Etiqueta: F. Cleto e Pina

Nas bancas (IV)

Nas últimas semanas referi o regresso da BD às bancas, por “culpa” das edições brasileiras da Turma da Mônica, Marvel e DC Comics, mas a verdade é que ela nunca as deixou, porque Tex manteve (quase sozinho) a “honra” da 9ª arte, através de uma dezena de títulos da Mythos Editora com as histórias do famoso ranger de camisa amarela, para satisfação dos seus (muitos) fãs.

O que acontece também, este mês, em que há quatro revistas em banca. Em “Tex” #420, que publica as histórias ano e meio após a edição original italiana, Claudio Nizzi e Venturi guiam Tex e Carson pelas florestas do Oregon para desvendar uma conspiração contra lenhadores locais.

Já em “Tex Colecção” #212, que publica as BDs por ordem cronológica, Nicoló ilustra um guião de 1974 de G.L. Bonelli, no qual um violento bando de criminosos procura um eventual tesouro espanhol.

Mais antiga (1971), é a história sobre uma das figuras típicas do Oeste, um caçador de prémios, narrada por Bonelli e Galleppini no “Tex Edição Histórica” #68, grossos volumes com histórias completas, publicadas cronologicamente.

Esta panorâmica do mês “texiano” conclui com “Os Grandes Clássicos de Tex” #4, em que Bonelli e Galep, num estilo bem clássico, de ritmo frenético, contam a primeira parceria de Kit, com o seu pai, Tex, na qual, desmontando uma tentativa de sabotagem da linha ferroviária, quase ofusca aquele que costuma ser o herói principal.


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Vida de Michael Jackson contada aos quadradinhos

A morte de Michael Jackson também agita os meios da banda desenhada (arte de que o cantor era fã) e pelo menos duas biografias em quadradinhos estão já em preparação.
A primeira, foi anunciada pela norte-americana Bluewater, que se tem especializado em (mediáticas) biografias em BD, como a série “Female Force”, por onde já passaram Hillary Clinton, Sarah Palin, Michelle Obama, a princesa Diana ou Oprah Winfey. Quatro dias após a morte do cantor, a editora anunciou que em Outubro lançará “Tribute: Michael Jackson, King of Pop”, escrita por Wey-Yuih Loh e desenhada por Giovanni Tímpano. A BD, que terá duas capas alternativas da autoria de Vinnie Tartamella, já divulgadas, contará a vida do artista desde os Jackons 5 até à sua morte, não deixando de lado os grandes momentos da sua carreira e alguns dos segredos da sua enigmática vida pessoal.
Entretanto, do Brasil, chega a notícia de uma outra biografia, esta desenhada em estilo manga (BD japonesa), escrita por Ledo Vieira e desenhada por Fábio Shin e Rafael Kirschner. Este projecto, que terá cerca de 180 páginas e será editado pela Seoman durante o próximo ano, já estava estruturado para assinalar a volta do cantor aos palcos e às gravações, mas a sua morte inesperada forçou os autores a introduzirem algumas mudanças.
Finalmente, na Marvel (cuja compra o cantor equacionou, nos anos 90), a capa alternativa de “Marvel Zombies Four” #3, da autoria de Mike Perkins, evoca os anos 80 e os mais famosos zombies dessa época, os do teledisco de “Thriller”, de Michael Jackson.


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Corto Maltese apareceu há 40 anos

Foi há 40 anos. Na imensidão do Oceano Pacífico, amarrado a uns quantos troncos que formavam uma jangada tosca, aparecia pela primeira vez Corto Maltese. Era a vinheta final da quinta prancha de “Una Ballata del Mare Salato”, uma BD publicada no primeiro número da revista italiana “Sgt. Kirk”, estreada em Portugal na revista “Tintin” e lançada em álbum pela Bertrand (1982) e pela Meribérica/Líber (2003, na edição revista e colorida). O seu autor era Hugo Pratt que iniciava, assim, sem o saber – até a barba hirsuta de Corto dura apenas duas pranchas – uma das mais importantes e marcantes histórias aos quadradinhos, onde imperavam já o espírito de liberdade, o valor da amizade e um imenso sabor a aventura que marcariam a sua obra.

