Foca #1”
Polvo: “Três Sombras”, de Cyril Pedrosa
Tinta da China: “Terra Incógnita – A Metrópole Feérica”, de José Carlos Fernandes e Luís Henriques
Tugaland: “BD Fado”, por Nuno Saraiva, BD Rock-Pop Português, por Alex Gozblau, e BD Música Clássica, por Jorge Mateus


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BD sobre a PIDE premiada em Itália

“Sonno Elefante – I muri hano orecchie”, romance gráfico de Giorgio Fratini centrada no edifício da Rua António Maria Cardoso, que serviu de sede à PIDE, foi escolhido como o Melhor Livro Italiano pelo Festival de BD de Roma – Romics 2008.
O júri partiu de uma lista que incluía cinquenta dos melhores títulos de banda desenhada editados em Itália, tendo distinguido igualmente grandes nomes dos quadradinhos como o japonês Jiro Taniguchi (Grande Prémio Romics 2008), os norte-americanos Alan Moore, Melinda Gebbie e Howard Chaykin ou o italiano Vittorio Giardino.
Editado em Portugal pela Campo das Letras com o título “As paredes têm ouvidos – Sonno Elefante”, para assinalar o 34º aniversário da Revolução dos Cravos, segue os destinos de cinco amigos, a dois tempos, nos últimos anos da ditadura, na Lisboa de 1970, e na actualidade, em 2006, mostrando como a actuação dos agentes da PIDE naquele edifício marcou a vida de muitos portugueses.
O ponto de partida para a obra, que o autor definiu ao JN como “uma metáfora sobre a perda da memória de um lugar”, foi a descoberta de que a antiga sede da PIDE, estava a ser remodelada para dar lugar a um conjunto de apartamentos de luxo e lojas.


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BD romântica para elas

Dramacon #1 (de 3)
Svetlana Chmakova (argumento e desenho)
Edições ASA

Crónica irrequieta de paixões adolescentes, decorre numa convenção de manga e anime, onde Christie, uma argumentista, vai pela primeira vez, em companhia do seu namorado e desenhador, Derek, com quem termina a sua relação de sentido único, quando conhece Matt.
Mostrando como elas e eles vivem de forma diferente os seus amores, a autora surpreende pelo realismo com que expõe relacionamentos e reacções emocionais, acentuando esse retrato realista, por paradoxal que pareça, pelo uso recorrente de representações mais caricaturais das personagens, de acordo com os seus estados de espírito, o que também contribui para dotar a obra de um ritmo vivo e lhe confere um agradável tom de comédia romântica.


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