De Corto, fomos conhecendo aos poucos, ao longo de mais de duas dezenas de álbuns, o seu carácter errante, anarquista, libertário e de anti-herói romântico e pormenores de uma vida aventurosa – retrato colorido da vida e das experiências do próprio Pratt de quem se tornou alter-ego – na qual “contando a verdade como se fosse mentira, ao contrário de Borges que contava mentiras como se fossem verdades”, cruzou oceanos, visitou lugares místicos e reais e conheceu algumas das mais belas e interessantes mulheres da BD. Que sempre deixou, porque o apelo da aventura e do mar sempre foram mais fortes, possibilitando-nos assim conhecer, sem nunca ter vivido, boa parte da História do primeiro terço do século XX, e compartilhar ideias e ideais, filosofias de vida e o mais profundo da natureza humana, que Pratt foi desfiando pelos seus romances desenhados.

Estes 40 anos – ou os 120, se atentarmos na data que alguns biógrafos apontam para o seu nascimento – ficam marcados, em França, após a edição cronológica em formato de bolso, por duas reedições da Casterman: “La Ballade de la mer salée”, em edição de luxo, formato gigante (32 x 41 cm) e tiragem limitada (10 000 ex.), prefaciada por Gianni Brunoro, e “Fable de Vénise”, que inaugura a colecção “Autour de Corto Maltese” que se destaca por incluir comentários, referências, notas históricas, geopolíticas, bibliográficas, imagens e análises, ao lado de cada prancha. Isto, enquanto os muitos fãs de Corto continuam a aguardar pela nova aventura do marinheiro errante, anunciada em Janeiro deste ano em Angoulême, no cumprimento do desejo de Pratt que sempre quis que a sua criação lhe sobrevivesse. Mantida no maior segredo – nem o nome dos dois autores é conhecido – sabe-se apenas que deverá ser lançada entre meados de 2008 e início de 2009 e que a sua acção se passará entre os álbuns “A juventude de Corto Maltese 1904-1905” e “A Balada do Mar Salgado”.

[Caixa]

Corto Maltese – perfil

Nascimento

10 de Julho de 1887, em Malta

Filiação

Mãe: cigana espanhola de Sevilha

Pai: marinheiro britânico, da Cornualha

Nacionalidade

Britânica

Profissão

Marinheiro e aventureiro

Sinais particulares

Brinco em forma de argola na orelha esquerda; longa cicatriz na palma da mão direita, feita por ele próprio insatisfeito com o comprimento da sua linha da vida.

Morte

No mar, em Cantão, assassinado por uma tríade, na Austrália, numa briga ou na Guerra Civil de Espanha, como Hugo Pratt afirmou?


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Nas bancas (III)

O regresso da BD às bancas, com edições brasileiras da Turma da Mónica, Marvel e DC Comics, possibilita a reaproximação ao universo desta última, algo esquecido entre nós nos últimos anos, para já através de dois títulos, devendo as revistas “Batman” e “Superman” chegar no final do ano.

“Batman Ano 100 (1 de 2)”, escrito e desenhado por Paul Pope, com cores de José Villarrubia, situa o Homem-Morcego em 2039, 100 anos após a sua criação por Bob Kane, perturbando a ordem estabelecida (leia-se imposta), num thriller violento e dinâmico, baseado numa conspiração de contornos ainda indefinidos.

Quanto a “Crise Infinita”, de Geoff Johns (argumento), Phil Jimenez e Andy Lanning (desenhos) é uma mini-série em 7 volumes, surgida na sequência de “Crise nas Infinitas Terras” que, em 1985, tentou reorganizar o Universo DC, então dividido por diversas Terras alternativas ou paralelas, nas quais um mesmo herói podia ter diferentes idades e origens, com a agravante de poder circular entre elas. No final ficou uma única Terra, mescla de todas as outras, à custa de um bom número de heróis, vilões e eventos. As pontas então deixadas soltas são agora unidas, numa obra de leitura complexa, mas fundamental para perceber o universo onde evoluem Batman, Superman, Mulher Maravilha e muitos outros, e que congrega o pior (uma certa confusão) e o melhor (a capacidade inventiva) das BDs de super-heróis.


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Nas bancas (II)

O regresso da BD às bancas, com edições brasileiras da Turma da Mónica, Marvel e DC Comics, possibilita a reaproximação ao universo desta última, algo esquecido entre nós nos últimos anos, para já através de dois títulos, devendo as revistas “Batman” e “Superman” chegar no final do ano.

“Batman Ano 100 (1 de 2)”, escrito e desenhado por Paul Pope, com cores de José Villarrubia, situa o Homem-Morcego em 2039, 100 anos após a sua criação por Bob Kane, perturbando a ordem estabelecida (leia-se imposta), num thriller violento e dinâmico, baseado numa conspiração de contornos ainda indefinidos.

Quanto a “Crise Infinita”, de Geoff Johns (argumento), Phil Jimenez e Andy Lanning (desenhos) é uma mini-série em 7 volumes, surgida na sequência de “Crise nas Infinitas Terras” que, em 1985, tentou reorganizar o Universo DC, então dividido por diversas Terras alternativas ou paralelas, nas quais um mesmo herói podia ter diferentes idades e origens, com a agravante de poder circular entre elas. No final ficou uma única Terra, mescla de todas as outras, à custa de um bom número de heróis, vilões e eventos. As pontas então deixadas soltas são agora unidas, numa obra de leitura complexa, mas fundamental para perceber o universo onde evoluem Batman, Superman, Mulher Maravilha e muitos outros, e que congrega o pior (uma certa confusão) e o melhor (a capacidade inventiva) das BDs de super-heróis.


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António Alfacinha, um português na Turma da Mônica

Novo herói de Maurício de Sousa estreia-se em Julho no Brasil; Revistas com as primeiras histórias deverão chegar a Portugal em Dezembro; diferenças de linguagem em Portugal e no Brasil são a base das suas histórias

A notícia avançada por Maurício de Sousa em Novembro do ano passado, tem agora data e local oficiais: António Alfacinha, lisboeta de gema, o “miúdo luso” da Turma da Mônica vai fazer a sua estreia no nº 7 da revista “Cebolinha”, que será lançada no Brasil na próxima semana. E como após longos meses de ausência, as revistas da Mônica, Cebolinha, Cascão e companhia voltaram às bancas portuguesas a semana passada, com seis meses de atraso em relação à distribuição no Brasil, Portugal terá de esperar até Dezembro para o conhecer.

Esta nova personagem não é caso único na história recente da Turma da Mônica. “Para que ela espelhe a realidade brasileira”, declarou Maurício de Sousa ao Jornal de Notícias, em Novembro último, no Festival de BD da Amadora, “criámos Dorinha, a menina cega, Luca, o paraplégico em cadeira de rodas… vem aí uma menininha com Síndroma de Down e uma família negra porque nós temos poucas personagens negros e estamos a sentir falta deles” ou Bloguinho, um maníaco da informática. António Alfacinha é “uma ideia antiga” de Maurício que agora se concretiza.

O seu processo de criação, como habitualmente, “envolveu muita pesquisa, conversámos com pessoas, vimos a parte positiva, a parte negativa, até me sentir pronto para fazer a personagem”. E passa por coisas (aparentemente) tão simples como definir o seu aspecto – Alfacinha nos primeiros esboços tinha um cabelo verde-alface assemelhado mesmo a uma alface e acabou com cabelo preto e risca ao meio, a lembrar um bigode aristocrático – ou as suas roupas, – cuja combinação de cores andou sempre em torno das da bandeira portuguesa, e que acabaram por se fixar em calções verdes, t-shirt vermelha, colete preto e sapatos castanhos. E os olhos e as bochechas salientes típicas das personagens de Maurício, que lhes conferem um ar simpático e divertido e condizem com o carácter desinibido e mesmo provocador do Alfacinha. O passo seguinte foi “testá-lo, com as mulheres do estúdio: são mais sensíveis, dão ideias e respostas mais honestas”.

Como principal característica, o Alfacinha “fala o português original de Portugal, com diferenças fonéticas, palavras diferentes, para que as crianças no Brasil também as conheçam e até comecem a utilizá-las. Assim haverá uma aproximação de crianças do Brasil e de Portugal que acho extremamente positiva”.

E é nessas diferenças da língua (visível logo no nome: António, com “o” aberto, e não “Antônio” à brasileiro) que se baseiam as três primeiras histórias que Alfacinha co-protagoniza. Nelas, sucedem-se os trocadilhos e as confusões verbais, com bem conseguidos efeitos cómicos, possivelmente mais acessíveis a nós portugueses, mais habituados à língua brasileira, pela influência das telenovelas e da música, do que o inverso. Depois de travar conhecimento com o Cebolinha logo na primeira história – “Alfacinha, o miúdo luso” – António – que usa e abusa do “oh pá!” e do “ora pois!” – conhece outros membros da Turma, como o Cascão e o Xaveco, com quem joga futebol. O encontro com a Mônica, resulta em paixão à primeira vista para o pobre portuguezinho, que é enganado pelos outros miúdos, quanto às melhores frases para a cativar. Depois de levar uma tareia “de coelho”, a marca registada da Mônica, Alfacinha vingar-se-á de forma surpreendente! Na terceira história, a sua paixão pela “cachopinha” desperta os ciúmes do Cebolinha, começando entre ambos uma guerra culinária que termina da forma habitual, com os dois pretendentes unidos na desgraça, vencidos e (con)vencidos pelo coelho da Mônica!

[Caixa 1]

Perfil

Maurício de Sousa

Nascido em Santa Isabel, no Brasil, em 1935, Maurício de Sousa, após uma infância normal e uma adolescência dividida entre os estudos e o trabalho para ajudar os pais, mudou-se para São Paulo para tentar concretizar o sonho de ser desenhador profissional, acabando como repórter policial do “Folha da Manhã”. Continuando sempre a desenhar, em 1959 cria Bidu e Franjinha em tiras que vendeu ao seu jornal, juntando-lhes sucessivamente Cebolinha, Piteco, Chico Bento e muitos outros que, ao fim de 10 anos, eram publicados em mais de 200 jornais brasileiros. Começava assim um verdadeiro império dos quadradinhos – as suas revistas vendem hoje cerca de 2 a 3 milhões de exemplares por mês só no Brasil, e chegam a lugares tão distintos como os EUA, Espanha, Itália, Coreia ou Indonésia – que Maurício, com tanto de criador genial como de gestor atento à realidade, tem sabido estender a outros meios: televisão, cinema, parques temáticos, sendo a Internet o próximo passo. A par disto, o licenciamento de inúmeros produtos com os seus heróis e a participação gratuita em campanhas de solidariedade, nacionais e internacionais, contribui sobremaneira para a difusão da Turma da Mônica, cuja principal mensagem é “deixem as crianças ser crianças”.

[Caixa 2]

Os outros portugueses que Maurício criou

António Alfacinha não é o primeiro português criado por Maurício de Sousa nos seus “quadrinhos”, embora seja o primeiro a merecer um lugar de (relativo) destaque. Nos anos 50, ainda a Turma não existia, Maurício criou Mingão, o dono de um talho, que agora chegou a ser apontado como pai do Alfacinha, o que acabou por não se concretizar. Entretanto abandonado, voltou a aparecer de forma fugaz em “Lostinho – perdidinhos nos quadrinhos”, uma sátira da Turma da Mônica à série televisiva “Lost” (“Perdidos”).

Em tempos mais recentes. Quinzinho foi outro português a cruzar os caminhos da Turma, como namorado da comilona Magali. Filho de um padeiro, ao contrário do que se possa pensar, o seu nome não é diminutivo de Joaquim, mas antes uma tradição familiar pois os irmãos chamam-se Onzinho, Dozinho, Trezinho…


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Nas bancas (I)

Após longa ausência, esta semana voltaram às bancas portuguesas revistas da Turma da Mónica, reanimando o sector juntamente com edições brasileiras da Marvel e da DC. A par da estreia em revista própria de Ronaldinho Gaúcho, nas suas traquinices de miúdo, há ainda uma dúzia de títulos, com o nome dos principais heróis (Mónica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento), entre revistas novas (com a numeração a recomeçar do #1) e almanaques antológicos, edições especiais e de jogos.

Lê-las, é como reencontrar velhos amigos que conhecemos bem, o que é, aliás, uma das razões do seu sucesso: crianças normais, bem caracterizadas, constantes e coerentes, que brincam num mundo como o nosso, expurgado de tudo aquilo que é prejudicial, transmitindo de forma bem divertida mensagens positivas (amizade, responsabilidade, segurança, consciência ecológica, etc.), sem cair em moralismos excessivos.

Nós sabemos como cada um vai agir: antecipamos os planos do Cebolinha, as respostas arrasadoras da Mónica, a fuga à água do Cascão ou a fome da Magali, mas não conseguimos, mesmo assim, deixar de sorrir com as peripécias e desfecho de cada história. O que não impede que não possa haver surpresas, como uma sátira ao Big Brother Brasil, em “Cebolinha #1”, ou a história inicial de “Cascão #1”, em que ele assume a identidade de diversos membros da Turma, para no final assumir o lugar do desenhador.


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Banda Desenhada galega em retrospectiva no Porto

É inaugurada hoje, sexta-feira, dia 22, às 18h30, na Galeria Sargadelos, na Rua Mouzinho da Silveira, no Porto, a exposição “Banda Desenhada Galega: uma retrospectiva – dos anos 70 à actualidade”, estando previstas as presenças do Dr. Luís Bará, Director Geral de Criação e Promoção Cultural, da Xunta da Galicia (pelouro da Cultura) e dos comissários da exposição, Fausto Isorna (que também é autor de BD) e Gemma Sesar.

Para quem está por dentro do mundo da BD, quando se fala de autores galegos, vem logo à memória o nome de Miguelanxo Prado, mas esta exposição itinerante, que começou o seu percurso em 2006 na Fundação Feima, em Madrid, e passou já por Barcelona e pela Bedeteca de Lisboa, mostra que a 9ª arte galega vai muito além da obra do seu mais mediático criador.

A exposição, que apresenta originais e reproduções de mais de duas dezenas de autores galegos, está dividida cronologicamente em quatro períodos que remetem para as etapas mais salientes da afirmação da “historieta” (termo espanhol para BD) galega: Pioneiros, Underground, Indústria e Presente.

No tempo dos Pioneiros destaca-se a influência da pintura na banda desenhada e o seu marcado vínculo de intervenção política, salientando-se os nomes do Grupo do Castro, e de Reimundo Patiño e Xaquin Marin, autores de “2 Viaxes”, considerada a primeira BD galega.

Os anos 80, marcados pela “movida” madrilena e pelo boom da banda desenhada espanhola, em revistas como “Zona 84”, “Cimoc” ou “Cairo”, ficam assinalados na Galiza pela multiplicação de quadradinhos underground em revistas e fanzines como o “Frente Comixário”. A década seguinte assiste à industrialização da BD galega, com destaque para publicações como “Golfiño”, “BD Banda” e “Barsowia”, e à sua internacionalização através de autores como Emma Rios, Kiko da Silva e Das Pastoras. O Presente mostra uma historieta galega cheia de vitalidade, numa história sem fim à vista, antes com um emblemático “continua” bem visível e prometedor.


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Super Pig

Cumprindo a periodicidade (não prometida), cerca de seis meses após os números iniciais, a Kingpin Comics lança agora os nºs 2 de “Super Pig” e “C.A.O.S.”. Este é um thriller político e de acção, passado em Portugal e na Rússia nos anos 80 e ficcionando o envolvimento das FP-25 de Abril numa conspiração política de grandes contornos que agora se começa a definir.

Quanto a Super Pig, no seu primeiro número destacou-se pelo traço fino e (quase sempre) limpo, pelo arrojo e diversidade da planificação, que conferia grande dinamismo à leitura, pelo ritmo vivo, pelos diálogos certeiros e credíveis, pelo bom humor e por alguns apontamentos autobiográficos, sendo o todo protagonizado por um porco rico e bem relacionado, para dar um retrato (não tão) distorcido (assim) de uma certa realidade nacional.

Embora de ritmo mais lento e com um argumento mais fechado em torno de uma conspiração contra o herói, o que de alguma forma torna o texto mais pesado e condiciona o ritmo de leitura, este volume mantém as restantes características já apontadas, lamentando-se que, mais uma vez, devido às dificuldades de distribuição e aos custos dos stocks, a tiragem seja de novo (quase) residual, limitada a uns escassos 200 exemplares, vendidos exclusivamente na loja Kingpin Comics (www.kingpin-of-comics.net). Fica como compensação a disponibilização integral on-line dos números iniciais de ambas as séries.


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Surfista Prateado, arauto de um deus maior

Originalmente chamava-se Norrin Radd e vivia num planeta perfeito: sem guerras, doenças, pobreza… Quando Galactus, o destruidor de mundos, ameaçou o seu planeta, para o salvar, aceitou tornar-se arauto desse deus impiedoso e procurar mundos não habitados para ele consumir. Foi assim que chegou à Terra, onde, fascinado pela beleza da sua vida, se atreveu a afrontar o seu senhor, que o castigou exilando-o para sempre neste planeta, onde se esforça por proteger os seus habitantes, embora nem sempre seja compreendido. Mais tarde contornou a proibição, voltando às suas viagens cósmicas, sobre a prancha que controla com a mente.

Este é o Surfista Prateado um dos mais invulgares super-heróis do universo Marvel, marcado pelo destino trágico, o lado místico, a prevalência da defesa da vida acima de tudo e o tom quase religioso das suas aventuras.

Curiosamente, o Surfista foi primeiro imaginado por Jack Kirby , em 1966, quando desenhava aquela que viria a ser conhecida pela “Trilogia de Galactus”, introduzindo-o nas pranchas por achar que um deus tão poderoso precisava de quem o anunciasse. Surpreendeu assim Stan Lee, que o descobriu quando ia escrever os textos definitivos na história, que de imediato se deixou seduzir e lhe proporcionaria uma revista própria dois anos depois, onde brilharia o traço barroco do veterano John Buscema.

Na sua bibliografia há ainda uma improvável BD criada em parceria por Lee e Moebius, nos anos 80.

Na trilogia referida, o Surfista Prateado encontrou pela primeira vez o Quarteto Fantástico – um homem com corpo elástico, uma mulher que se torna invisível, um adolescente que transforma o corpo em chamas e um “homem-monstro” de pele de pedra e enorme força. Criados em 1961 foram a primeira “super-família” da BD e também os primeiros super-seres com problemas reais, conceito que revolucionou os comics da Marvel, transformando-a na principal editora do género. A vivência conjunta das suas diferenças – e a forma de encará-las – está na base de muitos dos seus problemas, mas é também nesta vivência “familiar” que encontram a força e a união com que vencem os adversários que vão surgindo.


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